A Editora Democritos lançou, na noite desta segunda-feira (13), o livro A evolução do futebol brasileiro através das copas — uma história política, de Juca Simonard. A apresentação foi realizada ao vivo pela Causa Operária TV e contou com a participação do autor, de Henrique Simonard e de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência.
O título tem 380 páginas e parte de uma questão elementar: por que o País que criou o melhor futebol do mundo é tratado, dentro do próprio Brasil, como se tivesse de aprender a jogar com os europeus? Quem acompanhou a Copa de 2026 e ainda não comprou o livro está desperdiçando a melhor oportunidade de entender o que aconteceu com a Seleção Brasileira e por que a campanha contra o futebol nacional se repete há tantas décadas.
O livro começou a ser escrito durante a Copa de 2022. A primeira parte acompanha a chegada do futebol ao Brasil, sua popularização e a formação de uma escola nacional. A segunda vai do pentacampeonato à preparação para 2026, passando pelo êxodo precoce de jogadores, pelo empobrecimento dos clubes, pelo VAR e pelo controle das grandes empresas sobre o esporte.
Sua principal virtude é não tratar a história da Seleção como uma coleção de resultados e curiosidades. O futebol brasileiro nasceu ligado à classe operária, aos jogadores negros, mestiços e pobres que tomaram um esporte importado da Inglaterra e o transformaram em outra coisa. O jogo duro, parado e burocrático deu lugar ao drible, ao improviso, à troca de posições e à liberdade criativa.
Muito do que hoje é apresentado como novidade europeia foi feito antes pelo Brasil. Nílton Santos e Djalma Santos já atacavam pelos lados do campo quando os laterais eram apenas defensores. Zagalo recompunha o meio-campo. Tostão atuava como aquilo que, décadas depois, passou a ser vendido como “falso nove”. A Seleção de 1970 acabou com o futebol rígido de posições fixas. O chamado futebol moderno foi criado aqui.
Essa transformação foi produzida por jogadores surgidos nos bairros operários, nas fábricas, nas várzeas e nos clubes populares. De Friedenreich a Neymar, o Brasil criou uma linha de craques que não existe em nenhum outro país.
O livro mostra também que a ofensiva contra essa escola é tão antiga quanto suas vitórias. Antes de 1958, os “especialistas” diziam que o brasileiro não possuía preparo físico, disciplina nem equilíbrio emocional para ser campeão. Chegaram a apresentar o jogador negro como incapaz de suportar uma Copa do Mundo. Pelé e Garrincha começaram o torneio na reserva. Quando entraram, o Brasil destruiu os adversários e conquistou seu primeiro título.
A cada derrota, a mesma conversa reaparece. O futebol brasileiro “acabou” em 1950, em 1966, em 1982, em 1998, em 2006, em 2014, em 2018, em 2022 e agora em 2026. Acabou tantas vezes que continua sendo o único pentacampeão do mundo, o maior fornecedor de craques da história e uma referência para jogadores de todos os continentes.
O problema nunca foi falta de talento. O Brasil perdeu Copas por erros próprios, mas também foi prejudicado por disputas entre cartolas, campanhas de desmoralização, violência permitida pela arbitragem e operações políticas dentro e fora de campo. Em 1938, a Itália de Mussolini avançou sobre uma Seleção Brasileira superior. Em 1966, Pelé foi caçado em campo. Em 1978, o gol de Zico contra a Suécia foi anulado porque o árbitro encerrou o jogo com a bola viajando para a área. Depois, a Argentina venceu o Peru por 6 a 0 e tirou o Brasil da final pelo saldo de gols.
Em 2014, a campanha contra a Copa e contra a Seleção se combinou à preparação do golpe contra Dilma Rousseff. Neymar sofreu uma joelhada nas costas que poderia ter encerrado sua carreira. O lance nem sequer resultou em expulsão. Sem ele, o time chegou à semifinal sob enorme pressão.
Em 2026, a operação assumiu outra forma. O VAR, apresentado como instrumento de correção, tornou-se mais uma ferramenta para interferir nas partidas. Lances mínimos são examinados quando interessa favorecer Argentina, Inglaterra, França ou outras seleções escolhidas pela FIFA. Quando o prejudicado é o Brasil ou outro país pobre, a tecnologia pode simplesmente desaparecer.
A Copa também tornou mais visível a fabricação de ídolos destinados a diminuir o futebol brasileiro. Durante anos, venderam Lionel Messi como jogador superior a Pelé. Para sustentar essa campanha, foi preciso apagar a diferença entre uma carreira protegida pelo futebol europeu e a trajetória de um brasileiro que ganhou três Copas do Mundo e transformou o esporte.
A competição de 2026 ajudou a derrubar essa fraude. O favorecimento à Argentina ficou tão aberto que a propaganda começou a produzir o efeito contrário. Torcedores passaram a rever decisões de arbitragem e títulos apresentados como indiscutíveis. As cinco conquistas brasileiras passaram a ser ainda mais valorizadas, pois foram obtidas contra adversários violentos e arbitragens hostis.
A obra dedica atenção especial ao saque promovido pelos clubes europeus. Até a década de 1970, os melhores jogadores brasileiros permaneciam mais tempo no País. Depois, a crise financeira dos clubes e o crescimento do capital aplicado ao futebol aceleraram a transferência dos craques. Hoje, olheiros estrangeiros percorrem as categorias de base e retiram jogadores antes mesmo de sua estreia profissional.
Os clubes europeus aparecem como superiores depois de comprarem brasileiros, africanos, argentinos e uruguaios. O chamado futebol europeu depende de atletas formados fora da Europa. O melhor Barcelona do século teve Messi, Suárez e Neymar no ataque. O Liverpool campeão em 2019 jogava com Salah, Mané e Firmino.
Mesmo assim, a escola brasileira continua produzindo os jogadores que inspiram o mundo. Lamine Yamal, Mbappé, Musiala e outros destaques da nova geração apontam Neymar como referência. Enquanto isso, dentro do Brasil, comentaristas apresentam o camisa 10 como um fracasso. A campanha serve para convencer o brasileiro de que seu próprio futebol não vale nada.
Rui Costa Pimenta destacou no lançamento que o conhecimento histórico impede que o torcedor caia nessa fraude. “Toda vez que a Seleção Brasileira é desclassificada na Copa, o futebol brasileiro acabou”, afirmou. A história demonstra o contrário. A Seleção de 1970, hoje tratada como uma unanimidade, foi duramente questionada antes do torneio. Foi ao México e se tornou a maior equipe de todos os tempos.
A evolução do futebol brasileiro através das copas não é um livro para guardar na estante até 2030. É um instrumento para compreender a disputa aberta neste momento. A eliminação diante da Noruega, a campanha contra Neymar, a proteção à Argentina, a ação do VAR e a tentativa de apresentar o futebol europeu como modelo fazem parte de um mesmo problema histórico.
O livro de Juca Simonard entrega os elementos para essa luta. Quem ainda não comprou, irá continuar repetindo os inimigos da Seleção.





