A greve estudantil da Universidade Federal do Acre (UFAC) completou 15 dias. Deflagrada em assembleia do Diretório Central dos Estudantes (DCE), com apoio de centros acadêmicos, atléticas e coletivos, a paralisação protesta contra a falência do transporte coletivo em Rio Branco, que vem impedindo os estudantes de chegar ao campus.
O estopim foi a redução da frota. Após uma decisão judicial bloquear 50 ônibus de uma das empresas da capital, a oferta de veículos despencou, com superlotação, atrasos e linhas inteiras comprometidas. Os alunos que dependem exclusivamente do transporte público — em geral os mais pobres — ficaram sem meio de ir e voltar da universidade. Diante disso, o movimento estudantil resolveu se organizar e parar.
A pressão surtiu efeito. O Conselho Universitário caracterizou o primeiro semestre de 2026 como atípico e suspendeu as atividades presenciais de graduação até que se assegure a circulação mínima de 66 veículos nas linhas urbanas. Ficou definido, ainda, que o retorno das aulas dependerá de verificação conjunta entre a reitoria, o DCE e o Comando de Greve Estudantil, e que o semestre não contará para fins de jubilamento, protegendo os estudantes de qualquer prejuízo.
O movimento deixa claro que não luta contra os professores, mas por um transporte público digno, e cobra posição não só da universidade como da prefeitura e da empresa responsável pela frota. A reivindicação central é simples: que os ônibus voltem a circular, ao menos, no patamar anterior à atual falência — que, aliás, já era ruim.
A greve da UFAC mostra o caminho. Diante do descaso do poder público e da lógica do lucro que rege o transporte entregue a empresas privadas, é a organização dos próprios estudantes, de baixo para cima, que arranca conquistas. A força do movimento está em se manter unido e mobilizado até que suas reivindicações sejam plenamente atendidas.


