Na madrugada de 7 para 8 de setembro de 1936, marinheiros portugueses tomaram três navios de guerra no estuário do Tejo em uma tentativa de rebelião contra a ditadura de António de Oliveira Salazar.
A mobilização teve participação decisiva da Organização Revolucionária da Armada, ligada ao Partido Comunista Português e com influência entre as tripulações.
Os marinheiros tomaram o contratorpedeiro Dão e os navios Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias. O plano previa retirar as embarcações do alcance das baterias costeiras e pressionar o governo pela libertação de presos políticos e pelo fim da perseguição dentro da Marinha.
Caso a tentativa fracassasse em Lisboa, os revoltosos pretendiam seguir para Angra do Heroísmo, libertar presos políticos e depois rumar à Espanha.
A Guerra Civil Espanhola havia começado dois meses antes. Salazar apoiava Francisco Franco e permitia que o território português fosse usado na passagem de armas destinadas aos franquistas. Os marinheiros pretendiam colocar as embarcações a serviço das forças republicanas.
O governo já havia recebido informações sobre a conspiração. Salazar autorizou as forças militares a destruírem os navios caso fosse necessário impedir sua fuga.
Baterias instaladas em terra e aviões abriram fogo. Entre 10 e 12 marinheiros morreram durante a repressão.
Mais de 200 foram presos e expulsos da Marinha. Oitenta e dois receberam penas que chegaram a 20 anos de prisão, e parte dos condenados foi enviada ao campo do Tarrafal, em Cabo Verde.





