Ontem (6), completaram-se 81 anos do bombardeio atômico de Hiroxima, um dos maiores crimes já cometidos pelo imperialismo. Em 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram sobre a cidade japonesa a bomba Little Boy. Três dias depois, em 9 de agosto, uma segunda bomba, Fat Man, destruiu Nagasaqui.
As explosões mataram dezenas de milhares de pessoas instantaneamente. Outras morreram nas horas, nos meses e nos anos seguintes em decorrência de queimaduras, ferimentos e da exposição à radiação. Considerando as vítimas imediatas e as mortes posteriores relacionadas aos ataques, o número de japoneses mortos chegou a cerca de 300 mil, segundo cálculos convencionais.
Eram, em sua esmagadora maioria, civis.
A destruição não se limitou aos dias dos bombardeios. Milhares de sobreviventes desenvolveram leucemia, câncer e outras doenças. Crianças que haviam sido expostas à radiação ainda no útero sofreram problemas graves de desenvolvimento. Por décadas, a população das regiões atingidas conviveu com as consequências das bombas lançadas pelos Estados Unidos.
Duas cidades arrasadas
Hiroxima foi praticamente varrida do mapa. Dezenas de milhares de edifícios foram destruídos ou danificados. Casas, hospitais, escolas, estabelecimentos comerciais, repartições públicas, templos e monumentos desapareceram.
O Castelo de Hiroxima, construído no século XVI, foi destruído. Templos budistas e xintoístas e outros elementos do patrimônio histórico japonês foram reduzidos a escombros. Um dos poucos edifícios próximos ao centro da explosão que permaneceram parcialmente de pé tornou-se posteriormente a Cúpula da Bomba Atômica.
Nagasaqui sofreu destino semelhante. Bairros inteiros foram destruídos, assim como fábricas, residências, escolas e igrejas. A Catedral de Urakami, uma das maiores igrejas católicas da Ásia na época, foi praticamente arrasada.
Os Estados Unidos não destruíram apenas instalações militares. Destruíram cidades, assassinaram sua população e apagaram parte do patrimônio histórico e cultural japonês.
Um massacre desnecessário
A justificativa oficial norte-americana sempre foi a de que os bombardeios teriam sido necessários para forçar a rendição do Japão e evitar uma invasão terrestre do país.
É uma justificativa fraudulenta.
Em agosto de 1945, o Japão estava militarmente derrotado. Sua Marinha havia sido praticamente liquidada, a indústria estava devastada, as principais cidades vinham sendo submetidas a bombardeios sucessivos e o bloqueio naval agravava a escassez de alimentos e matérias-primas.
O governo japonês já procurava uma maneira de sair da guerra, embora houvesse uma disputa sobre as condições da rendição.
Em 8 de agosto, entre os bombardeios de Hiroxima e Nagasaqui, a União Soviética declarou guerra ao Japão e lançou uma grande ofensiva contra as forças japonesas na Manchúria. A entrada soviética eliminou também a expectativa de Tóquio de utilizar Moscou como intermediária em uma negociação.
Todos sabiam que a capitulação japonesa era apenas uma questão de tempo.
Os Estados Unidos não precisavam lançar bombas atômicas contra duas cidades para vencer a guerra. Fizeram isso porque queriam demonstrar do que eram capazes.
A bomba era uma arma nova, desenvolvida a um custo gigantesco. Sua utilização contra uma população servia não apenas como teste em condições reais, mas como demonstração de força diante de todo o mundo e, especialmente, da União Soviética.
Washington poderia ter realizado uma explosão demonstrativa em uma área desabitada. Poderia ter esperado o avanço das negociações de rendição. Preferiu destruir Hiroxima e Nagasaqui.
Foi um crime contra a humanidade.
Os campeões da “democracia”
O massacre também desmascara uma das principais fraudes ideológicas do imperialismo.
O desenvolvimento da bomba ocorreu durante o governo de Franklin Roosevelt. Sua utilização foi ordenada pelo governo de Harry Truman. Ambos eram políticos do Partido Democrata, apresentados como representantes da democracia, da civilização e da luta contra a barbárie nazista.
A mesma potência que dizia combater a barbárie exterminou centenas de milhares de civis japoneses.
Esse expediente continua sendo utilizado. As guerras do imperialismo são sempre apresentadas como defesa da “democracia”, dos “direitos humanos”, da “ordem internacional” ou de qualquer outro princípio conveniente. Por trás da propaganda estão bombardeios, bloqueios, ocupações, golpes e massacres.
O genocídio do povo palestino é a demonstração atual dessa política. Os Estados Unidos armam, financiam e protegem “Israel” enquanto o Estado sionista destrói Gaza e assassina sua população.
Mudam os pretextos. O método permanece.
Quem usou a bomba?
Os Estados Unidos são, até hoje, o único país que utilizou armas nucleares em uma guerra.
Apesar disso, arrogam-se o direito de decidir quais países podem possuir esse armamento.
Washington mantém milhares de ogivas nucleares e espalha parte delas por bases localizadas em outros países. França e Reino Unido também dispõem de arsenais próprios. China, Rússia, Índia, Paquistão e Coreia do Norte possuem armas nucleares.
“Israel” mantém há décadas um arsenal clandestino, estimado em dezenas de ogivas. Não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e seu programa permanece fora da fiscalização normal da Agência Internacional de Energia Atômica.
Nada disso provoca a campanha histérica que o imperialismo promove contra o Irã.
O país persa, principal Estado que efetivamente enfrenta o massacre sionista em Gaza, é permanentemente ameaçado pelos Estados Unidos e por “Israel” sob a alegação de que poderia desenvolver uma bomba atômica.
Os acusadores são justamente os genocidas.
De um lado, o único Estado do mundo que já lançou armas nucleares contra uma população. Do outro, um Estado que possui armas atômicas clandestinas e está realizando um genocídio televisionado contra os palestinos.
O problema para o imperialismo nunca foi a existência da bomba. É impedir que os povos e países que pretende submeter tenham os meios necessários para se defender.
Se os Estados Unidos podem possuir milhares de ogivas, não há razão para que possam proibir outro país de desenvolver as suas. Se “Israel” pode manter um arsenal nuclear sem qualquer controle efetivo, é ainda mais absurda a pretensão de impedir o Irã de possuir armamento capaz de defendê-lo de uma agressão imperialista.
O Irã tem o direito de possuir armas nucleares.
Hiroxima e Nagasaqui mostram por quê. O país que pretende decidir quem seria “responsável” o suficiente para ter a bomba é exatamente aquele que, quando teve a oportunidade, lançou duas delas sobre cidades cheias de civis, exterminando centenas de milhares de inocentes.



