A Hungria anunciou nesta terça-feira (8) a expulsão de dez diplomatas russos, aprofundando a mudança de política externa iniciada depois da chegada de Peter Magyar ao governo.
Budapeste acusou os integrantes da missão diplomática de praticarem atividades “incompatíveis” com suas funções nos termos da Convenção de Viena, mas não informou quais atos teriam cometido.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, prometeu uma reação:
“A resposta ao grupo russófobo em Budapeste será dura e dolorosa.”
O governo húngaro declarou que pretende manter relações diplomáticas com Moscou, mas justificou as expulsões em nome da “segurança e soberania” do país.
A decisão ocorre poucos meses depois da posse de Peter Magyar. Sob sua direção, a Hungria passou a classificar a Rússia como uma “ameaça à Hungria, à Europa e à ordem mundial”.
A orientação rompe com a política adotada por Viktor Orbán.
O governo anterior recusava o envio de armamentos à Ucrânia, contestava parte das sanções europeias e defendia a continuidade das importações de petróleo, gás e combustível nuclear russos.
Orbán também argumentava que a ruptura com a energia russa relativamente barata prejudicaria a indústria europeia.
Peter Magyar passou a apoiar novas sanções contra Moscou e retirou as objeções húngaras ao pacote de €90 bilhões destinado pela União Europeia ao governo ucraniano.
A Hungria deixou, assim, de ocupar a posição divergente que manteve durante anos dentro do bloco.
A expulsão de dez diplomatas mostra que a mudança não se limita à retórica. O novo governo está alinhando o país à política das principais potências europeias, que ampliam o rearmamento, financiam Kiev e aumentam a pressão política e econômica sobre a Rússia.





