O ministro sionista Itamar Ben-Gvir invadiu, nesta quinta-feira (6), a prisão de Naqab e mandou confiscar as roupas que ainda estavam em posse dos prisioneiros palestinos. Os carcereiros também recolheram exemplares do Alcorão, deixando apenas um livro para cada setor, que reúne cerca de 15 celas.
A denúncia foi feita pelo Gabinete de Imprensa dos Prisioneiros, segundo o qual os palestinos ficaram apenas com o mínimo de roupas depois da ação. A entidade informou que a retirada dos pertences ocorre em meio ao agravamento das condições dentro de Naqab, onde há falta de comida e de produtos de higiene, além de punições e agressões contra os presos.
As medidas contra os prisioneiros palestinos vêm sendo endurecidas por Ben-Gvir desde que ele chegou ao governo, no final de 2022. Entre as denúncias feitas por organizações palestinas estão a redução deliberada da alimentação, negligência médica, tortura, isolamento prolongado e restrições às condições básicas dentro das cadeias.
Atualmente, cerca de 9.500 palestinos estão presos por “Israel”. Entre eles estão 94 mulheres e mais de 350 crianças.
Mulheres sem tratamento médico
As denúncias não se restringem a Naqab. Nesta semana, a Comissão Palestina para Assuntos dos Prisioneiros e Ex-Prisioneiros divulgou novos relatos sobre a situação das mulheres mantidas na prisão de Damon.
Amna Suweilem, de 55 anos, presa desde novembro de 2025, não recebe tratamento adequado para um rompimento de tendão no ombro, problemas na tireoide e uma hérnia abdominal.
Outra palestina presa em Damon, Leila Khalil, de 22 anos, está em isolamento desde junho. Ela relatou que a quantidade e a qualidade da comida são insuficientes e que as mulheres permanecem fora das celas apenas uma hora por dia. Nesse curto período precisam realizar também tarefas básicas de higiene, inclusive tomar banho.
Há ainda mulheres com doenças graves, entre elas câncer e hepatite, sem atendimento médico adequado. O Escritório de Informações dos Prisioneiros pediu a intervenção da Cruz Vermelha e de organizações internacionais diante do risco de agravamento do estado de saúde das presas.
Médico palestino teve costelas quebradas
Entre os casos denunciados está também o do médico Hussam Abu Safiya, diretor do Hospital Kamal Adwan, no norte da Faixa de Gaza, preso pelas forças sionistas.
Segundo o Escritório de Informações dos Prisioneiros, Abu Safiya foi agredido por carcereiros na prisão de Rakevet e sofreu fraturas nas costelas. A entidade afirmou que o dia 27 de julho foi o mais difícil enfrentado pelo médico desde sua prisão.
Desde outubro de 2023, organizações palestinas registram um aumento dos maus-tratos nas prisões sionistas. Além de agressões e tortura, são denunciadas superlotação, redução da comida, impedimentos às visitas de familiares, restrições ao acesso de advogados e demora ou recusa no atendimento médico.



