Neymar denunciou os ataques da imprensa brasileira contra os jogadores de futebol e alertou que a perseguição pode adoecer os atletas. A declaração foi dada ao jornalista Thiago Asmar após o 6º leilão do Instituto Projeto Neymar Jr., realizado na segunda-feira (3), em Praia Grande, no litoral paulista.
Durante a conversa, Asmar perguntou se aqueles que costumam atacar Neymar também prestavam atenção no trabalho desenvolvido pelo instituto. O craque respondeu:
“Vê, mas ninguém fala, né? Eles fingem que não vê isso aqui.”
Neymar afirmou que o trabalho realizado no instituto está acima daquilo que seus críticos dizem a seu respeito:
“Pra mim o que importa é estar fazendo o que eu gosto de fazer, que é de coração. Tudo que eu faço é de coração, não importa se é dentro ou fora do campo, então eu sempre falo que o instituto é o maior gol que eu fiz na minha carreira.”
“Vai adoecer todos os jogadores”
As declarações mais importantes vieram quando Asmar pediu que Neymar mandasse um recado a quem o persegue ou faz críticas contra ele. O jogador respondeu:
“Eu só acho que boa parte da imprensa vai adoecer todos os jogadores de futebol. Eu digo aqui no Brasil. Acho que a profissão mais conhecida aqui no Brasil que é a mais atacada. Acho que tem que tomar um pouco mais de cuidado com as palavras, com as notícias que soltam porque a maioria delas não tem verdade. E isso acaba machucando as pessoas que estão ao seu redor, os torcedores, o seu próprio trabalho.”
Neymar prosseguiu:
“Peço para precaver antes de postar essas coisas, falar besteiras que não são reais. Isso vai acabar adoecendo muitos jogadores. O psicológico do jogador é forte, o meu acho que é bem forte por sinal, mas nem todos são assim. Uns sofrem mais, outros sofrem menos. Então só peço que se responsabilizem mais pelas suas palavras. É muito fácil ter o microfone na mão, falar o que quer, e no dia seguinte se não for verdade, para você tá tudo bem.”
A declaração é extremamente sábia, correta e corajosa. Neymar não falou apenas em defesa própria. Chamou a atenção para um problema que atinge todos os jogadores brasileiros, principalmente os mais jovens e aqueles que não possuem a experiência necessária para suportar anos de ataques públicos.
O próprio Neymar conhece muito bem esse problema. Desde que apareceu no Santos, tornou-se alvo de uma perseguição brutal. Foi chamado de “marrento”, “cai-cai”, irresponsável e indisciplinado. Sua vida particular passou a render manchetes constantes. Festas, relacionamentos e praticamente qualquer coisa que fizesse fora de campo passaram a ser utilizados para atacar sua carreira como jogador.
Isso ocorreu justamente com o principal craque produzido pelo futebol brasileiro nas últimas duas décadas. Quando não era possível negar aquilo que Neymar fazia com a bola nos pés, atacava-se seu comportamento, sua personalidade ou sua vida particular. O objetivo era sempre desgastar o jogador diante da torcida.
Um câncer do futebol brasileiro
A imprensa esportiva burguesa tornou-se um câncer do futebol brasileiro. Em vez de defender um dos maiores patrimônios populares do País, atua permanentemente para desmoralizá-lo.
Casagrande é um dos exemplos mais conhecidos. Durante anos, o ex-jogador teve espaço privilegiado na Rede Globo para atacar Neymar e outros jogadores da Seleção e agora faz o mesmo no UOL/Folha. Há toda uma camada de comentaristas profissionais pagos para dizer ao brasileiro que seus jogadores são ruins, que a Seleção está acabada e que o futebol europeu seria necessariamente superior.
Neymar acertou também ao destacar o efeito desse bombardeio sobre os atletas. Para o comentarista, uma acusação lançada diante das câmeras termina quando acaba o programa. Para quem está sendo atacado, porém, ela chega à família, aos amigos, aos companheiros de clube e a milhões de torcedores.
E não é por acaso que a pressão aumenta justamente quando a Seleção Brasileira disputa uma Copa do Mundo.
Há décadas, a imprensa procura criar um ambiente de desmoralização em torno do Brasil antes e durante os Mundiais. A cada derrota, anuncia que o futebol brasileiro morreu. A cada dificuldade, proclama a superioridade dos europeus. Aos craques nacionais, dedica uma fiscalização permanente e uma cobrança que não aplica com a mesma ferocidade aos estrangeiros.
Essa pressão tem consequências dentro de campo. Futebol não é praticado por máquinas. O estado emocional de um jogador interfere diretamente em seu rendimento, principalmente em uma competição curta e submetida a uma enorme tensão como a Copa do Mundo. Atacar diariamente os principais nomes da Seleção significa também contribuir para enfraquecer o time brasileiro.
Foi o que fizeram com Neymar durante praticamente toda a sua passagem pela Seleção. E é o que procuram fazer agora com os jogadores que vêm depois dele.
Ao denunciar que “é muito fácil ter o microfone na mão, falar o que quer” e simplesmente seguir em frente quando aquilo se revela falso, Neymar apontou um dos grandes problemas do futebol nacional: uma imprensa que vive do futebol brasileiro, mas trabalha incessantemente para destruir seus jogadores, servindo aos interesses imperialistas.





