A direção do Instituto de Estudos Políticos de Paris, conhecido como Sciences Po, montou um aparato de vigilância contra estudantes envolvidos em mobilizações em defesa da Palestina.
Documentos disciplinares examinados pelo jornal francês Mediapart mostram que alunos foram fotografados sem conhecimento, observados durante reuniões e acompanhados nas redes sociais. Desde 2024, pelo menos 48 estudantes foram investigados e 13 receberam proibições temporárias de entrar no instituto.
Pierre Catalan, então diretor da vida estudantil, foi apontado como figura central da operação. Segundo os estudantes, ele reuniu informações sobre integrantes do Comitê Palestina, ajudou a identificar participantes de bloqueios e criou uma conta falsa para acompanhar os ativistas.
Fotografias retiradas de contas particulares e dados dos registros acadêmicos foram incorporados aos processos disciplinares. Um aluno chegou a ser acusado porque seus sapatos eram parecidos com os vistos em uma publicação. Posteriormente, outro estudante assumiu a autoria do ato investigado.
A universidade utilizou ainda imagens gravadas secretamente por um jornalista da emissora pública israelense Kan durante uma assembleia estudantil.
A própria comissão de ética da Sciences Po considerou que a vigilância ultrapassava as atribuições de Catalan e poderia intimidar os estudantes. Mesmo assim, nenhuma medida foi tomada contra o funcionário.





