Tomada de Cabul

5 anos de quando o Talibã mostrou ao mundo como derrotar o imperialismo

A expulsão dos EUA do Afeganistão abriu um período de derrotas para o imperialismo, da África à Palestina, e mostrou que sua máquina militar não é invencível

Exemplo para os povos oprimidos: afegãos derrotam o imperialismo. Esta é a manchete de 17 de agosto de 2021 do Diário Causa Operária. Naquele dia, o jornal comemorava a esmagadora vitória do Talibã sobre o imperialismo norte-americano, pondo fim a mais de 20 anos de uma das ocupações mais sanguinárias de todos os tempos. Poucos dias depois, em 30 de agosto, o imperialismo era oficialmente expulso do país, com a decolagem do último C-17 Globemaster III do território afegão. Às 23h59, no horário de Cabul, a aeronave deixou o aeroporto da capital. No dia seguinte, o Talibã assumiu o controle das instalações.

Cinco anos depois, este Diário relembra não só esse feito épico, como também os desdobramentos da vitória talebã que provaram definitivamente que, diferente do que disse a esquerda pequeno-burguesa e a imprensa imperialista na época, tratou-se de uma das maiores vitórias dos povos oprimidos de toda a história.

A conquista de Cabul representou a derrota militar de uma potência que ocupava o Afeganistão havia duas décadas, contava com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e gastara somas colossais para sustentar um regime dependente da ocupação estrangeira.

Depois de anos em que o imperialismo aparecia como força capaz de invadir, bombardear e derrubar governos quase sem resistência, o Afeganistão mostrou que essa máquina podia ser vencida. Nos anos seguintes, essa debilidade reapareceria na África, na guerra contra a Rússia, na Palestina, no Irã e dentro dos próprios países imperialistas.

A guerra já estava perdida

A saída dos Estados Unidos não foi uma concessão de Donald Trump ou Joe Biden. Washington negociou porque já não conseguia impor uma vitória militar.

No auge da ocupação, em 2011, cerca de 100 mil soldados norte-americanos estavam no Afeganistão, além das tropas de outros países da OTAN, contratados privados, serviços de inteligência e aviação.

Ainda assim, o Talibã não foi eliminado. Em 2014, estimativas norte-americanas falavam em aproximadamente 20 mil combatentes talebãs. Quatro anos depois, autoridades afegãs e norte-americanas calculavam pelo menos 60 mil combatentes permanentes e cerca de 90 mil sazonais.

O regime de Cabul possuía, formalmente, uma força muito maior: aproximadamente 273 mil integrantes do Exército e da polícia, além de cerca de 20 mil milicianos locais. Mas essa superioridade existia sobretudo no papel.

Entre setembro de 2014 e janeiro de 2019, 45 mil integrantes das forças de segurança afegãs foram mortos. Em dezembro de 2018, o general Kenneth McKenzie reconheceu que o nível de baixas do governo era insustentável. Ao mesmo tempo, o Talibã ampliava sua presença, sobretudo no interior, e chegava a controlar ou disputar grande parte do território.

A implantação do movimento nas áreas rurais era decisiva. Em 2009, uma pesquisa da organização norte-americana Asia Foundation registrou apoio ao Talibã em cerca de metade da população, especialmente no campo. Os bombardeios norte-americanos também alimentavam o recrutamento entre famílias atingidas pela ocupação.

Foi nessa situação que o governo Trump negociou diretamente com o Talibã.

O acordo de Doha

Em 29 de fevereiro de 2020, representantes dos Estados Unidos e do Talibã assinaram o Acordo de Doha. O próprio governo afegão, embora dependesse militar e financeiramente de Washington, ficou de fora das negociações.

Os norte-americanos se comprometeram a retirar suas tropas e as forças da OTAN. O acordo previa inicialmente a saída completa até 1º de maio de 2021.

A luta contra o regime de Cabul, porém, continuou. Quatro dias depois da assinatura, o Talibã retomou os ataques às forças governistas. Nos 45 dias seguintes, foram mais de 4.500 operações contra o Exército e a polícia, aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos haviam reduzido os ataques contra posições talebãs em troca da suspensão das ações contra seus próprios soldados. Sem a mesma cobertura aérea estrangeira, as tropas de Cabul passaram a enfrentar diretamente uma força que vinha crescendo havia anos.

Quando Biden assumiu a Presidência dos Estados Unidos, restavam apenas 2.500 soldados norte-americanos no país. Em abril de 2021, ele anunciou a retirada. O prazo mudou, mas a guerra já estava decidida no terreno.

A ofensiva final

A campanha final começou em maio de 2021. Nas primeiras semanas, dezenas de distritos foram tomados. Em julho, o Talibã concentrou esforços nos postos de fronteira, controlando importantes vias comerciais e retirando receitas alfandegárias do governo.

No mesmo período, os Estados Unidos deixaram a Base Aérea de Bagram, principal centro militar da ocupação. A retirada ocorreu na madrugada de 1º para 2 de julho. O novo comandante afegão da base sequer foi avisado previamente e descobriu que os norte-americanos haviam partido mais de duas horas depois.

Washington, entretanto, não havia abandonado o combate. Mesmo com a retirada em curso, a aviação norte-americana continuou atacando posições talebãs e apoiando as tropas governistas. Os Estados Unidos auxiliavam inclusive a operação dos Super Tucano brasileiros utilizados pela Força Aérea afegã.

Quando o colapso se acelerou, entraram em ação também os B-52. Os gigantescos bombardeiros atacaram posições do Talibã nas regiões de Kandahar, Herat e Lashkar Gah.

Nem isso conteve o avanço.

A partir de 6 de agosto, as capitais provinciais começaram a cair. Zaranj foi a primeira. No dia seguinte, caiu Chebergã. Em 8 de agosto, Kunduz, Sar-e Pol e Taloqan passaram para o controle talebã.

Nos dias seguintes, a queda virou uma avalanche. Aybak, Pul-e Khumri, Farah e Faizabad foram tomadas. Depois vieram Ghazni, Herat, Kandahar, Lashkar Gah e outras capitais. Em 14 de agosto, Mazar-i-Sharif, quarta maior cidade do país, também caiu. Os chefes militares Abdul Rashid Dostum e Atta Muhammad Nur fugiram para o Uzbequistão.

No dia seguinte, o Talibã tomou Jalalabad. Restava Cabul.

Cabul cai sem batalha

O Talibã cercou a capital e anunciou que pretendia recebê-la mediante rendição, sem combate urbano. Ashraf Ghani fugiu do país. O presidente que durante anos havia sido apresentado como chefe legítimo de um Estado “democrático” desapareceu quando a ocupação deixou de conseguir sustentá-lo.

O Exército se desfez. Muitos soldados abandonaram uniformes e armas. Outros entregaram suas posições após negociações locais. Havia unidades sem pagamento regular, munição ou alimentação havia meses. Em inúmeras localidades, os talebãs entraram sem enfrentar resistência.

Em poucas horas, combatentes chegaram ao palácio presidencial.

A velocidade da queda mostrou o caráter artificial do regime organizado pelos Estados Unidos. Duas décadas de ocupação, bilhões de dólares, instituições, ministérios e centenas de milhares de homens nas forças de segurança não impediram que o Estado desmoronasse em questão de dias.

Os invasores ainda mantiveram o aeroporto de Cabul por duas semanas para retirar militares, diplomatas e colaboradores. As imagens da operação correram o mundo. O império que entrara no Afeganistão em 2001 prometendo destruir o Talibã terminou acuado num aeroporto.

Em 30 de agosto, o último C-17 decolou. A ocupação havia acabado.

África: a dominação francesa começa a desmoronar

Do ponto de vista político, a vitória afegã mostrou que a superioridade militar e financeira das potências imperialistas não garantia a vitória. Na África, essa mudança apareceu com particular força.

Em setembro de 2021, militares liderados por Mamady Doumbouya derrubaram Alpha Condé na Guiné. Em janeiro de 2022, outro golpe ocorreu em Burquina Fasso. Meses depois, Ibrahim Traoré chegou ao poder após novo levante militar e passou a enfrentar diretamente o domínio francês.

No Máli, a França foi obrigada a encerrar a Operação Barkhane e retirar suas tropas em 2022. Bamaco chegou a acusar Paris diante da ONU de dar apoio a grupos armados que atuavam no país.

A ruptura se aprofundou em julho de 2023, quando militares liderados por Abdourahamane Tiani derrubaram Mohamed Bazoum no Níger. A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ameaçou intervir para restaurar o antigo governo, mas grandes manifestações ocorreram em Niamei contra uma invasão.

A França retirou seus soldados. Depois, os Estados Unidos abandonaram também sua presença militar, inclusive a importante base de Agadez.

Máli, Burquina Fasso e Níger criaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES), inicialmente como pacto de defesa diante da ameaça contra o Níger. Os três países posteriormente anunciaram sua saída da CEDEAO.

A crise atingiu outras posições francesas. No Gabão, um novo golpe nacionalista colocou em xeque a dominação europeia no país. Chade rompeu seu acordo militar com Paris. O Senegal exigiu o fechamento das bases estrangeiras. Tropas francesas também deixaram a Costa do Marfim.

O domínio francês construído durante décadas na África Ocidental começou a ser desmontado país após país.

Rússia desafia a OTAN

Em fevereiro de 2022, seis meses após a tomada de Cabul, a Rússia iniciou sua operação militar na Ucrânia.

Durante décadas, a OTAN avançara em direção ao território russo, incorporando países do antigo bloco soviético e aproximando sua estrutura militar de Moscou. A guerra rompeu essa política de cerco e obrigou todo o bloco imperialista a concentrar enormes recursos contra a Rússia.

Estados Unidos, União Europeia e seus aliados aplicaram sanções em escala inédita contra uma grande economia. Bancos russos foram bloqueados, ativos congelados e empresas ocidentais deixaram o país. Esperava-se provocar um colapso rápido.

O resultado foi outro.

Moscou reorganizou suas exportações, ampliou o comércio com a China e outros países e manteve sua capacidade industrial e militar. A Europa, que dependia em grande medida da energia russa barata, passou a enfrentar custos mais altos e uma crise industrial crescente.

No terreno militar, a OTAN também não conseguiu impor a derrota planejada. Bilhões de dólares em armamentos, inteligência, treinamento e assistência financeira foram despejados na Ucrânia, mas a Rússia manteve capacidade de sustentar a guerra.

O novo quadro internacional chegou ao próprio Afeganistão. Em 2025, a Rússia retirou o Talibã de sua lista de organizações proibidas e, em 3 de julho, tornou-se o primeiro país a reconhecer formalmente o governo afegão. Desde 2022, o país já importava gás, petróleo e trigo russos.

Palestina: o 7 de Outubro

O maior golpe político contra o imperialismo após a derrota afegã ocorreu em 7 de outubro de 2023.

Naquela manhã, a resistência palestina realizou a Operação Dilúvio de al-Aqsa. Combatentes atravessaram a cerca que cercava Gaza, atacaram postos militares e desmontaram em poucas horas a imagem de invulnerabilidade construída pelo Estado sionista.

O sistema de vigilância, a inteligência e as fortificações que deveriam tornar Gaza uma prisão impossível de romper fracassaram.

A ofensiva também atingiu a política regional de “Israel”. Os Acordos de Abraão buscavam normalizar as relações entre o Estado sionista e governos árabes, isolar os palestinos e transformar a ocupação numa questão secundária. O 7 de Outubro destruiu essa perspectiva.

A resposta de “Israel” foi desencadear o genocídio de Gaza, mas a guerra se ampliou.

O Hesbolá abriu uma frente no sul do Líbano em apoio aos palestinos. No Iêmen, o Ansar Alá passou a atacar embarcações ligadas a “Israel” no Mar Vermelho e em Babelmândebe, interferindo numa das principais rotas comerciais do planeta.

Em abril de 2024, após “Israel” bombardear o consulado iraniano em Damasco, o Irã respondeu com a Operação Promessa Cumprida e atacou diretamente o território ocupado. Em outubro, uma nova operação lançou cerca de 180 mísseis balísticos contra bases e instalações militares sionistas.

Nem o assassinato de dirigentes resolveu o problema para “Israel”. Em setembro de 2024, o Estado sionista matou Hassan Nasseralá e parte importante da direção do Hesbolá. Depois, lançou uma invasão terrestre do sul do Líbano. O exército de ocupação encontrou resistência e não conseguiu destruir o partido libanes.

Em Gaza, o resultado foi semelhante. Depois de 15 meses de massacres, o Hamas continuava organizado. No cessar-fogo de janeiro de 2025, voltou a aparecer publicamente e reassumiu posições no território. Dois anos de genocídio não conseguiram liquidar a resistência nem expulsar a população palestina.

Irã: a agressão direta também fracassa

Em junho de 2025, “Israel” e Estados Unidos partiram diretamente para uma guerra contra o Irã. Os iranianos responderam com ataques contra o território ocupado e atingiram a base norte-americana de Al-Udeid, no Catar. A guerra terminou sem produzir a derrota prometida do governo iraniano.

Em 28 de fevereiro de 2026, Washington e “Israel” tentaram novamente. A ofensiva atingiu Teerã, Isfahan, Cume, Caraje e Quermanxá e assassinou Ali Khamenei. O objetivo declarado era provocar uma mudança de regime.

O Estado iraniano, porém, não entrou em colapso. A sucessão ocorreu e o país lançou ataques contra bases norte-americanas na região. O Estreito de Ormuz foi fechado, provocando uma enorme interrupção no fornecimento mundial de petróleo.

Hesbolá voltou ao combate. O Ansar Alá retomou suas operações e ameaçou interromper novamente a passagem por Babelmândebe.

A guerra terminou em junho com o Memorando de Islamabade, sem que Washington tivesse derrubado o governo iraniano.

A crise dentro dos países imperialistas

A deterioração internacional do imperialismo coincidiu com maior instabilidade social e política em seus próprios países.

Nos Estados Unidos, já em outubro de 2021, trabalhadores da John Deere, Kellogg’s, hospitais e outras empresas participaram de uma onda de greves que marcou uma retomada da atividade sindical depois de décadas de retrocesso.

Em 2024, a luta pela Palestina chegou às universidades. Acampamentos foram montados na Columbia, UCLA, Texas e em dezenas de outras instituições. As direções universitárias responderam chamando a polícia.

Na França, 2023 foi marcado por 12 jornadas nacionais contra a reforma da Previdência de Emmanuel Macron. Refinarias foram bloqueadas, transportes pararam e os lixeiros de Paris permaneceram semanas em greve. O governo recorreu a um dispositivo constitucional para impor a reforma sem votação.

Em setembro de 2025, uma greve geral na Itália em defesa da Palestina atingiu os portos de Gênova, Livorno e Trieste. Em Portugal, em junho de 2026, ocorreu outra greve geral contra o pacote trabalhista, a segunda em apenas seis meses.

A crise atingiu também os governos. Boris Johnson caiu no Reino Unido em 2022. Liz Truss ficou apenas 44 dias no cargo. Mario Draghi caiu na Itália. Coalizões governistas entraram em crise na Alemanha e na França. No Japão, o Partido Liberal Democrata perdeu a maioria. No Canadá, Justin Trudeau renunciou em janeiro de 2025.

Não existe um mundo multipolar

Seria errado, porém, concluir que o imperialismo já foi derrotado em escala mundial.

Os Estados Unidos continuam possuindo centenas de bases militares, enorme capacidade naval e uma rede de alianças mundial. As grandes potências imperialistas controlam o sistema financeiro internacional, o crédito e inúmeros monopólios fundamentais.

A sucessão de derrotas não eliminou esses instrumentos. Por isso o imperialismo reage, embora suas respostas sejam menores que as pauladas que vem recebendo.

Em dezembro de 2024, o governo de Bashar al-Assad caiu na Síria após uma ofensiva de forças apoiadas pela Turquia, Estados Unidos e “Israel”. O Estado sionista aproveitou imediatamente a situação para avançar sobre mais território sírio.

Na Bolívia, a direita venceu as eleições de novembro de 2025 e encerrou o ciclo de governos ligados ao Movimento ao Socialismo.

Na África, grupos armados voltaram a pressionar o Máli e, em 2026, chegaram a estabelecer um cerco a Bamaco.

O caso mais brutal ocorreu na América Latina. Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos bombardearam Caracas e outras posições militares venezuelanas, capturaram Nicolás Maduro e o sequestraram, levando-o a Nova Iorque. Donald Trump anunciou que Washington passaria a dirigir o país e logo depois ameaçou também a Colômbia.

Foi a maior intervenção militar direta dos Estados Unidos na América Latina desde a invasão do Panamá.

A crise do imperialismo, portanto, não significa perda de sua capacidade de agressão. O mundo não é “multipolar”. O que existe é uma luta cada vez mais intensa para quebrar uma dominação que continua assentada no poder militar e financeiro das grandes potências.

A vingança contra o Afeganistão

O próprio Afeganistão é talvez a melhor demonstração dessa situação.

Os Estados Unidos foram derrotados militarmente, mas conservaram instrumentos capazes de sufocar economicamente o país.

A ocupação havia construído uma economia profundamente dependente de recursos externos. Antes de 2021, a ajuda internacional correspondia a aproximadamente 70% da economia afegã. Quando o Talibã tomou o poder, esse fluxo foi cortado.

Os Estados Unidos congelaram aproximadamente US$7 bilhões pertencentes ao Banco Central afegão. O Fundo Monetário Internacional bloqueou empréstimos. Restrições bancárias dificultaram transferências internacionais e atingiram exportadores e empresas que não conseguiam receber normalmente pelos produtos vendidos no exterior. A ajuda ao desenvolvimento também foi suspensa.

O imperialismo destruiu a economia afegã durante 20 anos, criou um Estado dependente de dinheiro estrangeiro e, depois de ser expulso, bloqueou as reservas e cortou os recursos que sustentavam boa parte da atividade econômica. A população passou a pagar pela derrota sofrida por Washington.

Cerca de 48% dos afegãos estavam abaixo da linha da pobreza em 2024. Em 2026, aproximadamente 22 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária, entre elas 11,6 milhões de crianças. Cerca de 3,5 milhões de menores de cinco anos enfrentam desnutrição aguda e mais de um terço da população deve passar por níveis graves de fome.

O desemprego, que estava em cerca de 12% em 2021, praticamente dobrou. A economia voltou a crescer — 2,7% em 2023/24, cerca de 3% em 2025 e projeção de 4,8% para 2026 —, mas o aumento populacional impede que esse crescimento se traduza numa melhora equivalente da renda por habitante.

O país sofreu ainda dois grandes terremotos em 2025, além de seca e dificuldades na agricultura. A proibição do cultivo de ópio pelo Talibã, medida essencial para destruir a estrutura que havia sido montada pelos EUA no país, retirou outra fonte importante de renda no campo, sem que os recursos bloqueados no exterior fossem liberados para financiar uma alternativa.

Mesmo submetido a esse estrangulamento, o governo talebã não caiu.

O Estado controla fronteiras, arrecada impostos, mantém forças armadas, tribunais e ministérios e ampliou suas relações com países que não participam do bloqueio promovido pelos Estados Unidos.

A Rússia reconheceu oficialmente o governo em 2025. O comércio com a Ásia Central cresceu. O Uzbequistão voltou a discutir uma ferrovia que atravesse o Afeganistão até o Paquistão. O Turcomenistão retomou projetos ligados ao gasoduto TAPI. A China ampliou seu interesse em infraestrutura e na exploração de cobre, lítio e outros minerais. O governo afegão também utiliza rotas comerciais pelo Irã para reduzir sua dependência dos portos paquistaneses.

Cinco anos de sanções, bloqueio financeiro e isolamento diplomático não conseguiram realizar aquilo que os Estados Unidos fracassaram em fazer com duas décadas de ocupação.

Em agosto de 2021, os norte-americanos tinham B-52, aeronaves não tripuladas, satélites, serviços de inteligência, bases militares, bilhões de dólares e um Exército treinado durante décadas.

Em 30 de agosto, foi o último C-17 norte-americano que deixou Cabul.

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