O Partido dos Trabalhadores (PT) mantém a pré-candidatura do deputado estadual Dirceu Ten Caten (PT) a vice-governador em chapa para reeleição da governadora Hana Ghassan (MDB) no estado do Pará. A convenção da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, para aprovar a chapa proposta está marcada para o dia 1º de agosto.
Aliança do PT, MDB e União Brasil no Pará
No Pará, o acordo do PT com o MDB não se limita à majoritária do executivo estadual com a governadora Hana Ghassan (MDB), à frente, tendo como seu vice o deputado estadual Dirceu Ten Caten. Essa aliança estende seus termos à eleição majoritária dos parlamentares da segunda câmara, apoiando nas duas vagas do estado no Senado Federal o ex-governador Helder Barbalho (MDB) e o deputado estadual Chicão (União Brasil).
O PT, que nasceu com base nos movimentos sociais, sindicatos e comunidades eclesiais de base, fazendo de 1980 a 2000 oposição à exploração que essa população sofria do grupo de Jader Barbalho (PMDB). Em 2010, no entanto, se aproximaram e, em 2018, o PT lançou candidatos, mas declarou apoio no segundo turno à candidatura de Helder Barbalho (MDB). Em 2022, não lançaram candidatos e, agora, em 2026, entram na chapa do MDB como vice.
O partido que cresceu em oposição aos Barbalhos passou de uma aproximação em nome da governabilidade para um apoio direto de quase uma década. Neste pleito de 2026, o PT e demais membros da Federação Brasil da Esperança abriram mão de indicar candidatos aos cargos majoritários no estado do Pará.
Estratégia eleitoral de 2026
O caso do Pará está longe de ser um evento isolado no cenário político, pelo contrário, reflete a orientação política da Direção Nacional do PT, que chegou a liberar suas direções estaduais para realizarem as alianças que lhes conviessem. Supostamente seria a aplicação da “estratégia eleitoral”, buscando consolidar alianças amplas visando o projeto político de 2026 e acenos ao centro político.
Seria a tradução organizativa no pleito da política do PT de se aliar com a direita, supostamente democrática e civilizada, na “luta” contra o fascismo. Transparecendo algo mais profundo que um aceno para o centro, conclui por uma capitulação completa em nome da reeleição do presidente Lula.
Erro crasso
Na lenda, o general romano Crasso teria insistido numa campanha contra o Império Parta sem considerar táticas já testadas e marchou direto para o deserto com seus soldados, concluindo num saldo em seu desfavor de 20 mil mortos, inclusive ele próprio, e 10 mil capturados. O PT, mesmo após a sequência de perdas das últimas décadas, entre elas o desastroso golpe de 2016, com o vice Temer (PMDB), insiste numa política de frente com os golpistas.
A política persiste mesmo após a convenção do MDB nesta segunda (27), onde a Executiva Direção Nacional do MDB liberou seus diretórios estaduais para apoiar diferentes presidenciáveis conforme a realidade política local. Algo que não ocorreu nos últimos 20 anos, mas não é inédito. Em 2006, a agremiação também declarou neutralidade na disputa entre Lula e Alckmin.
Segundo o presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi (MDB-SP): “A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo.”
Trata-se, como se vê, de uma simples conveniência para não sofrer o desgaste de se opor abertamente a uma candidatura da esquerda onde a direita faliu completamente, o que pode ser visto claramente nos estados do Piauí e Pará.
De esquerda consentida para gestor do regime
Presenciamos o setor da esquerda integrado ao regime político, tentando evoluir politicamente de uma esquerda consentida para o gestor do Estado burguês. Uma integração total ao regime decadente da burguesia.
É importante salientar que o desejo de assumir esse papel não é algo novo ou transitório neste setor da pequena-burguesia, mas toma materialidade com a decadência do regime e de seus gestores tradicionais. A embarcação da democracia burguesa está naufragando e pode levar estes a afundarem junto.




