A revista The Economist, uma das principais vozes do capital financeiro internacional, publicou uma série de artigos cobrando de Donald Trump uma linha mais dura contra a China. Num deles, alerta que Pequim estaria adquirindo conhecimento militar russo capaz de “preocupar o Ocidente”; noutro, acusa a China de ampliar a pressão sobre aliados dos Estados Unidos no Pacífico, insinuando que Trump “não vai fazer nada” a respeito.
O tom de cobrança é a parte mais reveladora. Trump gosta de se apresentar como o homem forte que decide sozinho os rumos do mundo. Mas quando a revista do grande capital o convoca a agir, expõe-se a verdade: quem dita a política das potências não é este ou aquele presidente, e sim a burguesia imperialista, o capital financeiro que está por trás dele. O ocupante da Casa Branca é o executor de uma agenda que não é sua — é a dos donos do dinheiro.
Ao mesmo tempo, o conteúdo dos artigos é pura propaganda de guerra. Transformar o crescimento econômico e militar da China em “ameaça ao Ocidente” serve para preparar a opinião pública para a escalada de sanções, cercos e provocações que o imperialismo já move contra Pequim. É a velha fabricação do inimigo externo, agora dirigida contra a potência que disputa o mercado mundial com os Estados Unidos.
Os trabalhadores não têm nenhum interesse nessa cruzada. A pressão sobre a China não nasce da defesa de povo algum, e sim da necessidade do imperialismo de conter um rival e manter seu domínio. Denunciar quem realmente manda no mundo — e recusar a propaganda de guerra que prepara novos conflitos — é tarefa da classe trabalhadora internacional.





