A aprovação de Donald Trump caiu para 33%, o menor nível registrado pela série de pesquisas do Financial Times, a menos de dois meses das eleições legislativas de novembro. O desgaste ocorre depois do desastre norte-americano na guerra contra o Irã, que provocou sérios problemas militares, pressionou o preço dos combustíveis e abalou a relação do presidente com parte de sua própria base eleitoral.
A ofensiva contra o Irã expôs as dificuldades das Forças Armadas dos Estados Unidos para sustentar uma guerra de grande escala. Washington perdeu bases e posições no Oriente Médio e passou a enfrentar escassez de munições, armamentos e equipamentos consumidos durante o conflito.
Ao mesmo tempo, a guerra teve efeitos imediatos sobre a economia. A alta dos combustíveis tornou mais caro o transporte e pressionou outros preços, justamente quando Trump havia voltado à Casa Branca prometendo reduzir o custo de vida.
Quase dois terços dos entrevistados afirmam que a economia norte-americana segue na direção errada. Outros 57% dizem que sua situação financeira piorou desde a volta de Trump ao governo. No levantamento anterior, eram 53%.
O problema atinge uma das principais promessas da campanha republicana. Trump explorou o aumento do preço da gasolina e dos alimentos durante o governo de Joe Biden e apresentou sua eleição como uma saída para a inflação. Agora, enfrenta o mesmo tipo de insatisfação que utilizou contra os democratas.
Sua política comercial também pesa contra o governo. A pesquisa mostra que 56% dos eleitores desaprovam a tarifa de 50% sobre cerca de US$20 bilhões em produtos canadenses. O Canadá respondeu com tarifas sobre mercadorias norte-americanas, ampliando a possibilidade de novos aumentos de preços.
Desgaste chega aos republicanos
A queda de Trump já alcançou o eleitorado republicano. Sua aprovação dentro do partido recuou para 72%, o menor nível da série. Quando a pergunta trata especificamente de empregos e economia, apenas 53% dos republicanos aprovam o governo, quase 8 pontos a menos que no mês anterior.
Há ainda um problema político criado pela própria guerra. Trump cultivou durante anos a imagem de adversário das intervenções militares dos Estados Unidos e prometeu acabar com o envolvimento do país em guerras pelo mundo.
O ataque ao Irã desmentiu essa promessa. O governo colocou os Estados Unidos diretamente em uma grande guerra no Oriente Médio e, além disso, saiu dela com perdas militares importantes. O resultado provocou descontentamento entre setores que haviam apoiado Trump justamente por sua oposição às aventuras militares tradicionais de Washington.
O presidente passou, assim, a pagar simultaneamente pelo fracasso no exterior e pelas consequências da guerra dentro dos Estados Unidos. O prejuízo militar veio acompanhado da alta dos combustíveis e de uma queda de apoio entre os próprios republicanos.
Democratas avançam
A piora ocorre às vésperas das eleições de novembro, quando estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e parte do Senado.
Na intenção de voto por partido para o Congresso, os democratas aparecem 7,5 pontos à frente dos republicanos. No levantamento anterior, a vantagem era de 5 pontos.
Trump também se transformou em um problema eleitoral para seus candidatos. Para 46% dos entrevistados, a presença do presidente dificulta a vitória republicana. Apenas 17% consideram que ele ajuda. Entre os independentes, 53% avaliam que Trump prejudica os candidatos de seu partido.
O apoio pessoal do presidente produz efeito semelhante. Cerca de 43% dos eleitores afirmam que ficariam menos dispostos a votar em um candidato apoiado por Trump, enquanto 23% dizem o contrário. Entre os independentes, 47% rejeitariam com maior facilidade um candidato respaldado pela Casa Branca.
O cenário dá aos democratas boas possibilidades de conquistar a Câmara e coloca também o Senado ao alcance do partido. O desastre no Irã, longe de fortalecer Trump, chegou ao centro da disputa eleitoral norte-americana: enfraqueceu o aparato militar, encareceu a vida da população e atingiu uma das promessas que haviam permitido ao republicano voltar ao governo.



