Candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao Senado pelo Amapá, Hélio Palheta criticou o Congresso Nacional e afirmou que entrou na disputa para representar a população trabalhadora do Estado.
Em entrevista ao programa Bora Amapá, ele falou sobre os cerca de 40 anos em que trabalhou nos Correios, sua atuação sindical, os problemas do interior do Estado, a situação da saúde pública e a exploração de petróleo na Margem Equatorial.
“O Brasil está cansado deste Congresso, que é um inimigo do povo”, declarou ao final da entrevista.
Palheta também chamou atenção para a desigualdade entre sua campanha e as candidaturas sustentadas por grandes recursos financeiros.
“Não temos dinheiro para fazer uma grande campanha”, disse.
Quatro décadas nos Correios
A experiência como funcionário dos Correios foi apresentada por Palheta como uma das principais razões para entrar na política.
Durante sua vida profissional, participou de lutas por reajustes salariais, melhores condições de trabalho e outros direitos da categoria.
Segundo ele, o trabalhador comum dificilmente consegue levar diretamente suas reivindicações ao Congresso. Sua candidatura pretende cumprir esse papel.
“Já que esse trabalhador não pode ir ao Congresso lutar pelos seus direitos, eu posso, se eleito, realizar meu trabalho lá”, afirmou.
Entre os problemas que pretende enfrentar, citou saúde, educação, moradia e acesso à terra.
Filiado ao PCO desde março de 2021, Palheta explicou que se aproximou do Partido por sua defesa da classe operária.
“O PCO, como o nome diz, Partido da Causa Operária, luta pelo trabalhador, por aqueles que trabalham”, disse.
Ele reconheceu que não concorda com todas as posições partidárias e declarou possuir opiniões mais conservadoras em determinados assuntos. Ainda assim, apontou a defesa dos interesses da população trabalhadora como o principal ponto de identificação com o PCO.
Interior permanece abandonado
Natural da região do Pacuí, Palheta denunciou décadas de abandono das comunidades do interior.
Relatou que localidades ficaram durante muito tempo sem asfaltamento e relembrou situações em que passageiros, produtos agrícolas e mercadorias eram transportados juntos em veículos precários.
“A região do Pacuí é praticamente uma região abandonada pelo governo”, declarou.
Para ele, a situação do pequeno agricultor não será resolvida apenas com a distribuição de terras. É preciso fornecer infraestrutura, assistência técnica e recursos para que seja possível produzir.
“O que está faltando é incentivo, técnica e oportunidade para que as pessoas possam trabalhar”, afirmou.
Petróleo deve ficar a serviço da população
Palheta também se declarou favorável à exploração do petróleo na Margem Equatorial.
A atividade, segundo ele, deve ser realizada com os cuidados necessários para evitar acidentes ambientais, mas não pode ser simplesmente impedida.
“Sim, com toda a segurança que o processo requer, para que não haja um desastre ambiental”, respondeu ao ser questionado sobre o assunto.
Para o candidato, a exploração pode alterar profundamente a situação econômica do Estado, desde que os recursos produzidos sejam utilizados em benefício da população.
Ele defendeu investimentos em saúde, educação, infraestrutura e apoio às comunidades do interior.
“É uma riqueza que está lá. O Amapá será desenvolvido. E como essa riqueza será distribuída? Para a comunidade, para as pessoas que moram aqui”, declarou.
A exploração das riquezas naturais da região é uma questão decisiva para um Estado que permanece entre os mais pobres do País. Impedir seu aproveitamento significa manter o Amapá dependente e subdesenvolvido, enquanto enormes recursos permanecem intocados.
Falta de médicos atinge população
Entre saúde, educação e segurança, Palheta colocou a saúde pública como prioridade.
Ele relatou o caso de sua mãe, que precisava passar por uma cirurgia especializada e já havia tido o procedimento adiado mais de uma vez.
Segundo Palheta, faltam profissionais capazes de realizar determinados tratamentos no Estado, deixando pacientes meses à espera de atendimento.
O relato familiar foi utilizado para chamar atenção para uma situação que atinge muitas outras pessoas.
Não basta construir hospitais se não houver médicos, especialistas, equipamentos e estrutura suficiente para atender a população.
Fé e política
Palheta também falou sobre sua trajetória religiosa.
Evangélico da Assembleia de Deus, atuou durante cerca de 20 anos como dirigente de jovens. Perguntado sobre a relação entre sua fé e a atividade política, destacou o princípio cristão de tratar os demais da mesma maneira como gostaria de ser tratado.
Para ele, a formação religiosa deve estimular respeito, dignidade e responsabilidade diante das outras pessoas.
Ao final da entrevista, voltou a defender uma candidatura ligada às necessidades da população e não aos interesses dos políticos tradicionais.
“O Amapá precisa de pessoas que lutem pelas pessoas do Amapá”, afirmou.
Saúde, educação, emprego, terra e melhores condições para quem trabalha foram os pontos destacados por Palheta ao pedir o apoio dos eleitores.
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