Lula está organizando o seu primeiro ato de campanha neste domingo, 16, voltando ao histórico estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. A chamada é “Onde Tudo Começou”. Simbólico, mas não da forma que a campanha petista quer.
A Vila Euclides é um estádio de futebol onde se realizaram as históricas assembleias metalúrgicas das greves de 1978, 1979 e 1980. As paralisações foram feitas num momento em que a ditadura militar proibia a realização de greves.
Lula fez sua carreira nestas greves. Foi ali que o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos virou “o Lula”, a grande liderança da esquerda brasileira. Foi ali que começou o fim da ditadura, quando a proibição das greves foi encerrada, na marra, pelos operários.
Da Vila Euclides surgiu o movimento que criou o PT, uma união de quase toda a esquerda que sobreviveu à ditadura e que surgia a partir da crise dela. Foi dali que surgiu a CUT, uma das maiores organizações sindicais que o mundo já viu.
Em sua quarta e, provavelmente, última campanha eleitoral, Lula volta aonde tudo começou. Dessa vez, contudo, ele não volta ao palco trazendo a diretoria do seu sindicato e outros metalúrgicos, não estará discursando sobre os rumos da mobilização operária.
Lula subirá ao palco com Simone Tebet, Marina Silva, Alckmin e outros filhos do genocídio neoliberal. Apoiado por presidentes da FIESP e aceito por banqueiros. Lula surgiu da ruptura com a burguesia; ele parece querer se encerrar como o que nasceu para combater.





