A Polícia Federal vasculhou, na manhã dessa terça-feira (11), a residência de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência da República. Diante de uma investigação que tenta associar o Partido a desvio de recursos e lavagem de dinheiro, os agentes procuraram sinais de enriquecimento: dinheiro guardado, joias, ouro, carros de luxo ou qualquer patrimônio incompatível com a renda do dirigente.
Não encontraram nada parecido. Pimenta mora de aluguel no Jabaquara, bairro de classe média baixa e operária da zona sul de São Paulo, não possui patrimônio e é provavelmente o candidato presidencial mais pobre desta eleição.
Depois de revirar a residência, a PF levou o celular, discos rígidos e o passaporte do dirigente. Segundo Pimenta, se o objetivo era obter seu telefone, bastaria pedir o aparelho, sem necessidade de arrombar o portão de sua casa às 6 horas da manhã.
Vida de pobre
A diferença entre aquilo que os agentes esperavam encontrar e a situação da família foi percebida pelos próprios policiais. Pimenta relatou que o delegado responsável pela operação comentou que, em buscas desse tipo, é comum verificar se o investigado vive em uma mansão ou mantém um padrão de vida incompatível com seus rendimentos.
Na residência do presidente do PCO, o delegado teria chegado à conclusão oposta: a família vivia praticamente dentro do padrão de um operário. A casa é alugada e fica no Jabaquara, a cerca de dez minutos de caminhada da favela da Alba, numa região ocupada principalmente por trabalhadores e setores de classe média baixa.
A constatação é particularmente embaraçosa diante de uma investigação sobre suposto desvio e lavagem de dinheiro. Uma das primeiras coisas que a polícia procura nesses casos é o destino do dinheiro e sua possível transformação em patrimônio pessoal. Na casa de Pimenta, nada indicava enriquecimento.
Os agentes chegaram a ficar constrangidos ao perceber a situação. Acostumados a operações que revelam mansões, grandes propriedades, automóveis caros e outros bens de políticos investigados, encontraram a residência simples de um dirigente que, depois de décadas de atividade política, não acumulou patrimônio.
Ford Fiesta e carro antigo
Os policiais também procuraram os veículos da família. Um dos agentes pediu as chaves dos carros e descobriu que a mulher de Pimenta possui um Ford Fiesta, enquanto ele dirige um automóvel com mais de dez anos de uso.
Nada de carros importados ou esportivos. Também não apareceram malas de dinheiro, barras de ouro, joias ou outros bens que pudessem sustentar a suspeita de que recursos do Partido teriam sido desviados para enriquecer seu presidente.
O contraste é ainda maior porque esse tipo de patrimônio é recorrente em operações envolvendo políticos dos partidos burgueses. No caso do presidente do PCO, o padrão de vida encontrado pelos policiais era, segundo o relato do próprio delegado, praticamente o de um operário.
A maior riqueza era a biblioteca
O que havia em quantidade na residência eram livros. Pimenta possui uma extensa biblioteca formada ao longo de décadas de estudo, militância política e atividade de formação marxista. Segundo ele, os agentes chegaram a comentar o acervo e foram cuidadosos ao examiná-lo.
Em vez de relógios de luxo, bolsas de grife ou joias, portanto, a PF encontrou estantes de livros. Os discos rígidos apreendidos também continham material comum: um deles guardava principalmente músicas, outro filmes e o terceiro livros.
Durante a busca, os policiais ainda quebraram o vidro de um quadro de Trótski colocado na sala. A operação que partiu de suspeitas de desvio e lavagem de dinheiro terminou, assim, levando arquivos de música, filmes e livros, além do celular e do passaporte do dirigente.
Nem a suposta arma apareceu
Os agentes chegaram à residência com a informação de que Pimenta teria uma arma. O dirigente afirmou que informou aos policiais que não possuía arma alguma e que estava desarmado, ainda com roupa de dormir quando a PF entrou em sua casa. A busca confirmou sua versão.
O passaporte também foi confiscado, uma medida ironizada por Pimenta diante da possibilidade de que os investigadores considerassem que ele pudesse fugir do País.
O saldo da operação ficou muito distante das conhecidas apreensões realizadas nas casas de políticos acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Não havia dinheiro vivo, joias, relógios caros, carros importados ou imóveis luxuosos. Havia uma casa alugada, dois carros comuns e uma grande biblioteca.
Depois de décadas como dirigente político e de várias candidaturas à Presidência da República, Pimenta continua levando uma vida modesta. Isso corresponde ao caráter de um dirigente revolucionário de um partido dos trabalhadores, dos explorados e dos oprimidos, e não ao de um político profissional que utiliza sua atividade para acumular patrimônio.
A própria busca da Polícia Federal acabou expondo esse contraste. Os agentes chegaram à casa do presidente do PCO à procura dos sinais materiais de um suposto esquema de desvio de dinheiro e encontraram um homem que mora de aluguel em um bairro operário e leva, conforme teria reconhecido o próprio delegado da operação, uma vida praticamente dentro do padrão de um trabalhador.




