O funeral do aiatolá Saied Ali Khamenei demonstrou a força popular da República Islâmica e o erro do imperialismo ao avaliar o Irã como um país enfraquecido. Essa foi a principal análise da edição desta sexta-feira (10) do Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV), realizado em parceria com o Diário Causa Operária (DCO).
A edição, apresentada por Pedro Burlamaqui e Victor Assis, tratou também da retaliação iraniana aos novos ataques norte-americanos e da ofensiva sionista contra organizações de defesa da Palestina no Brasil.
Mais de 40 milhões acompanham funeral
Segundo os dados apresentados, entre 41 e 43 milhões de pessoas participaram, ao longo de quase uma semana, das cerimônias fúnebres de Khamenei no Irã e no Iraque. Apenas em Najaf e Karbala, cerca de 10 milhões acompanharam a passagem do corpo do líder da Revolução Islâmica.
A última cerimônia ocorreu na Mesquita do Imã Reza, em Mashhad, cidade natal de Khamenei. Milhões de iranianos ocuparam as ruas até o sepultamento.
Para Victor Assis, a mobilização destruiu a avaliação do governo Donald Trump de que a República Islâmica estava isolada e sem apoio popular.
“Agora, o funeral de Khamenei vem reforçar ainda mais essa ideia de que é uma loucura mexer com o Irã. Não dá para fazer um negócio desses. Pelo menos não dá nesta etapa. Hoje, do jeito que está, o imperialismo não tem condições. Pelo contrário: se você tem um regime popular dessa forma, e ele é popular justamente por causa da luta anti-imperialista, a agressão imperialista vai tornar o regime mais coeso, mais forte.”
O comentarista afirmou que a capacidade militar iraniana não explica, sozinha, o fracasso dos Estados Unidos e de “Israel”. O elemento decisivo foi a mobilização do povo em defesa da Revolução Islâmica. O imperialismo não encontrou no interior do país uma força capaz de paralisar o governo, sabotar as Forças Armadas ou abrir caminho para a agressão estrangeira.
“Se não foi o maior, sem dúvida foi um dos maiores erros militares da história do imperialismo: o assassinato de Ali Khamenei. O Irã sai daí muito fortalecido, sai da guerra fortalecido, e a luta dos oprimidos também sai fortalecida, porque a resistência no Iraque, a resistência no Líbano e a resistência na Palestina estão levantando a cabeça.”
Victor lembrou que o governo norte-americano já havia recebido uma demonstração do apoio popular à República Islâmica durante as tentativas de promover manifestações contra o governo iraniano no início do ano. Os protestos não chegaram perto de ameaçar o regime e foram combatidos também pela população organizada.
Irã atinge posições norte-americanas
O programa apresentou ainda novos dados sobre a resposta iraniana aos ataques norte-americanos contra cidades do sul do Irã. Segundo o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), mísseis e VANTs atingiram instalações usadas pelos Estados Unidos para concentrar tropas, manter aeronaves e coordenar operações no Golfo Pérsico.
Os ataques alcançaram posições no Barém, Cuaite e Catar. A edição destacou também a base aérea Muwaffaq Salti, conhecida como base de Azraq, na Jordânia. As sirenes foram acionadas no país, e a embaixada dos Estados Unidos em Amã orientou cidadãos norte-americanos a buscar abrigo.
O CGRI advertiu que uma nova agressão receberá uma resposta maior.
“Se o Exército norte-americano repetir sua agressão, nenhuma base norte-americana da região será poupada de nosso fogo intenso”, declarou a organização.
Victor Assis avaliou que, apesar dos novos ataques, não há até agora uma decisão clara dos Estados Unidos de retomar a guerra em grande escala. Ele destacou que Trump, ao mesmo tempo em que anunciou o fim do cessar-fogo, afirmou que as negociações com o Irã continuariam.
“Se o objetivo fosse ir imediatamente para a guerra, por que falar em negociação? Que o cessar-fogo acabou é evidente a partir do momento em que os Estados Unidos atacam. O dado mais importante é Trump dizer que está negociando. Isso mostra que ele quer alguma coisa.”
Segundo o comentarista, o tamanho do funeral de Khamenei passou a pesar nos cálculos do imperialismo. A guerra partiu da avaliação de que o governo iraniano era fraco. A mobilização de dezenas de milhões de pessoas mostrou o contrário.
Sionistas atacam defensores da Palestina
Outro assunto da edição foi um artigo publicado pelo portal argentino La Derecha Diario contra organizações que defendem a Palestina no Brasil. O texto acusou de “antissemitismo” a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), o BDS Brasil, o Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), a Samidoun Brasil, o Fórum Latino-Palestino e o Partido da Causa Operária (PCO).
O artigo também citou Ahmed Shehada, presidente do Ibraspal, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência da República, e João Pimenta.
Para Victor Assis, o texto procura intimidar e entregar à repressão os setores mais ativos da luta contra o sionismo.
“Essa reportagem mostra como o sionismo se sente à vontade para mentir e atuar como polícia. Não procura esclarecer nada. Procura acusar pessoas de um crime que não cometeram e não poderiam cometer. Ao mesmo tempo, mostra o desespero, porque esse dossiê foi publicado justamente quando a posição do PCO, do Ibraspal e dos setores combativos da defesa da Palestina ganha influência.”
O programa abordou também o silêncio de grande parte da esquerda brasileira diante do funeral de Khamenei. Mesmo após vários dias de cerimônias e da participação de dezenas de milhões de pessoas, organizações que se apresentam como socialistas não deram destaque à mobilização.
“Se a esquerda fica alheia ao que o Irã está fazendo e à mobilização em torno da morte de Khamenei, ela perde seu propósito. Quando se retira da esquerda a luta anti-imperialista, sobra a defesa do STF, da chamada democracia e do identitarismo, isto é, a política do imperialismo”, afirmou Victor.




