Quase metade dos jovens argentinos vive em situação de vulnerabilidade social. O índice de 48,9% foi identificado por uma pesquisa da Universidade de Buenos Aires com pessoas entre 18 e 29 anos.
O estudo foi realizado a partir de 1.002 entrevistas presenciais, feitas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. A quantidade de jovens atingidos ultrapassa 4,1 milhões, dos quais 73% vivem fora da região metropolitana de Buenos Aires.
Entre os jovens vulneráveis que trabalham, 76% estão em empregos sem registro ou sobrevivem de atividades autônomas instáveis. A pesquisa também constatou o crescimento do grupo chamado de “triplo nem”: pessoas que não estudam, não trabalham e desistiram de procurar emprego.
A economia argentina não oferece emprego estável, formação profissional nem qualquer perspectiva para grande parte da nova geração. A terapia de choque de Javier Milei aprofundou o problema ao cortar gastos públicos, reduzir investimentos, demitir funcionários e destruir serviços sociais.
O governo apresenta a queda de alguns índices inflacionários como prova do sucesso de sua política. O resultado, porém, foi obtido por meio da redução violenta do consumo, dos salários e da atividade econômica. O equilíbrio fiscal foi pago pelos trabalhadores, aposentados e jovens.
Segundo a Unicef, 42,3% das crianças e adolescentes argentinos viviam em lares pobres no segundo semestre de 2025, enquanto 9,4% estavam abaixo da linha da indigência. A entidade calculou que a pobreza infantil poderia voltar a crescer no primeiro semestre de 2026.
Milhões de jovens chegam à vida adulta sem emprego, sem acesso adequado à educação e sem condições de sair da casa dos pais. Os números da Universidade de Buenos Aires registram os efeitos concretos do programa neoliberal de Milei.





