A operação da Polícia Federal contra Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República, foi denunciada pelo dirigente como uma tentativa de prejudicar o Partido nas eleições. A ação ocorreu nessa terça-feira (11), logo após as convenções eleitorais, três dias depois do lançamento nacional das candidaturas do PCO e a poucos dias do início oficial da campanha.
Para Pimenta, a escolha da data não pode ser separada do calendário eleitoral. O PCO acaba de entrar formalmente na disputa com candidatos à Presidência, governos estaduais, Senado e parlamentos em todo o País. No sábado (8), o Partido realizou, em São Paulo, seu ato nacional de lançamento das candidaturas, encabeçado pela chapa formada por Rui Costa Pimenta e Antônio Carlos Silva.
Três dias depois, agentes da Polícia Federal foram à residência de Pimenta, em São Paulo, para cumprir mandado de busca e apreensão. Outro endereço utilizado para atividades relacionadas ao Partido também foi alvo da ação.
“Mas a intenção é nos prejudicar, inclusive eleitoralmente, é visível isso. Por que alguém vai fazer uma operação dessa no meio da eleição? Cabe a pergunta”, afirmou durante o programa Análise Política de 3ª, transmitido pela Rádio Causa Operária.
Pimenta destacou que a investigação envolve fatos de anos anteriores. Segundo ele, as diligências poderiam ter sido realizadas em outro momento, mas a PF resolveu agir justamente quando o PCO inicia sua campanha nacional.
O dirigente também chamou a atenção para a maneira como a operação foi apresentada publicamente. A PF deu à ação o nome de “Causa Própria”, associando diretamente o Partido a uma acusação criminal antes de qualquer julgamento. Informações sobre o caso também chegaram rapidamente à imprensa, particularmente ao portal Metrópoles.
“Também é um nome que foi colocado na operação para fazer propaganda negativa contra o partido, não há dúvida nenhuma. Aparece na imprensa: ‘Operação Causa Própria’, quer dizer, o pessoal é criminoso. Então, vazaram para a imprensa, vazaram para o Metrópoles para criar um show”, denunciou.
Três dias após o lançamento
A proximidade entre os dois acontecimentos também foi destacada por Antônio Carlos Silva, vice-presidente do PCO e candidato a vice-presidente da República.
“Fazem apenas três dias que nós viemos do ato nacional de lançamento das candidaturas, com uma ampla repercussão, com entusiasmo em todo um setor da militância de esquerda que vê no PCO uma alternativa a essa situação, e aí, como uma coincidência, se a gente acreditar assim, coincidência, a Polícia Federal faz essa operação”, afirmou.
Silva lembrou ainda que parte dos fatos investigados remonta a eleições anteriores. Apesar disso, a busca e apreensão foi realizada em agosto de 2026, quando as candidaturas acabavam de ser lançadas.
“Alguns casos aí são casos de vários anos atrás, quer dizer, deixaram para fazer isso aqui três dias do começo da campanha eleitoral”, declarou no mesmo programa.
O PCO lançou Rui Costa Pimenta à Presidência e apresentou candidaturas aos governos estaduais em 19 estados do País. Segundo levantamento do DataDCO, é o partido nacional que lançou o maior número de candidatos a governador nas eleições deste ano.
Pimenta afirmou que a ofensiva procura atingir não apenas sua candidatura, mas o conjunto das chapas do Partido.
“Nós destacamos que a nossa candidatura, chamada extrema esquerda, é de longe a candidatura mais conhecida. Então, não há dúvida de que é um ataque contra a candidatura presidencial do partido, contra todas as candidaturas do partido, sem dúvida nenhuma.”
Imprensa ignorava o PCO e correu para noticiar a PF
Antônio Carlos também chamou a atenção para a reação imediata dos grandes meios de comunicação golpistas. Segundo ele, dirigentes responsáveis pela imprensa do PCO passaram a receber, desde as primeiras horas do dia, um número incomum de telefonemas de jornalistas.
O contraste, segundo o dirigente, é evidente. Veículos que não procuraram o Partido para apresentar suas candidaturas, não convidaram seus representantes para debates e praticamente ignoraram sua campanha demonstraram interesse imediato assim que surgiu uma ação policial contra Pimenta.
“Desde hoje cedo eu e os companheiros que cuidam da imprensa do partido recebemos o maior número de ligações, de telefonemas da imprensa nacional, mostrando claramente o caráter montado de campanha que o companheiro Rui destacou dessa operação. Aquele setor que não divulgou o fato, por exemplo, de que o nome do companheiro Rui foi omitido das pesquisas, os canais que não convidaram a gente para um único debate, para nenhuma atividade, agora querem noticiar.”
Para Pimenta, a combinação entre operação policial e cobertura maciça da imprensa serve para criar uma campanha negativa antes mesmo de qualquer julgamento.
Ele comparou o episódio ao julgamento do mensalão, realizado durante as eleições municipais de 2012. Na ocasião, a GloboNews transmitiu o julgamento diariamente, enquanto a Rede Globo reproduzia os principais trechos nos telejornais.
“Quando fizeram o julgamento do mensalão no meio da eleição municipal, era visível que era para fazer propaganda política contra o PT. E a mesma coisa fizeram com Bolsonaro também. Então, não há dúvida. É uma campanha política. É uma campanha para prejudicar o partido eleitoralmente”, afirmou.
Pimenta lembrou que, no caso do mensalão, o julgamento atravessou praticamente todo o período eleitoral. “Parecia que o pessoal estava cobrindo a Copa do Mundo”, ironizou.
Pesquisa apontou potencial de voto de 14%
Antônio Carlos também citou uma pesquisa divulgada recentemente pelo Poder360 na qual os entrevistados eram perguntados em quais candidatos poderiam considerar votar quando todos os nomes eram apresentados. Nesse levantamento, Rui Costa Pimenta apareceu com potencial de voto de 14%.
Para o dirigente, o dado ajuda a explicar a ofensiva contra o Partido justamente no início da campanha.
Questionado sobre uma possível relação entre esse desempenho e a ação da PF, Pimenta respondeu: “Eu acho que tem a ver, sim. Uma campanha para diminuir a votação. […] Inclusive, por que fazer todo esse carnaval no meio da eleição?”
Em seguida, resumiu sua avaliação: “É uma perseguição também eleitoral. É uma tentativa de prejudicar eleitoralmente o partido.”
Pimenta afirmou ainda que o episódio se soma a outros conflitos recentes do PCO com a Justiça Eleitoral. Segundo ele, algumas candidaturas do Partido estão ameaçadas por decisões dos tribunais eleitorais.
“Em todas as eleições nós temos problemas. Nessa eleição aqui, nós tivemos problemas com os tribunais eleitorais, candidaturas do partido que estão ameaçadas aí por uma conduta totalmente anômala dos tribunais.”
Para o presidente do PCO, a operação se insere em uma série de interferências do Judiciário nas eleições brasileiras ao longo dos últimos anos.
“Esses são 12 anos de interferência do Judiciário nas eleições. E agora o PCO aparentemente é a bola da vez.”





