Advogados de diferentes regiões do Pará reuniram-se em Marabá, entre os dias 19 e 22 de agosto, para organizar a atuação jurídica em defesa de trabalhadores e comunidades envolvidos em conflitos no campo.
O Encontro Estadual da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (Renap-PA) discutiu processos acompanhados pelos participantes, formas de atuação e um plano de trabalho para os próximos anos.
A atividade foi organizada com participação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Maparajuba e Coletivo Veredas.
A abertura ocorreu na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), com presença também de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos.
O Pará concentra alguns dos conflitos agrários mais violentos do País. Dados da CPT registraram 179 conflitos no campo e sete assassinatos em 2025. Considerando apenas as disputas por terra na Amazônia Legal, o estado teve 145 casos, o maior número da região.
A advogada Isabela Lima, do MAB, chamou atenção para processos que acabam abandonados ou são investigados apenas parcialmente pelas instituições.
Em casos de assassinato de trabalhadores e dirigentes do campo, muitas vezes chega-se aos executores, sem que aqueles que encomendaram o crime sejam responsabilizados.
A organização da advocacia popular procura responder a essa situação, acompanhando juridicamente trabalhadores rurais e comunidades diante de grandes proprietários, empresas e do próprio aparelho estatal.
No Pará, onde a violência do latifúndio possui uma longa história, esse trabalho está diretamente ligado à defesa de quem luta pela terra e de comunidades ameaçadas por grandes empreendimentos.




