Política internacional

Irã e Rússia unidos na guerra geral contra o imperialismo

Imperialismo tenta arrastar a Europa para uma guerra contra o Irã ao ordenar a Ucrânia que atacasse um navio iraniano

Após sucessivas e catastróficas derrotas militares por parte do imperialismo, no Afeganistão, na Ucrânia, em Gaza (Palestina ocupada) e mais recentemente na guerra de agressão contra o Irã, ele tenta escalar ainda mais sua derrota buscando envolver a Europa na guerra contra os persas ao permitir que o regime nazifascista de Zelenski atacasse o navio comercial de bandeira iraniana no mar Cáspio, levando à morte de um marinheiro e à destruição significativa do navio.

Essa atitude de desespero do imperialismo levou o ministro das relações exteriores do Irã, Saied Abbas Araqchi, a denunciar que o ataque hostil violou diretamente a Carta das Nações Unidas e que o ato não ficará impune. 

Araqchi declarou que “Zelenski atacou um navio comercial iraniano e matou um marinheiro. Esta é uma ação que viola claramente a Carta das Nações Unidas e foi realizada sob instigação de ‘Israel’ para arrastar a Europa à guerra”. 

O chanceler informou que apresentou a denúncia à chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, e falou ao ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov. Nessas conversas, afirmou ter deixado claro que a ação da Ucrânia não poderá ficar sem resposta. 

O atual presidente sem mandato da Ucrânia, V. Zelenski, confirmou o ato agressivo e que manterá ataques no interior da Rússia, além de comemorar o ataque ao navio iraniano no mar Cáspio. Sua alegação foi a de que a embarcação transportava material militar, mas não apresentou nenhuma prova disso, o que configura um ato de agressão militar ao Irã sem quaisquer justificativas. 

Isso evidencia que o regime iraniano, além de não estar em guerra defensiva,  busca simplesmente apresentar uma conquista militar, já que não consegue nenhuma contra a Rússia em campo de batalha. Ao se recusar a condenar essas ações, os europeus, Kaja Kallas e demais dirigentes, tornam-se cúmplices da escalada. 

Em sua defesa, o governo iraniano argumenta que nunca participou diretamente na guerra entre a Rússia e Ucrânia e aponta para o envolvimento do regime genocida de “Israel”, que, uma vez que se encontra em situação desesperadora no conflito, busca abrir novas frentes contra os iranianos. Isso favorece os interesses do imperialismo, que está em guerra contra a Rússia e o Irã ao mesmo tempo. Com a entrada da UE, o imperialismo poderia fortalecer suas ações bélicas contra o Irã, lembrando que os EUA, mesmo sendo do imperialismo,  atuam sozinhos nessa guerra específica, até onde se sabe.

Outro ponto que evidencia a tentativa de escalada contra o Irã é o fato de que as forças de segurança iraquianas conseguiram identificar e prender indivíduos que mantinham ligações com células de inteligência ucranianas. 

O Conselheiro de Segurança Nacional do Iraque, Qasem al-Abudi, disse em entrevista à emissora Dijlah que essas células realizaram ataques contra instalações e infraestrutura do governo iraquiano e tentaram atribuir a autoria a grupos da Resistência. Ele enfatizou que essa estratégia constitui uma operação de “falsa bandeira” destinada a desviar a atenção pública e desacreditar os movimentos de resistência no Iraque. 

O Conselheiro de Segurança Nacional do Iraque acrescentou que os detidos confessaram, durante interrogatórios técnicos e especializados, terem colaborado com o lado ucraniano e cumprido suas instruções para minar a segurança interna do Iraque. Fontes iraquianas já haviam alertado sobre tentativas de certos atores estrangeiros de desestabilizar a segurança do país, conforme matérias da imprensa.

Com esse ataque ao navio, os iranianos se solidarizaram com os russos e disseram que vão retaliar a Ucrânia. E isso aproxima ainda mais a Rússia do Irã, que, para fugir do isolamento geopolítico e das sanções impostas pelo imperialismo, criaram uma forte convergência de interesses entre eles. 

Essa aproximação se aprofundou de forma acelerada após fevereiro de 2022, com o início da ação especial da Rússia em território ucraniano, que visa libertar os povos russos que vivem na Ucrânia após o golpe de estado por Zelenski e OTAN.

O resultado foi a transferência de tecnologia e cooperação militar através do fornecimento de drones Shahed para a Rússia, e esta fornecendo conhecimento técnico, sistemas avançados de defesa aérea, caças modernos e compartilhamento de inteligência estratégica. Além da integração dos sistemas econômicos e financeiros visando driblar as sanções impostas pelo imperialismo com o sistema Swift

Os dois países criaram ainda o corredor de transporte norte-sul no mar Cáspio, terrestre e marítimo. Houve também alinhamento político e estratégico numa frente anti-imperialista para enfraquecer ainda mais esse sistema que se encontra em uma crise terminal, por meio da integração no Brics e na Organização para a Cooperação de Xangai, onde ambos são membros.

Essa cooperação não é de defesa mútua, mas de acordo de parceria estratégica e não se parece com o artigo 5º da OTAN, não há envio direto de tropas. Visa garantir a resistência e sobrevivência das partes em conflitos separados.

O professor Seyed Mohammad Marandi, membro do grupo de negociação iraniano, vê a aliança não como uma simples parceria, mas como uma aliança estratégica e necessária, forjada pela pressão do Ocidente e consolidada em conflitos recentes. A lógica é que a coação de Washington enfraquece sua própria influência e empurra outras nações para uma cooperação mais estreita com seus rivais.

Marandi afirma que a Rússia demonstrou apoio e solidariedade ao Irã, prestando assistência durante os períodos de guerra. Ambos países se defendem dos ataques imperialistas, em cenário de crise crescente do capitalismo, que sufoca os países atrasados e arrasta o mundo para a 3ª Grande Guerra.

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