O Brasil pode ultrapassar 1 milhão de pessoas presas em 2027. Em 2025, penitenciárias e delegacias mantinham 964.668 detentos, número 6% superior ao registrado no ano anterior.
Entre 2000 e 2025, a população carcerária aumentou 314,5%. Apenas de 2016 a 2025, passou de 722.120 para 964.668 presos.
A expansão das prisões ocorre sem que existam vagas correspondentes. Em 2025, o País dispunha de 679.763 vagas, déficit de 281.213. Cerca de um em cada quatro presos ainda aguardava julgamento.
Os números são resultado de uma política baseada no encarceramento. Uma de suas principais bases é a proibição das drogas, que alimenta detenções, operações policiais e processos contra uma parcela enorme da população pobre.
A chamada guerra às drogas não impediu o comércio nem o consumo de entorpecentes. Ao contrário, entregou ao aparelho repressivo um instrumento permanente de invasão de bairros, prisões e assassinatos. É necessário legalizar todas as drogas, acabar com essa guerra e dissolver a Polícia Militar.
A população negra representava 69,6% dos encarcerados em 2025. As mulheres chegaram a 57.222 presas, maior número desde o início da série histórica em 2016 e crescimento de 43,7% em dez anos.
A situação dentro das cadeias também piorou. Foram registradas 3.318 mortes em estabelecimentos prisionais somente em 2025. Entre 2016 e 2025, morreram 23.942 pessoas nas unidades do sistema.
Mais de 10 mil presos tinham algum tipo de deficiência, enquanto quase 70% dos 1.532 estabelecimentos prisionais não possuíam qualquer cela ou módulo adaptado.




