O portal Brasil 247 publicou, no domingo (26), o artigo Entre o colorido da esperança e a política da violência”, assinado pelo advogado Pedro Benedito Maciel Neto. O autor relata sua participação na convenção de PT, PSB e partidos aliados realizada no sábado (25), em Campinas, e apresenta o evento como demonstração de esperança, diversidade e compromisso com o futuro.
O texto procura estabelecer um contraste com a convenção do PL. De um lado, estariam as bandeiras coloridas, os abraços, os jovens, os veteranos e os “sorrisos espontâneos”. Do outro, a violência verbal, a ausência de propostas e a dependência política da família Bolsonaro.
A crítica à direita serve de cortina para esconder o problema fundamental da própria convenção petista. O artigo fala longamente sobre o ambiente do ginásio, porém quase nada diz sobre o programa defendido pelos dirigentes colocados no centro do palco.
O próprio autor afirma que o que mais chamou sua atenção “não foram apenas os nomes no palco”, mas as pessoas. A frase resume a operação política de todo o artigo.
Em vez de discutir o que os nomes no palco representam, o texto desloca a atenção para a arquibancada. Fala das bandeiras, das músicas, dos reencontros e do “brilho dos olhos da militância”. O conteúdo da aliança desaparece sob uma descrição sentimental do evento.
Esse procedimento é típico da demagogia petista. A direção do partido entrega os cargos, o programa econômico e a orientação do governo aos representantes da burguesia, enquanto apresenta a presença da militância como prova de que seu projeto continua popular.
O apoio de um eleitrado um partido não transforma automaticamente a política de seus dirigentes em política popular. Uma convenção pode reunir milhares de pessoas e, ainda assim, aprovar candidaturas comprometidas com banqueiros, empresários e setores tradicionais da política burguesa.
A quantidade de bandeiras não responde às perguntas fundamentais. Qual é o programa para os salários? Qual é a proposta para o desemprego? O que será feito contra as privatizações? Haverá ruptura com o capital financeiro? As reformas aprovadas pela direita serão revogadas? A Petrobrás será colocada a serviço do desenvolvimento nacional?
Nada disso aparece no artigo.
Pedro Benedito Maciel Neto classifica Haddad, Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet como “alguns dos melhores quadros do campo democrático de centro-esquerda”. O autor não explica quais medidas tomadas por essas figuras justificariam tamanho elogio, nem quais interesses sociais elas representam.
Simone Tebet tornou-se uma das principais representantes da terceira via nas eleições de 2022. Sua presença no governo serviu para ampliar a participação da direita tradicional na coalizão dirigida pelo PT. Geraldo Alckmin, escolhido para a Vice-Presidência, possui uma trajetória inteira ligada à burguesia paulista e aos governos do PSDB.
Fernando Haddad, por sua vez, ocupa posição central na política econômica aplicada pelo governo. Seu papel está associado à defesa do equilíbrio fiscal, da limitação dos gastos públicos e da busca permanente por acordos com o mercado financeiro.
Esses são os personagens que ocupam o centro das atenções da aliança celebrada pelo autor. A militância fornece o colorido, mas o programa fica sob responsabilidade de políticos que jamais apresentaram qualquer perspectiva de mobilização independente dos trabalhadores.
Chamar essa composição de “centro-esquerda” apenas encobre seu caráter. O deslocamento do PT para a direita foi apresentado, durante anos, como necessidade eleitoral. Primeiro, seria preciso ampliar a aliança para derrotar Bolsonaro. Depois, seria necessário manter a aliança para governar. Agora, a mesma coalizão aparece como projeto para o futuro.
O resultado é uma política sem qualquer horizonte de transformação social.





