COVID-19

A grande lição da pandemia: nunca confiar nas autoridades

Aqueles apresentados como sendo “A ciência” enganaram o povo, acusaram céticos de “negacionismo” e reprimiram direitos democráticos; agora a verdade vem à tona

Ashish Jha, responsável pela política de combate à COVID-19 da Casa Branca durante parte do governo Joe Biden, afirmou no domingo (2) que um acidente de laboratório em Wuhan, na China, é a explicação mais provável para o surgimento do coronavírus.

Em entrevista à CNN, Jha contou que inicialmente considerava quase certa a origem natural do vírus. Mudou de avaliação depois de ingressar no governo e examinar as informações disponíveis. Embora tenha ressaltado que não possui uma resposta definitiva, declarou considerar mais provável um vazamento acidental, sem produção ou liberação deliberada do vírus.

Jha não pode ser apresentado como um adversário da política sanitária norte-americana. Ele assessorou governadores e prefeitos desde 2020, manteve contato com a Casa Branca durante o primeiro governo de Donald Trump e, em março de 2022, foi escolhido por Biden para coordenar a resposta federal à pandemia. Permaneceu no cargo até junho de 2023.

Sua declaração ganha importância diante da divulgação dos diários, mensagens e anotações de Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos. O material revela que a possibilidade de um acidente em Wuhan era discutida pelas principais autoridades sanitárias desde o início de 2020, embora tenha sido tratada publicamente como uma teoria conspiratória.

Em 26 de janeiro daquele ano, Fauci registrou que o mercado de Huanan não teria sido o ponto inicial do surto, mas apenas um local de disseminação. Cinco dias depois, participou de uma teleconferência organizada pelo cientista Jeremy Farrar. Os pesquisadores presentes discutiram características do vírus e consideraram seriamente a hipótese de uma alteração laboratorial seguida de liberação acidental.

Não havia consenso. Esse é justamente o ponto: existia uma controvérsia científica, conhecida desde o começo pelos homens que comandavam a política sanitária dos Estados Unidos. Entretanto, a dúvida admitida nos bastidores foi substituída, diante da população, pela afirmação categórica de que o vírus possuía origem natural.

Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos no primeiro mandato de Trump, afirmou que perguntou repetidamente a Fauci sobre a possibilidade de um vazamento. Segundo ele, Fauci descartava a hipótese até mesmo diante de outros virologistas que manifestavam opinião diferente.

O interesse de Fauci no assunto não era apenas acadêmico. Os Institutos Nacionais de Saúde norte-americanos financiaram pesquisas com coronavírus realizadas no Instituto de Virologia de Wuhan. O dinheiro foi repassado por meio da EcoHealth Alliance, organização dirigida por Peter Daszak, ligada a projetos sobre coronavírus de morcegos e experiências destinadas a modificar suas características.

Essas informações não estabelecem qual experiência teria dado origem ao SARS-CoV-2. Revelam, contudo, que órgãos do governo norte-americano financiavam pesquisas perigosas em Wuhan e tinham motivos próprios para afastar as suspeitas sobre o laboratório. Os funcionários envolvidos no financiamento apresentaram-se ao mundo como observadores neutros, enquanto perseguiam quem exigia uma investigação independente.

Um dos textos usados para sustentar a versão da origem natural foi o artigo “The Proximal Origin of SARS-CoV-2”, publicado em 2020. Também teve grande repercussão uma carta da revista The Lancet que condenava as suspeitas sobre Wuhan. Mais tarde, descobriu-se que a iniciativa havia sido articulada por Daszak, dirigente da organização envolvida no financiamento das pesquisas investigadas.

A hipótese antes censurada acabou sendo admitida pelo próprio Estado norte-americano. O FBI e o Departamento de Energia passaram a considerar provável a origem laboratorial. Em janeiro de 2025, a CIA divulgou avaliação semelhante, embora declarasse possuir “baixa confiança” na conclusão. Jha é agora mais um antigo funcionário do governo a reconhecer que o vazamento não era uma fantasia.

A manipulação não ficou restrita à origem do vírus. Os papéis de Fauci também revelam como informações incômodas sobre as vacinas eram administradas de acordo com as necessidades da propaganda oficial.

https://causaoperaria.org.br/2026/o-que-anthony-fauci-quer-esconder-sobre-a-covid-19/

Em agosto de 2022, Fauci pressionou os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, os CDC, para que recuassem de uma declaração sobre a ineficácia das vacinas na prevenção da infecção e da transmissão. Em vez de informar claramente os limites dos produtos, preocupou-se em impedir que a posição do órgão prejudicasse a política de vacinação.

As vacinas podiam diminuir o risco de doença grave, especialmente entre idosos e pessoas com problemas de saúde. Não bloqueavam completamente a infecção nem a circulação do vírus. Apesar disso, os governos apresentaram os não vacinados como uma ameaça pública e usaram essa acusação para impor demissões, passaportes sanitários, restrições de circulação e impedimentos de viagem.

Também havia dúvidas sobre a segurança dos produtos que não chegavam ao conhecimento da população. Em janeiro de 2021, Fauci recebeu uma reportagem sobre a morte de 23 pessoas na Noruega depois da aplicação da vacina da Pfizer. O episódio não bastava para atribuir as mortes ao produto, mas exigia investigação. Em suas anotações, a notícia recebeu uma atenção mínima.

No mês seguinte, Drew Weissman, um dos pesquisadores responsáveis pela tecnologia do RNA mensageiro, comunicou a Fauci resultados de testes realizados em animais. As experiências indicavam que as nanopartículas usadas para transportar o material genético podiam alcançar diferentes órgãos. Em ratas, componentes chegaram à placenta, ao feto, ao útero e aos ovários.

Os testes não permitiam transferir automaticamente os resultados para seres humanos. Mostravam que o assunto ainda estava sendo estudado. Nas conversas internas havia perguntas, ressalvas e resultados inconclusivos. Para o povo, reservava-se um discurso de certeza absoluta acompanhado da ameaça de punição.

Qualquer pessoa que levantasse uma dúvida era acusada de “negacionismo”. Publicações foram apagadas, contas suspensas e jornalistas censurados por mencionarem a possibilidade de um acidente laboratorial. Quem rejeitasse a vacinação podia perder o emprego ou ser proibido de entrar em determinados locais. Uma decisão médica individual foi colocada sob o controle da polícia, dos patrões e da burocracia estatal.

https://causaoperaria.org.br/2026/diario-de-anthony-fauci-comprova-que-campanha-pro-vacina-foi-uma-farsa/

O fechamento forçado do comércio arruinou pequenos proprietários e retirou o sustento de inúmeros trabalhadores. Ao mesmo tempo, milhões de pessoas continuaram obrigadas a enfrentar fábricas, escritórios e transportes coletivos lotados para manter os lucros dos capitalistas. O confinamento era rígido para o pequeno comerciante e para quem quisesse circular livremente, mas bastante flexível diante das necessidades dos patrões.

Os laboratórios farmacêuticos, por sua vez, receberam bilhões de dólares em contratos públicos. Pfizer, Moderna e outros monopólios tiveram vendas garantidas pelos governos, enquanto os contratos, os possíveis efeitos adversos e a eficácia dos produtos eram afastados do debate público. Até Bill Gates, que não é médico nem pesquisador da área, participava frequentemente de conversas com Fauci sobre vacinas e tratamentos.

Os diários ainda mostram que Fauci dedicava enorme atenção à própria imagem. Registrava elogios, entrevistas, conversas com celebridades, capas de jornais e até o lançamento de um boneco inspirado nele. Em uma anotação, comemorou o crescimento “explosivo” de sua fama nacional e internacional. A morte de dezenas de pessoas depois da vacinação mereceu poucas palavras; a celebridade adquirida durante a tragédia foi documentada minuciosamente.

Durante a pandemia, esse burocrata foi promovido pela imprensa como a encarnação da ciência. Suas declarações eram repetidas como sentenças incontestáveis. Em 29 de julho, convocado pelo Senado para esclarecer suas decisões, Fauci invocou sucessivamente a Quinta Emenda da Constituição norte-americana, que permite ao depoente permanecer calado para não produzir provas contra si. Recusou-se a responder a mais de cem perguntas.

Pouco antes de deixar a Casa Branca, Biden concedeu-lhe um perdão preventivo para atos praticados entre janeiro de 2014 e janeiro de 2025. A proteção abrange o período do financiamento à EcoHealth Alliance, das pesquisas em Wuhan, da pandemia e dos depoimentos prestados ao Congresso. Protegido antecipadamente pelo presidente, Fauci ainda assim preferiu não explicar sua atuação.

No Brasil, boa parte da esquerda pequeno-burguesa funcionou como auxiliar dessa operação. Em lugar de defender os direitos democráticos da população, aderiu ao culto dos burocratas do Estado burguês. Quem criticasse o confinamento, a obrigatoriedade da vacinação ou os passaportes sanitários era colocado no mesmo saco das teorias mais absurdas.

João Doria, político tradicional da direita e inimigo dos trabalhadores, chegou a ser apresentado como herói da ciência. Seu governo impôs restrições, fechou estabelecimentos e promoveu a vigilância da população, sem impedir que os trabalhadores continuassem amontoados nos ônibus, trens e locais de trabalho. O Globo chegou a defender uma “busca de não vacinados”, como se o Ministério da Saúde devesse atuar como uma força policial encarregada de caçar cidadãos.

A acusação de “negacionismo” foi usada para impedir qualquer discussão. Dúvidas legítimas sobre a origem do vírus, a eficácia das vacinas, possíveis efeitos adversos e o direito de recusar um procedimento médico foram misturadas deliberadamente com histórias grotescas. Dessa maneira, tornou-se possível ridicularizar os críticos e justificar a retirada de direitos individuais.

As novas revelações mostram quem realmente enganou a população. Enquanto exigiam confiança irrestrita, as autoridades escondiam informações, abafavam controvérsias, protegiam os interesses dos monopólios farmacêuticos e preparavam medidas repressivas. Aqueles que mandavam o povo “confiar na ciência” não aceitavam sequer tornar públicas as dúvidas discutidas entre eles próprios. Agora que precisam prestar contas, recebem perdões presidenciais ou recorrem ao direito de permanecer calados.

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