Rui Costa Pimenta afirmou neste sábado (11) que a campanha contra a Seleção Brasileira procura desmoralizar o futebol nacional para transformar o público do País em consumidor dos campeonatos europeus. O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência analisou a eliminação do Brasil na Copa do Mundo durante a Análise Política da Semana, programa exibido todos os sábados, às 13 horas, pela Causa Operária TV (COTV).
Segundo Pimenta, a derrota por 2 a 1 para a Noruega não demonstra qualquer decadência do futebol brasileiro. A Seleção foi superior durante boa parte da partida, criou oportunidades para vencer e acabou eliminada por não aproveitar as chances de gol. A tentativa de transformar esse resultado em prova de que o Brasil deixou de ser o País do futebol faz parte, segundo ele, de uma campanha antiga e organizada.
“O Brasil devia ter ganho aquele jogo. A Seleção Brasileira perdeu vários gols na cara do goleiro. Quem assistiu tira a conclusão de que o Brasil estava melhor do que a Noruega. O fato de a Noruega marcar dois gols foi quase acidental. A conversa de que o futebol brasileiro acabou, ou no mínimo teria de ser completamente reorganizado, aparece todas as vezes que o Brasil perde uma Copa”, disse.
Derrota não acaba com o futebol brasileiro
Pimenta lembrou que equipes superiores também perdem. Citou o Brasil de 1950, a Holanda de 1974 e o Santos de Pelé, que, mesmo sendo o melhor clube do mundo em sua época, não venceu todos os campeonatos que disputou. Segundo ele, essa incerteza faz parte do próprio futebol e impede que uma derrota isolada sirva como balanço de todo o esporte nacional.
O dirigente também contestou o argumento de que os 24 anos sem um título mundial demonstrariam a decadência brasileira. No período, destacou, a Seleção conquistou três edições da Copa América, três Copas das Confederações e dois títulos olímpicos.
“Nesses 24 anos em que dizem que o futebol brasileiro acabou, o Brasil foi três vezes campeão da Copa América, três vezes campeão da Copa das Confederações e bicampeão olímpico. Como é que o futebol acabou? O Brasil não ganhou a Copa do Mundo. Seria preciso analisar por que não ganhou. Falar que, porque não ganhou a Copa em 24 anos, o futebol brasileiro acabou é absurdo”, afirmou.
Como exemplo, Pimenta recordou a Copa das Confederações de 2013, quando o Brasil derrotou a então campeã mundial Espanha por 3 a 0 no Maracanã. No ano seguinte, porém, a Seleção foi eliminada pela Alemanha por 7 a 1, depois de atravessar uma campanha nacional contra a Copa do Mundo e perder Neymar, lesionado violentamente no jogo contra a Colômbia.
Segundo o presidente do PCO, a derrota de 2014 não pode ser separada da ofensiva organizada pela burguesia e pelo imperialismo contra a realização da Copa no Brasil. Ele afirmou que o torneio poderia fortalecer eleitoralmente o PT e que, por esse motivo, uma campanha de grandes proporções foi dirigida contra a competição e contra a Seleção.
Pimenta também recusou explicações que atribuem a eliminação atual ao treinador, ao fato de os jogadores atuarem na Europa ou à religião dos atletas. Para ele, a Seleção criou chances e não marcou. O resultado pode ser explicado por fatores próprios de uma partida, como nervosismo, pressão e falhas individuais, sem que seja necessário inventar uma teoria sobre a destruição do futebol nacional.
Campanha favorece o futebol europeu
O dirigente afirmou que o ataque permanente à Seleção procura transformar o público brasileiro em consumidor do futebol europeu. A desmoralização do campeonato nacional e dos jogadores brasileiros abre espaço para a venda de transmissões, produtos e publicidade ligados aos grandes clubes europeus.
“A nossa preocupação não é elogiar esta ou aquela Seleção. A nossa preocupação é defender o futebol brasileiro da campanha gigantesca que existe contra ele. Por que existe uma campanha sistemática? Antes de qualquer coisa, há um problema econômico. O objetivo é desmoralizar o futebol brasileiro para que os brasileiros sejam consumidores do futebol europeu. É simplesmente isso”, declarou.
Pimenta acrescentou que parte dos jornalistas atua diretamente em favor desses interesses, enquanto outra parcela apenas acompanha a opinião dominante. A repetição de que campeonatos europeus são necessariamente superiores leva o torcedor brasileiro a abandonar os clubes do país e a tratar equipes estrangeiras como centro do futebol mundial.
A campanha também possui, segundo ele, um caráter político. Setores da burguesia brasileira e da pequena burguesia tratam o futebol como atividade inferior, ligada aos trabalhadores pobres. Essa hostilidade aparece no desprezo pelos jogadores que vieram das camadas populares e na exigência de que eles adotem posições políticas aprovadas pelos chamados bem-pensantes.
Pimenta citou os ataques a Neymar por seu apoio a Jair Bolsonaro e recordou as críticas feitas a Pelé por setores da esquerda. Para ele, a posição política de um atleta não determina sua importância para o futebol brasileiro. Pelé integrou o governo de Fernando Henrique Cardoso, Romário tornou-se senador pelo PL e outros grandes jogadores defenderam posições conservadoras, sem que isso apague o que realizaram em campo.
“A defesa do futebol brasileiro é uma defesa do Brasil. Se a pessoa ataca o futebol brasileiro dessa maneira, é evidente que ela não valoriza o país que tem. O futebol é um patrimônio do povo brasileiro, uma conquista que qualquer país do mundo gostaria de possuir”, disse.
O presidente do PCO ligou essa hostilidade ao identitarismo. Segundo ele, essa corrente transforma a história brasileira numa sucessão exclusiva de crimes e rejeita as conquistas nacionais. Em vez de lutar pelas necessidades atuais dos índios, dos negros e dos trabalhadores, seus defensores procuram condenar o país inteiro por acontecimentos de séculos atrás.
Favorecimento à Argentina
Outro ponto do programa foi a arbitragem na partida entre Argentina e Egito. Pimenta afirmou que o Egito jogou melhor e foi prejudicado repetidas vezes. Segundo ele, um levantamento feito após a partida apontou 30 erros graves contra a seleção egípcia.
“O Egito jogou melhor e merecia ganhar. Um cidadão fez um levantamento segundo o qual o juiz cometeu 30 erros graves contra o Egito. Foi uma das coisas mais graves em termos de fraude descarada que eu já vi no futebol”, afirmou.
Pimenta criticou a cobertura da partida, que exaltou Lionel Messi e a virada argentina sem tratar das decisões do árbitro. Para ele, a reação demonstra a força de uma propaganda preparada durante anos para apresentar Messi e a Argentina como expressões máximas do futebol.
O dirigente relembrou as três conquistas argentinas para sustentar que a seleção do país recebeu favorecimentos decisivos. Mencionou a goleada de 6 a 0 sobre o Peru em 1978, o gol de mão de Diego Maradona em 1986 e as decisões de arbitragem que beneficiaram Messi na Copa anterior. Segundo ele, a Argentina é usada como instrumento de propaganda contra o futebol brasileiro e a favor dos interesses que controlam o futebol europeu.
Pimenta também afirmou que Messi, formado e consagrado em clubes europeus, tornou-se garoto-propaganda desse sistema. Com o encerramento de sua carreira, acrescentou, a mesma operação procura transformar Kylian Mbappé no novo grande personagem do futebol mundial.
Liberdade de expressão
Na abertura do programa, Rui Costa Pimenta criticou a posição da esquerda brasileira diante da liberdade de expressão. Ele citou a representação apresentada à Procuradoria-Geral da República por deputadas do PT contra Paulo Figueiredo, Flávio Bolsonaro e posições atribuídas ao Partido Missão acerca do voto feminino.
Pimenta classificou as declarações como direitistas, preconceituosas e impopulares. Ainda assim, afirmou que elas devem ser respondidas pela luta política, não pelos tribunais.
“Eu acho melhor que a pessoa fale o que pensa do que oculte. Se quer dar uma declaração ruim, estúpida, sem sentido ou preconceituosa, que dê a declaração. Aí se discute. Por que a opinião teria de ser reprimida? O sufrágio universal só vai ser defendido pela luta de ideias, não pela polícia”, disse.
Segundo o presidente do PCO, a iniciativa das parlamentares reforça a transformação de opiniões políticas em delitos. Ele relacionou o caso ao projeto de lei contra a misoginia, que poderá levar aos tribunais afirmações que hoje fazem parte do debate público.
Pimenta também citou decisões judiciais baseadas na política identitária e medidas de vigilância na União Europeia. Segundo ele, a fiscalização de mensagens privadas e a instalação obrigatória de câmeras voltadas para motoristas mostram o avanço de um sistema de controle cada vez mais amplo.
“A burguesia mundial e o imperialismo procuram estabelecer um sistema de vigilância, de controle da informação e da opinião que vai se tornando quase absoluto. As pessoas que querem transformar todo tipo de opinião em crime atuam como marionetes desse sistema, sem consciência do que estão fazendo. Amanhã isso cairá sobre a cabeça da esquerda”, afirmou.
Funeral de Khamenei desmente imperialismo
Pimenta também analisou as cerimônias fúnebres do aiatolá Saied Ali Khamenei, líder da Revolução Islâmica. Segundo ele, a participação de dezenas de milhões de pessoas no Irã e no Iraque desmente a afirmação de que a República Islâmica não possui apoio popular.
O presidente do PCO citou a estimativa divulgada por órgãos iranianos de mais de 50 milhões de participantes. Acrescentou que cerca de cinco milhões acompanharam as cerimônias em Carbala e Najaf, no Iraque, e que o cortejo percorreu diversas cidades ao longo de uma semana.
“Eu não vou dizer que sei quantas pessoas estiveram nas ruas. Sei que foi uma coisa imensa. Segundo os órgãos oficiais iranianos, mais de 50 milhões de pessoas saíram às ruas. Se não foram 50 milhões, qualquer número na casa das dezenas de milhões é espantoso. Foi tão gigantesco que é impossível não concluir que a impopularidade da República Islâmica é um mito”, declarou.
Pimenta afirmou que a esquerda brasileira avalia o regime iraniano a partir do modelo liberal imposto pelo imperialismo. A República Islâmica possui instituições próprias, formadas pela revolução de 1979, e não reproduz o sistema político dos países imperialistas. Para ele, essas características permitiram que o Irã resistisse por mais de quatro décadas a golpes, sanções, guerras e operações de desestabilização.
O dirigente recordou uma declaração atribuída a Khamenei durante uma tentativa de derrubar o governo iraniano: “nós não somos liberais. Eles gostariam de acabar conosco como fizeram com Allende no Chile”. Para Pimenta, a frase resume a diferença entre um regime que protege uma revolução e governos que entregam aos inimigos os meios para destruí-los.
“A política liberal é a política do imperialismo. O movimento revolucionário de 1979 não forneceu ao imperialismo as armas para destruir o regime. Quando dizem que o Irã precisa ser democratizado, o que estão propondo é o fim da revolução e a submissão do país aos Estados Unidos”, afirmou.
Pimenta comparou o Irã à Nicarágua sandinista e à Venezuela. Segundo ele, a República Islâmica foi o regime que melhor resistiu à pressão imperialista e manteve sua independência. Também citou o golpe de 2016 no Brasil para mostrar que o sistema liberal não impede a derrubada de um governo eleito quando este contraria, mesmo de forma limitada, os interesses do grande capital.
Banco Master e grandes bancos
Ao comentar o escândalo do Banco Master, Pimenta afirmou que as novas revelações confirmam sua análise de que a ofensiva contra Daniel Vorcaro decorre de um conflito com os grandes bancos. Ele citou a notícia de que Vorcaro encomendou um dossiê sobre dirigentes do Itaú como tentativa de contra-ataque.
Segundo Pimenta, os negócios irregulares do Banco Master e suas relações com integrantes do regime político não explicam, por si sós, a ofensiva que levou à prisão de Vorcaro. O fator decisivo, afirmou, foi o choque com instituições financeiras muito mais poderosas.
Ele também destacou um contrato de R$130 milhões que envolveu o escritório ligado à mulher do ministro Alexandre de Moraes. Para o dirigente, o episódio deveria ocupar o centro das apurações sobre as relações do banco com o Supremo Tribunal Federal, mas recebe menos atenção do que os pagamentos feitos a deputados e outros políticos.
Perseguição aos defensores da Palestina
No bloco dedicado ao sionismo, Pimenta denunciou uma reportagem publicada por um jornal argentino que apresentou o PCO, a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), o Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal) e militantes da causa palestina como integrantes de uma suposta rede antissemita.
Segundo ele, a acusação procura preparar a repressão contra quem defende a resistência palestina. O PCO aparece como o setor mais radical porque apoia o direito do povo palestino de lutar pela libertação de seu território e não se limita a lamentar os massacres cometidos por “Israel”.
“É uma verdadeira campanha de calúnias. Hoje, qualquer um que se levante contra as barbaridades do imperialismo é chamado de terrorista. Os palestinos, nessa visão, não teriam o direito de lutar. E quem apoia essa luta passa a ser acusado de antissemitismo”, disse.
Pimenta lembrou que o partido já responde a uma ação que pede R$240 milhões de indenização por suas posições contra o sionismo. Para ele, a associação entre a denúncia dos crimes de “Israel” e o preconceito contra judeus é uma falsificação destinada a impedir o debate e a defesa da Palestina.
O presidente do PCO também criticou as relações do governo Lula com “Israel”. Citou a autorização para uma associação entre as Forças Armadas, a empresa brasileira Avibras e a fabricante israelense de armamentos Elbit. Segundo ele, o governo condena verbalmente o massacre em Gaza, mas mantém colaboração econômica e militar com o Estado sionista.
“A confusão entre o Estado de ‘Israel’ e o judaísmo já é uma posição sionista. A nossa posição não é apenas denunciar os crimes do sionismo em Gaza. É defender o direito e a luta do povo palestino pela sua libertação”, concluiu.




