O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) atacou, na manhã desta segunda-feira (31), duas bases militares utilizadas pelos Estados Unidos na Jordânia. A ofensiva foi uma resposta direta ao bombardeio norte-americano contra a ilha iraniana de Larak, no Estreito de Ormuz, realizado na noite de domingo (30). Foi o primeiro ataque conhecido dos EUA contra o território iraniano desde o fim de julho.
Denominada “Punição do Agressor”, a operação reuniu mísseis balísticos e drones da Força Aeroespacial do CGRI contra as bases King Hussein e Al-Azraq. De acordo com o Corpo de Guardas, foram atingidas instalações de manutenção, estruturas técnicas e áreas destinadas a aviões de combate.
O CGRI afirmou que os ataques causaram “grandes danos” às estruturas militares e advertiu que qualquer nova agressão contra o Irã receberá uma resposta ainda mais dura.
“A agressão e os crimes não resolverão o desespero do inimigo em sua tentativa de enfraquecer o controle da República Islâmica sobre o Estreito de Ormuz, e cada ataque será recebido com respostas ainda mais devastadoras”, declarou a organização.
O bombardeio norte-americano contra Larak atingiu território iraniano na entrada norte do Estreito de Ormuz. O CGRI informou que militares e civis foram mortos e feridos. A agência iraniana Tasnim divulgou inicialmente a morte de duas pessoas e informou que outras duas ficaram feridas.
Hossein Mohebi, porta-voz do CGRI, classificou a decisão do governo Donald Trump de voltar a bombardear o Irã como um “erro estratégico e fatal”.
“Esta ação foi um erro estratégico e fatal do regime Trump no curso da guerra econômica, um erro que mudará o equilíbrio contra seus planejadores e acarretará custos pesados”, afirmou. “O inimigo pagará pelas consequências desse erro de cálculo tanto no terreno econômico quanto no militar”.
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) confirmou que forças norte-americanas atacaram Larak. Seu porta-voz, Tim Hawkins, alegou que dois lançadores de foguetes do CGRI foram bombardeados porque os iranianos estariam se preparando para lançar foguetes carregados com minas marítimas no Estreito de Ormuz.
Washington, portanto, atacou forças iranianas dentro do próprio território do Irã sob o pretexto de impedir operações no estreito. A região tornou-se um dos principais pontos da ofensiva norte-americana desde que Teerã passou a restringir a passagem de embarcações ligadas aos países responsáveis pela guerra contra a República Islâmica.
Dias antes, Trump havia ameaçado destruir “imediata e sistematicamente” qualquer nova mina colocada no Estreito de Ormuz. O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano Kazem Gharibabadi respondeu que somente o Irã conhece a localização precisa das minas existentes na passagem marítima.
Ataque partiu da Jordânia
A agência iraniana Fars informou que dados de navegação indicam que o ataque contra Larak partiu da Jordânia e contou com apoio de instalações militares no país. Horas depois, o CGRI atingiu justamente bases jordanianas usadas pelas forças norte-americanas.
Os iranianos concentraram os ataques sobre estruturas diretamente ligadas às operações aéreas dos EUA. Segundo o CGRI, foram atingidos locais destinados à manutenção de aeronaves, equipamentos técnicos e posições usadas para o emprego de caças.
A televisão estatal iraniana também noticiou explosões no sul da Jordânia, inclusive na região de Aqaba e nas proximidades da base aérea Muwaffaq Salti, a partir de informações divulgadas por fontes árabes.
A Press TV informou ainda que forças iranianas dispararam contra navios norte-americanos no Estreito de Ormuz. A Fars também noticiou uma explosão na base de Al-Udeid, no Catar. Até o momento, não há balanço independente dos danos nesses locais.
Ebrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, advertiu que uma nova agressão custará ainda mais caro aos Estados Unidos.
“Testem nossa vontade mais uma vez e paguem um preço mais alto. A retaliação está chegando; apenas corram!”, declarou.
Azizi afirmou ainda que nenhum crime ficaria sem resposta e prometeu uma reação “devastadora, mais dolorosa e instrutiva” caso Washington prosseguisse com os ataques.
Um mês depois, EUA retomam agressão
Os Estados Unidos e “Israel” iniciaram, em 28 de fevereiro, uma campanha de bombardeios em larga escala contra a República Islâmica. O Irã respondeu atacando diariamente bases, instalações e outros alvos militares norte-americanos e israelenses no Oriente Próximo.
Em 17 de junho, Irã e Estados Unidos assinaram o Memorando de Islamabad na tentativa de interromper os ataques. Washington, no entanto, voltou a bombardear o sul iraniano posteriormente. Teerã suspendeu os contatos com os norte-americanos e afirmou que as conversações só poderiam ser retomadas após o fim das agressões militares e das ameaças do governo Trump.
No fim de julho, os Estados Unidos interromperam a campanha de bombardeios mais ampla. A ofensiva contra Larak, portanto, marcou a retomada dos ataques diretos contra o território iraniano depois de aproximadamente um mês.
No domingo, antes do bombardeio de Larak, um porta-voz do CGRI afirmou que Irã e Omã haviam alcançado entendimentos sobre a gestão do Estreito de Ormuz e a divisão das receitas provenientes de sua utilização. Segundo a organização, os Estados Unidos estavam dificultando a conclusão do acordo.
A volta dos ataques norte-americanos repercutiu imediatamente no petróleo. Segundo a Reuters, o Brent subiu 2,52%, para US$90,32 o barril, enquanto o WTI avançou 2,41%, chegando a US$85,41.



