O Partido dos Trabalhadores apresentou seu Programa de Governo em detrimento das eleições presidenciais de 2026. O programa é dividido em 13 partes.
Não serão abordados todos os temas individualmente, no entanto, chama a atenção que se trata de um programa bastante tímido e, em muitas partes, como na segurança pública, em nada se distancia da direita.
Na abertura, o texto diz: “Todas as vezes que estivemos à frente do Executivo Federal, governamos para todas as pessoas, sobretudo, para quem mais precisa, comprometidos com aqueles e aquelas cujos sonhos parecem mais distantes e cujas necessidades ainda não foram plenamente atendidas. Nosso compromisso histórico é construir um Brasil como potência criativa, sustentável, democrática e soberana, com menos desigualdades.”
Um partido de trabalhadores deveria governar, em tese, para os trabalhadores, sua base social. O governar “para todos” inclui a burguesia, que detém todos os privilégios. Além disso, as gestões do PT não mexeram em nada de estrutural, tanto é assim que bastaram dois anos e meio para o golpista Michel Temer destruir o pouco que se conquistou. O saldo é tão desfavorável que o maior aumento significativo do Bolsa Família foi dado por Jair Bolsonaro. E a primeira atitude da atual gestão foi reduzir o auxílio, que atendia mais de 21 milhões de famílias, para 18,7 milhões.
No ponto 1, o PT diz que vai fortalecer a democracia, a participação social e modernizar o Estado, que resumidamente seria o fortalecimento dos conselhos, conferências públicas e mecanismos de participação cidadã na formulação e fiscalização de políticas. Bem como a digitalização de serviços públicos, desburocratização e valorização dos servidores para aprimorar o atendimento à população e gerir os recursos com eficácia.
Essas propostas, no entanto, não passam de perfumaria. O PT não vai criar, por exemplo, conselhos populares com poder deliberativo. Não fez isso em quase 20 anos no poder e não vai ser agora.
O que interessa mudar no Estado é barrar as instituições que estão cada vez mais repressoras. O Judiciário faz o que bem entende com a Constituição e as polícias estão fora de controle. Para se ter uma ideia, Dilma Rousseff foi investigada pela Polícia Federal enquanto ainda estava no cargo, o que só pode ter sido por ordem da CIA.
‘Segurança Pública’
Esse ponto é especialmente problemático, fala em proteger a vida com uma segurança pública mais eficiente e integrada e na tal modernização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), integrando polícias, órgãos de inteligência e forças de segurança no combate ao crime organizado, o que só vai aumentar o poder repressor do Estado sobre a população, completamente esmagada pelas polícias.
A questão no foco no controle rigoroso de armas e munições, e de investimentos em prevenção social da violência em territórios vulneráveis, nada mais é que um controle rigoroso de armas da população pobre e vulnerável, como os indígenas, enquanto os latifundiários e seus capangas continuarão armados até os dentes, além do auxílio que recebem das polícias para oprimir nossos índios e roubar suas terras. Trata-se de um plano de segurança que até um Ronaldo Caiado assinaria embaixo.
O programa do PT fala em garantir o direito à educação para transformar vidas e o País e no fortalecimento da educação básica ao ensino superior, valorização dos profissionais da educação e expansão da educação em tempo integral. Além da ampliação de bolsas, apoio estudantil e programas de alfabetização na idade certa para reduzir o abandono e as disparidades regionais.
Tudo isso seria resolvido com a universalização do ensino em todos os níveis. Não seria preciso ampliar bolsas para transferir renda para os tubarões do ensino. O governo está disposto a pagar um piso para além do que diz o DIEESE, pois é disso que se trata? A educação necessita de escolas bem equipadas e funcionários bem pagos, caso contrário, tudo não passará de promessas de campanha.
Ao falar sobre combater as desigualdades, não em extirpar essa doença social. O texto diz que “o combate às desigualdades requer justiça tributária, fortalecimento do Estado de bem-estar social, valorização do salário-mínimo, inclusão produtiva, educação, saúde, programas eficientes de transferência de renda”.
O salário-mínimo anda completamente aviltado e corroído pela inflação e pelo endividamento das famílias. Segundo o DIEESE, com base nos dados mais recentes de julho de 2026, o valor ideal calculado pelo órgão para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.687,01, o que equivale a 4,74 vezes o piso nacional em vigor. O PT, em vez de propor um salário de verdade, fala em “fortalecer”, ou seja, pode ser qualquer tipo de aumento. O texto também comemora a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, porém durante o governo FHC essa faixa correspondia a 8 salários-mínimos.
O texto fala em justiça social e diversidade, ou seja, o enfoque em políticas afirmativas e transversais voltadas para a igualdade racial, de gênero e para a proteção de grupos vulneráveis e minorias.
Não se pode falar em combater as desigualdades sociais sem um salário-mínimo vital, pois é a pobreza que gera a violência. Para acabar com o feminicídio, não basta aumentar a pena de prisão para 40 anos, o que é uma aberração, seria necessário acabar com a miséria.
Além disso, seria preciso haver a reestatização de todas as empresas construídas com muito custo pelo esforço público que foram dadas de graça para o grande capital. É preciso reestatizar a Petrobrás, a Telebrás, a Eletrobrás, a Vale do Rio Doce, trazer de volta o controle do Banco Central, estradas, portos, aeroportos etc. O programa fala tanto em soberania, mas como ser soberano quando setores-chave da economia estão nas mãos do grande capital?
É impossível fomentar o desenvolvimento quando se é refém de forças econômicas estrangeiras que apenas saqueiam as nossas riquezas.
O programa de governo apresentado pelo PT, em suma, é um projeto burguês, que vai tentar gerir o Estado. Existe, no entanto, um problema central: a dívida pública.
Para poder realizar minimamente esse programa, precisaria parar de pagar a dívida pública. Os bancos ficam com mais da metade do orçamento da União e, para piorar, os juros abusivos impostos pelo Banco Central sob controle dos banqueiros escravizam o Estado e as famílias brasileiras.
O PT não vai enfrentar os bancos, não tem força para isso, uma vez que está se unindo a setores dos mais reacionários, além de apoiar candidatos inimigos da população em diversos estados.
Esse programa serve muito mais para a burguesia se convencer de que o PT é confiável, ultramoderado, e que tem condições de mais um mandato.





