O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) publicou, na sexta-feira (10), uma nota de solidariedade ao povo iraniano diante dos ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por “Israel”. O texto foi divulgado após o encerramento das cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro durante a ofensiva militar contra o Irã.
Na nota, o MST afirma que o funeral demonstrou a força da mobilização popular iraniana. Segundo estimativas oficiais citadas pelo movimento, entre 41 milhões e 43 milhões de pessoas participaram das cerimônias realizadas durante seis dias em Teerã, Qom, Najaf, Karbala e Mashhad.
As homenagens em Teerã se estenderam por três dias. Em Qom, houve uma jornada de cerimônias. No Iraque, Najaf e Karbala receberam uma etapa conjunta, enquanto Mashhad encerrou o percurso com mais um dia de homenagens. As autoridades iraquianas informaram ao gabinete do primeiro-ministro que aproximadamente 10 milhões de pessoas passaram por Najaf e Karbala para acompanhar o funeral.
“O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra manifesta sua profunda solidariedade ao povo iraniano neste momento de dor e despedida”, diz a nota. O movimento classifica Khamenei como líder e mártir assassinado por ataques coordenados dos Estados Unidos e de “Israel” e destaca a participação de multidões ao longo de todo o percurso fúnebre.
O MST também denuncia a ofensiva militar contra o Irã, a Palestina e outros países da região. O documento aponta que os bombardeios atingiram instalações civis, escolas, hospitais, universidades e centros industriais, além de alvos militares. O movimento afirma que as agressões procuram impor uma mudança de governo no país.
Um dos ataques citados atingiu uma escola de meninas em Teerã. Mais de 150 crianças e professores foram mortos. De acordo com os números apresentados pelo Ministério da Saúde iraniano e reproduzidos pelo MST, 3.468 pessoas morreram e mais de 26.500 ficaram feridas desde o início dos ataques, em 28 de fevereiro. Entre os mortos estão 376 crianças e 496 mulheres.
A nota assinala ainda que a destruição já provocou prejuízos de dezenas de bilhões de dólares. A ofensiva atingiu partes da infraestrutura de saúde, ensino e produção do Irã, ampliando os danos sobre a população civil. Para o MST, as acusações usadas pelos Estados Unidos repetem o método empregado contra o Iraque, quando o governo norte-americano alegou a existência de armas de destruição em massa para justificar a invasão de 2003.
O movimento relaciona a agressão ao Irã às demais operações do imperialismo no Oriente Médio. A menção à Palestina situa os ataques dentro de uma campanha mais ampla contra os povos que enfrentam a política dos Estados Unidos e do Estado sionista na região.
Ao prestar solidariedade ao povo iraniano, o MST se coloca ao lado do direito do país à autodeterminação. O texto afirma que nenhuma potência estrangeira tem o direito de decidir o governo, a política interna ou as relações internacionais do Irã por meio de bombardeios, assassinatos e destruição econômica.
A homenagem a Khamenei também registra o significado político do funeral. A participação de dezenas de milhões de pessoas, incluindo as cerimônias realizadas no Iraque, mostrou o alcance regional do dirigente e a disposição da população de responder à agressão estrangeira com mobilização.
O documento conclui reafirmando o compromisso do MST com a luta contra as agressões imperialistas. “A resistência do povo iraniano é uma inspiração para todos os povos que lutam por soberania e autodeterminação”, declarou o movimento.
A nota foi publicada em meio à continuidade dos ataques e das respostas militares do Irã. Ao se pronunciar, o MST tornou pública a solidariedade de uma das maiores organizações populares brasileiras ao povo iraniano e condenou diretamente os governos responsáveis pela guerra.


