André de Paula, advogado da Anarcomunamérica, torcida de esquerda do América Futebol Clube do Rio de Janeiro, e da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (FIST), denunciou a possibilidade de venda do terreno do clube localizado na Rua Campos Sales, na Tijuca. Segundo ele, a negociação pode representar mais um golpe contra o patrimônio do América-RJ e deve ser impedida pelo Conselho Deliberativo.
Em vídeo de aproximadamente cinco minutos, De Paula recordou os sucessivos terrenos e instalações perdidos pelo clube ao longo de sua história. O advogado também criticou a possibilidade de uma decisão dessa importância ser tomada no fim do mandato da atual direção, presidida pelo senador Romário.
No início do vídeo, André de Paula apresenta sua ligação com o América e com diferentes organizações políticas e sociais. Além de advogado da Anarcomunamérica e da FIST, ele afirma integrar a Comissão Dominicana de Justiça e Paz e atuar como advogado da Universidade Indígena Aldeia Maracanã.
Na sequência, atribui a situação do clube a uma combinação de gestões desastrosas, interesses externos e sucessivos ataques ao patrimônio americano.
“A conjugação de péssimas administrações, administrações calamitosas e os esquemas, durante toda a história, sempre marcharam no rumo de tentar acabar com o América Futebol Clube. Mas esse clube é tão superior, é uno e múltiplo, com mais de 190 Américas pelo Brasil todo, que isso tudo não conseguiu acabar com o América.”
O advogado sustenta que o América, apesar de sua história e de sua grande presença no futebol brasileiro, vem sendo submetido há décadas a um processo de enfraquecimento. Esse processo teria atingido tanto o desempenho esportivo quanto os bens pertencentes ao clube.
De Paula afirma que, durante a gestão de Romário, houve uma redução dos prejuízos causados por arbitragens que, segundo ele, atuavam contra o América. O advogado atribui essa perseguição ao que chamou de “esquema Rubinho Duba”, ligado a dirigentes de outros clubes do futebol carioca.
Segundo sua denúncia, setores da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro teriam interesse em impedir a ascensão do América para evitar que o clube ofuscasse equipes menores apoiadas por dirigentes da entidade.
O advogado apresenta, então, uma relação de bens perdidos pelo América ao longo das últimas décadas. Entre eles está parte do terreno da antiga sede da Rua Campos Sales.
“O América perdeu, na sua longa trajetória, parte do terreno da Rua Campos Sales, o seu estádio antigo. Posteriormente, a sede foi demolida. Lá se encontra agora um terreno baldio. Perdemos o campo do Andaraí, parte do terreno de Edson Passos, em Mesquita, onde fica o nosso estádio Giulite Coutinho, e agora também perdemos o KM 18.”
Para De Paula, essas perdas não decorreram apenas de dificuldades financeiras inevitáveis. Elas seriam resultado de decisões equivocadas tomadas pelas sucessivas direções do clube.
André de Paula afirma que a venda definitiva do terreno da Rua Campos Sales seria o ponto culminante desse processo.
“Agora, o que está por vir — e esperamos que não venha — é a venda do terreno da Rua Campos Sales. Não pode acontecer.”
O terreno possui importância histórica para o América. A antiga sede da Tijuca esteve ligada à trajetória do clube e à sua presença na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente, de acordo com o advogado, a área permanece sem utilização adequada.
Em vez de vender o patrimônio, De Paula defende que o espaço seja utilizado de maneira capaz de produzir receitas permanentes para o clube.
Ele menciona uma proposta do compositor Jorge do Batuke, ligado à Portela, para a utilização racional do terreno. Também cita o interesse anteriormente manifestado pelo grupo português Sonae Sierra, especializado na construção e gestão de centros comerciais.
“Houve interesse de um grupo português, Sonae Sierra, um grupo maior que o Carrefour, especialista em construção de shopping, que disse que faria da Campos Sales o maior shopping da América Latina. Tem que ser retomado esse contato.”
O advogado não apresenta detalhes sobre o formato jurídico ou financeiro da proposta. Sua posição, porém, é que o América deve buscar uma parceria que preserve a propriedade do terreno e permita ao clube obter receitas, em vez de simplesmente se desfazer da área.
Outra alternativa defendida por De Paula seria a abertura de conversações com empresas ou instituições da República Popular da China.
O advogado lembra que a China é o maior parceiro comercial do Brasil e possui interesse crescente em investimentos no País, inclusive em projetos ligados ao esporte.
“Também deve ser retomado o contato com a República Popular da China, que tem interesse em investir no Brasil, no futebol, que tem as nossas cores e que é o maior parceiro comercial do Brasil.”
A procura por investidores, contudo, não deveria servir de pretexto para entregar o patrimônio do clube. A questão central apresentada pelo advogado é encontrar uma forma de desenvolver economicamente a área sem que o América perca definitivamente um de seus últimos bens de grande valor.
Embora critique a possibilidade de venda, André de Paula reconhece mudanças positivas ocorridas durante a presidência de Romário. Segundo ele, o clube apresentou melhora relativa no futebol e voltou a disputar uma competição nacional.
“É preciso que o presidente Romário, mal cercado que é, tome posições corretas daqui para a frente. No futebol, conseguiu uma relativa melhora. Estamos no campeonato nacional e paramos de ser roubados pelo esquema Rubinho Duba.”
A crítica de De Paula se dirige principalmente às pessoas que cercam o presidente e às decisões relativas ao patrimônio. Em sua avaliação, Romário precisa intervir para impedir que o terreno seja vendido.
A principal advertência diz respeito ao momento em que a venda estaria sendo discutida. Segundo André de Paula, o mandato da atual direção termina em novembro. Por isso, uma negociação envolvendo um patrimônio histórico não poderia ser concluída de maneira apressada.
“A gente espera que o Conselho barre essa venda do terreno da Campos Sales. A direção do América está em fim de mandato, vai acabar agora em novembro. Seria, no mínimo, açodado, uma vez que também existem outras propostas melhores.”




