Os defensores de Alexandre de Moraes, uma pequena burguesia alienada da realidade há muito tempo, não perceberam que o problema das denúncias contra ele não é jurídico. Não tem a menor importância se as provas são boas ou não, se o procedimento jurídico foi certo ou errado etc.
Menos ainda vale a pena apontar o dedo para o outro lado e dizer “estou sujo, mas ele também está”.
O povo não vive dessas particularidades.
O problema é integralmente político. A autoridade de Alexandre de Moraes, do STF, do Ministério Público entrou em colapso irremediável. Isso significa que o “supremo” não tem condições de reprimir os seus adversários políticos e dirigir o país como veio fazendo até aqui. Arrisca-se a uma rebelião generalizada.
Afinal, quem vai aceitar os duros vereditos, ilegalidades e arbítrio de uma corte corrupta? Até mesmo as raras decisões legais serão contestadas vigorosamente.
Quem vai aceitar que a Débora do batom pegue anos de cadeia por decisão dos sócios de Daniel Vorcaro?
As ditaduras, quando só se apoiam na força bruta, são um elemento de instabilidade revolucionária.
A ditadura do STF se apoiava sobre uma base política, a saber o apoio do grande capital e da sua imprensa e da esquerda. A grande imprensa deixou Alexandre de Moraes no sereno. Se o PT defender Moraes, vai abaixo com ele. As bases para o esquema ruíram.
A burguesia enveredou pela habitual política de que “é preciso que algo mude para que tudo fique como está”.
A grande questão agora é ver qual a solução para a crise. A burguesia pede a renúncia de Moraes para tentar preservar o STF. A direita e a extrema-direita pedem o impeachment do imperador ministro, ou seja, não têm política própria. Moraes logicamente tem que sair. No entanto, a única solução democrática e que atende aos interesses do povo é a extinção do STF e uma ampla e radical mudança do judiciário com a eleição de juízes e outras medidas, ou seja, uma liquidação completa da ditadura judiciária.





