Luan Monteiro, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Rio de Janeiro, participou de entrevista ao Jornal do Rio, da Band, transmitida na noite dessa terça-feira (11), na qual falou sobre segurança pública, transporte, economia, turismo, saúde e educação. Entre as propostas apresentadas estão o fim da Polícia Militar, a estatização dos transportes e o passe livre, a reindustrialização do Estado e a retirada da iniciativa privada dos serviços públicos essenciais.
Antes de responder à primeira pergunta, sobre segurança pública, Monteiro aproveitou o espaço para denunciar a operação realizada pela Polícia Federal contra Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e candidato do Partido à Presidência da República.
Monteiro classificou a operação como uma perseguição política e uma tentativa de prejudicar as candidaturas do PCO. Segundo ele, a investigação procura apresentar como suspeitos gastos eleitorais comuns do Partido, entre eles despesas com a produção de materiais de propaganda.
“A operação tinha como objetivo investigar e procurar resquícios do que a gente faz com o nosso fundo eleitoral, esse tipo de coisa, e as matérias, da forma mais absurda, procuravam colocar que a gente utilizava coisa de 1 milhão de reais para poder fazer material de propaganda eleitoral. 1 milhão de reais para poder fazer panfleto, uma coisa que qualquer candidato gasta isso aí em poucos dias de eleição, e a gente gastou em três eleições, com mais de 400 candidatos”, afirmou.
O candidato chamou os setores democráticos a denunciarem a operação e afirmou que o episódio faz parte dos ataques contra organizações que se colocam contra o regime político.
“Esse aqui claramente se trata de uma perseguição política. É uma coisa que fazem com a gente, fazem com todos aqueles que não estão de acordo com o regime imperialista e com as determinações que a burguesia faz. É um ataque ao nosso partido, como fizeram em outras eleições, e isso é uma tentativa de sabotar nossas candidaturas”, declarou.
Fim da Polícia Militar
Ao tratar da segurança pública, Monteiro apresentou como uma das principais medidas do programa do PCO o fim da Polícia Militar. Para ele, as corporações policiais não garantem a segurança da população e funcionam como órgãos de repressão contra os trabalhadores.
“Para o nosso partido, a nossa principal proposta de segurança pública é o fim da polícia militar. Isso aqui é de primeira importância para discutir uma candidatura ao governo do Estado do Rio”, afirmou.
No lugar da atual estrutura policial, Monteiro propôs a criação de conselhos locais e de bairro, com a segurança organizada pelos próprios trabalhadores.
“A gente se propõe a criar conselhos de bairro, conselhos locais, com uma segurança formada pelos próprios trabalhadores, pelas próprias organizações do povo”, explicou.
Ele também rejeitou a ideia de que aumentar o policiamento nas ruas resolveria o problema da violência e defendeu a legalização de todas as drogas. Na sua avaliação, a chamada guerra ao tráfico serve de justificativa para operações policiais que atingem principalmente a população pobre das favelas.
Monteiro citou como exemplo uma operação no Complexo do Alemão que, segundo ele, resultou na morte de mais de uma centena de pessoas. “A atual política de segurança pública é uma política de ataque à população”, resumiu.
Estatização e passe livre
No transporte, Monteiro defendeu o fim das concessões à iniciativa privada e a criação de um sistema integralmente estatal. Para ele, as empresas privadas transformaram metrôs, trens e ônibus em fonte de lucro enquanto a população paga tarifas elevadas por serviços ruins.
“Nós consideramos de primeiríssima importância acabar com todo o sistema que existe de concessão à iniciativa privada, onde existe uma série de empresas que lucram com metrô, com trem, com os ônibus, são verdadeiras máfias montadas”, afirmou.
Além da estatização, propôs a implantação do passe livre. Monteiro mencionou o município de Maricá, onde existe transporte municipal gratuito, como demonstração de que há recursos para financiar a medida.
“O dinheiro está no estado; ele só precisa ser aplicado para a população e não ficar na mão desses sanguessugas aí do capital financeiro, dessas empresas que ficam lucrando à custa do nosso trabalho. A gente já paga impostos demais, e ainda paga mais ainda para poder ter um serviço ruim”, declarou.
Também criticou as promessas eleitorais de construção de linhas de metrô, BRTs e outras obras isoladas. Para Monteiro, a questão fundamental é quem decide como os recursos públicos serão utilizados.
“Num eventual governo do PCO, são os trabalhadores que devem tomar as decisões de verdade. Não sou eu, não é um cara, uma figura exclusivamente, que vai tomar as decisões do país”, afirmou.
Reindustrializar o Rio
Questionado sobre turismo e economia, Monteiro reconheceu a importância do setor turístico para o Rio de Janeiro, mas afirmou que ele não deve ser a base da economia estadual. Para ele, o principal problema é a desindustrialização ocorrida nas últimas décadas.
“O essencial é retomar um trabalho de desenvolvimento nacional e de mais industrialização. O Rio passou por um processo de desindustrialização absurdo nos últimos 20 anos”, afirmou.
Embora o turismo movimente uma parcela importante da economia fluminense, Monteiro ressaltou que o setor não gera empregos em quantidade suficiente. Como alternativa, defendeu a recuperação de atividades produtivas que tiveram peso histórico no Estado, com destaque para a indústria naval.
Também destacou a exploração do petróleo como parte de uma política de desenvolvimento e geração de empregos.
“A gente é um estado muito rico em petróleo, então a gente tem que explorar isso o máximo possível e trazer isso como benefício para a população através de empregos”, disse.
Saúde e educação públicas
Nos minutos finais da entrevista, Monteiro respondeu conjuntamente sobre saúde e educação. Para ele, o ponto fundamental é retirar esses setores das mãos da iniciativa privada.
Na saúde, defendeu o fim do sistema de Organizações Sociais (OSs) e a estatização integral dos serviços.
“São vários vampiros aí que estão controlando todo o nosso negócio. Tirar o sistema de saúde das OSs e estatizar 100%. Educação e saúde é direito do povo, não pode ser cobrado. Essa é a parte mais elementar”, declarou.
Monteiro afirmou ainda que essas medidas dependem da mobilização dos trabalhadores contra os interesses privados que controlam parte dos serviços públicos.



