O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) declarou lealdade ao Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Mojtaba Hosseini Khamenei, e prometeu defender o Irã “até o último suspiro”. O pronunciamento foi divulgado durante a décima noite consecutiva de ataques norte-americanos contra o País.
Em mensagem dirigida a Khamenei, o comandante-em-chefe do CGRI afirmou que as Forças Armadas manterão a defesa da segurança, da independência e da integridade nacional. Segundo ele, as orientações do dirigente iraniano estabeleceram as tarefas políticas e militares diante da ofensiva imperialista.
“Com todo o nosso ser, junto à grande nação iraniana, erguemos o grito de ‘Labbaik Ya Khamenei’ [‘Às suas ordens, Khamenei’]”, declarou.
O comando militar também rejeitou qualquer dependência dos compromissos assumidos pelos Estados Unidos. O pronunciamento recordou as sucessivas violações de acordos, as sanções econômicas e os ataques contra a população iraniana para defender o reforço permanente das capacidades militares do País.
Entre as medidas citadas estão a manutenção da prontidão de combate, o desenvolvimento da indústria de defesa, a ampliação dos serviços de inteligência e o fortalecimento do poder de dissuasão. “Não nos permitiremos um único momento de fraqueza ou hesitação”, destacou o comandante.
A declaração responde a um pronunciamento anterior de Khamenei, no qual o Líder da Revolução Islâmica denunciou os Estados Unidos por violarem o memorando de entendimento firmado com o Irã. Ele advertiu que a continuação da guerra elevará os custos para o imperialismo e produzirá “lições inesquecíveis” para os agressores.
Khamenei também destacou a participação popular nas cerimônias fúnebres de seu pai, o martirizado aiatolá Saied Ali Khamenei. Segundo ele, as manifestações demonstraram a unidade do povo iraniano diante das agressões externas.
Décima noite de bombardeios
Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o sul do Irã pouco antes da meia-noite desta segunda-feira (20). Explosões foram registradas em Bandar Abbas, na ilha de Quêixome e nas regiões de Chabahar e Konarak.
As defesas antiaéreas foram acionadas nas proximidades da usina nuclear de Bushehr. O governo da província informou que a cidade não foi atingida. As autoridades de Isfahan também desmentiram notícias de bombardeios contra a região.
O Comando Central dos Estados Unidos assumiu a autoria da operação e alegou que os alvos estavam relacionados às ações iranianas no Estreito de Ormuz. As bases norte-americanas espalhadas pelo Golfo, no entanto, participam diretamente da ofensiva contra o Irã e fornecem apoio aos aviões, navios e sistemas de espionagem empregados na guerra.
Resposta iraniana
A Guarda Revolucionária respondeu com as 23ª e 24ª ondas da Operação Nasr 2, dirigidas contra instalações militares dos Estados Unidos no Barém e no Cuaite.
Na primeira ofensiva, mísseis e aeronaves não tripuladas atingiram depósitos de manutenção da Base Aérea de Sakhir e instalações utilizadas pela força naval TF59 no Porto de Salman, no Barém. Outro ataque alcançou estruturas das tropas de comandos navais norte-americanos na Base de Arifjan, no Cuaite.
A operação seguinte teve como principais alvos os equipamentos de vigilância e defesa antiaérea. O CGRI informou ter destruído um radar e uma bateria defensiva em Muharraque, além de um sistema Patriot instalado em Riffa, ambos no Barém.
No Cuaite, foram atingidos radares de longo alcance, centros de comunicação, receptores de satélite e equipamentos de defesa contra mísseis. A Base Aérea Ali al-Salem também foi atacada, incluindo um hangar utilizado para abrigar aeronaves MQ-9.
Na Base Aérea Ahmed al-Jaber, os iranianos atingiram radares de alerta antecipado, um equipamento AN/FPS-117, um sistema Patriot e instalações de comunicação ligadas à rede militar norte-americana.
Segundo a Guarda Revolucionária, a destruição desses equipamentos abre espaço para a ampliação das operações com mísseis e aeronaves não tripuladas contra as tropas imperialistas na região.
O CGRI também rejeitou a afirmação do presidente dos Estados Unidos de que os estoques militares iranianos estão próximos do fim. “Mesmo que esta guerra dure anos, nossos mísseis e nossas aeronaves continuarão atingindo os criminosos norte-americanos até o último dia”, declarou a organização.
O ministro interino da Defesa, general de brigada Majid Ibn al-Reza, informou que a indústria nacional mantém a fabricação de armamentos apesar das sanções e dos bombardeios. Segundo ele, a produção iraniana de mísseis, aeronaves não tripuladas e outros equipamentos continua sustentada pelo desenvolvimento científico e tecnológico do próprio País.


