A final da Copa do Mundo encerrou um dos torneios mais escandalosos de toda a história. Os erros apareceram em praticamente todas as partidas da seleção argentina e seguiram sempre a mesma direção. O jogo contra o Egito apresentou o caso mais absurdo, mas até na decisão diante da Espanha dois gols foram anulados numa tentativa de levar a partida aos pênaltis.
A repetição dos favorecimentos exige uma explicação. A Argentina ocupa uma posição muito conveniente dentro da organização internacional do futebol. Possui tradição, jogadores conhecidos e uma seleção capaz de ser apresentada artificialmente como grande potência, mas não ameaça o domínio econômico dos principais campeonatos europeus.
Alemanha, Itália, França e Inglaterra concentram parte decisiva do dinheiro do futebol mundial. Seus campeonatos nacionais e torneios continentais movimentam bilhões, atraem os melhores jogadores e recebem divulgação permanente. A Argentina não disputa esse lugar. Pode ser promovida sem colocar em risco a supremacia econômica dos europeus.
O Brasil ocupa outra posição. É a maior potência da história do futebol, com cinco Copas do Mundo, uma produção contínua de jogadores excepcionais e uma influência internacional superior à de qualquer seleção europeia. Um futebol brasileiro independente e organizado representaria uma ameaça direta aos grandes negócios estabelecidos na Europa.
Os clubes brasileiros, porém, precisam vender seus principais jogadores para sobreviver. Os europeus utilizam seus recursos para comprar os craques formados no Brasil e reforçar a ideia de que o futebol importante existe apenas em seus campeonatos. Rebaixar a imagem do futebol brasileiro tornou-se parte essencial dessa operação.
A exaltação da Argentina cumpre uma função nesse processo. Há décadas, procura-se colocar Maradona e Messi acima de Pelé, como se o futebol argentino tivesse produzido uma história superior à brasileira. As próprias conquistas argentinas em Copas do Mundo foram completamente roubadas, começando pelo torneio de 1978. O Brasil conquistou seus cinco títulos dentro de campo apesar da sabotagem e poderia ter sete ou oito sem as fraudes que marcaram diversas edições.
Na Copa de 2026, essa operação concentrou-se também na proteção de um produto comercial específico: Lionel Messi. O jogador argentino tornou-se o principal garoto-propaganda do futebol internacional e representa uma parcela enorme dos negócios ligados à competição.
O ciclo comercial da FIFA para a Copa de 2026 movimenta cerca de US$13 bilhões. Em 2022, Messi respondeu por 26% de toda a publicidade gerada pelas publicações dos jogadores nas redes sociais. Mantida essa proporção, sua participação equivaleria a aproximadamente US$3,38 bilhões no ciclo atual.
A Adidas, principal patrocinadora da FIFA, mantém com o jogador um contrato vitalício estimado em US$1 bilhão. Quando o Inter Miami anunciou sua contratação, o clube vendeu cerca de 700 mil camisas em apenas 48 horas.
Uma eliminação precoce de Messi significaria perdas enormes para patrocinadores, emissoras e para a própria FIFA. Cada nova partida ampliava o tempo de exposição do jogador e o retorno comercial obtido com sua permanência no torneio.
A entidade já havia demonstrado esse interesse ao conceder ao Inter Miami uma vaga no Mundial de Clubes de 2025 que o clube não conquistou em campo. Durante a Copa, espalhou-se por isso a expressão FIFA boy, o garoto da FIFA.
A contradição é evidente. A organização que deveria assegurar condições iguais às seleções comandou uma competição na qual bilhões de dólares dependiam da permanência de um jogador. A Argentina serviu de veículo para a promoção comercial de Messi.
Foi para levá-lo ao grande título que ainda lhe faltava que se acumulou uma série de pênaltis, gols anulados e decisões favoráveis aos argentinos. O favorecimento começou nas primeiras partidas e chegou até a final.
Dentro de campo, porém, a propaganda não se confirmou. Messi teve participação quase nula na decisão. A Argentina atravessou os 90 minutos sem uma única finalização ao gol, tornando-se a primeira seleção a alcançar essa marca numa final de Copa do Mundo.
O comportamento argentino durante o torneio também esteve longe de representar qualquer superioridade futebolística. A chamada raça apareceu principalmente sob a forma de entradas violentas, provocações e deslealdade, toleradas pela arbitragem durante toda a competição.
O ataque ao futebol brasileiro possui ainda um conteúdo político. O Brasil é a maior economia da América do Sul e reúne condições para tornar-se uma potência independente. O imperialismo procura impedir esse desenvolvimento em todos os terrenos.
O futebol ocupa um lugar central na vida nacional e no amor-próprio do povo brasileiro. Por isso, transformou-se também em alvo de uma campanha permanente de desmoralização. É preciso apresentar o Brasil como decadente, incapaz e inferior, mesmo quando os resultados mostram o contrário.
A fraude de 2026, porém, tornou a operação mais visível. Milhões de pessoas utilizaram a Internet para reunir imagens, comparar decisões da arbitragem e denunciar os favorecimentos. Ao tentar conduzir Messi à conquista da Copa, a FIFA expôs os mecanismos utilizados para proteger seu principal produto comercial.





