Os Estados Unidos assassinaram quatro pessoas, entre elas uma criança, ao bombardear uma cerimônia de casamento em Sirik, na província de Hormozgan, no sul do Irã, nesta terça-feira (1º). Horas depois, a Guarda Revolucionária iniciou ataques contra instalações militares norte-americanas em diferentes países da região.
Segundo o Crescente Vermelho iraniano, outras pessoas ficaram feridas no bombardeio. A Guarda Revolucionária afirmou posteriormente que o ataque contra a residência onde ocorria o casamento deixou cerca de 46 feridos.
Sirik foi uma das várias localidades atingidas durante uma nova rodada de bombardeios dos Estados Unidos contra o território iraniano. Também foram registradas explosões em Bandar Abbas, Qeshm, Konarak, Jask e Minab, nas províncias de Hormozgan e Sistão-Baluchistão.
A rede elétrica de Hormozgan também foi atacada. O Ministério da Energia informou que equipes trabalhavam para restabelecer o fornecimento nas áreas atingidas.
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) declarou que os bombardeios tinham como alvo posições da Guarda Revolucionária. Washington justificou a agressão alegando que o Irã estaria tentando instalar minas no Estreito de Ormuz e mencionando as recentes operações iranianas contra bases norte-americanas na região.
Depois dos ataques, Donald Trump ameaçou aumentar ainda mais os bombardeios caso o Irã reagisse.
“Se a fracassada nação do Irã retaliar por este ataque muito justificado, será atingida novamente em um nível muito mais duro e elevado”, escreveu o presidente norte-americano. Trump afirmou ainda que uma operação maior estaria preparada e ameaçou deixar “muito pouco” da República Islâmica.
A resposta iraniana começou ainda na mesma rodada de confrontos.
Mísseis atingem base norte-americana na Jordânia
O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya anunciou que as Forças Armadas iranianas responderiam aos ataques contra Hormozgan e Sistão-Baluchistão com golpes “devastadores e esmagadores”.
“Quanto mais o exército terrorista norte-americano insistir em continuar suas ações criminosas na região, maiores serão suas perdas e mais pesadas serão as consequências”, declarou o comando.
Na sequência, a Guarda Revolucionária lançou mísseis balísticos contra o Camp Titin, instalação utilizada pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos na Jordânia, próximo ao Golfo de Aqaba.
A operação fez parte de uma nova etapa da Punição do Agressor, desencadeada em resposta aos bombardeios norte-americanos.
Segundo a Guarda Revolucionária, vários pontos da base foram destruídos, assim como helicópteros de ataque. O CGRI afirmou também que numerosos militares norte-americanos morreram. Washington não havia divulgado, até então, um balanço de baixas.
O Camp Titin fica próximo de Aqaba e da cidade ocupada de Eilat, no extremo norte do Mar Vermelho. A instalação é utilizada pelos fuzileiros navais para treinamento e movimentação de tropas.
A agência iraniana Tasnim afirmou que forças norte-americanas haviam sido deslocadas para o local sob a suposição de que o Irã não conhecia em detalhes a estrutura da base. Para a agência, o bombardeio mostrou que a inteligência iraniana acompanha a movimentação militar dos Estados Unidos na região.
Irã ataca instalações no Iraque e no Barém
A Guarda Revolucionária também anunciou uma operação com mísseis e drones contra instalações norte-americanas em Erbil, no norte do Iraque.
Segundo o CGRI, o ataque incendiou tanques de combustível e destruiu um centro de manutenção militar, depósitos de equipamentos técnicos e o sistema de orientação de um balão de vigilância dos Estados Unidos.
Explosões foram registradas na cidade durante a operação. A Guarda Revolucionária afirmou que militares norte-americanos foram mortos ou feridos, sem apresentar um número.
No Barém, o Exército iraniano anunciou ataques contra radares e locais de concentração de tropas na Base Aérea Sheikh Isa, uma das principais instalações utilizadas pelas forças norte-americanas no Golfo Pérsico.
A ação ocorreu durante a 29ª fase da Operação Saegheh.
Fontes político-militares citadas pela rede Al Mayadeen afirmaram que os ataques iranianos durante a noite atingiram diversos centros e bases militares dos Estados Unidos na região.
Guarda Revolucionária derruba MQ-9
O CGRI anunciou ainda a derrubada de um drone norte-americano MQ-9 Reaper por um sistema de defesa antiaérea iraniano.
Segundo a organização, foi o 50º aparelho desse modelo abatido pelas forças iranianas durante os confrontos.
A Guarda Revolucionária não informou imediatamente onde ocorreu a derrubada e declarou que outros detalhes seriam divulgados posteriormente.
Após os ataques, o Quartel-General Khatam al-Anbiya afirmou que as operações iranianas provocaram grandes danos a instalações, armamentos e equipamentos militares norte-americanos, além de baixas entre oficiais e soldados.
O comando também voltou a advertir os governos que permitem aos Estados Unidos utilizar seus territórios para atacar o Irã. Segundo as Forças Armadas iranianas, qualquer país que colabore com novas agressões terá de responder pelas consequências.
O aviso foi acompanhado de uma ameaça direta a Washington: se os bombardeios contra o Irã continuarem, as próximas operações serão “mais duras, mais amplas e mais destrutivas”.





