Rui na TV 247

Rui Costa Pimenta denuncia campanha contra o futebol brasileiro

Presidente nacional do PCO analisou a eliminação da Seleção, a corrupção na Copa, a crise eleitoral, o Banco Master e o funeral de Khamenei

Rui Costa Pimenta contestou o que chamou de “catastrofismo” em torno da eliminação do Brasil da Copa do Mundo. Em sua entrevista semanal à TV 247, transmitida nesta sexta-feira (10), às 13h, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência afirmou que a derrota para a Noruega não prova qualquer decadência do futebol brasileiro. Para ele, a campanha contra a Seleção procura rebaixar o futebol nacional e ampliar no País o mercado dos campeonatos europeus.

“Uma coisa que me chama a atenção no debate sobre a eliminação do Brasil é o prognóstico apocalíptico, catastrofista: ‘o futebol do Brasil acabou’, como se a derrota fosse o fim do mundo. Eu queria contestar essa versão. O Brasil poderia muito bem ter ganhado o jogo. Perdeu várias oportunidades. Se ganhasse, os comentários seriam totalmente diferentes. A imprensa é muito hostil ao futebol brasileiro. É uma imprensa que está comprada pelos europeus. A grande imprensa brasileira é totalmente subserviente aos grandes poderes que atuam no futebol.”

Derrota não encerra o futebol brasileiro

Pimenta lembrou que a Seleção caiu na fase de grupos em 1966, sob os mesmos anúncios de que o futebol brasileiro havia acabado, e conquistou o tricampeonato quatro anos depois. Também citou o Santos da era Pelé. Mesmo muito superior aos adversários, o clube ganhou seis dos dez Campeonatos Paulistas disputados no período mencionado pelo dirigente do PCO.

O mesmo vale para a Copa. O Brasil perdeu o título de 1950 para uma seleção uruguaia inferior, foi eliminado pela Croácia em 2022 depois de abrir o placar e poderia ter vencido a Noruega na atual edição. O mata-mata, destacou, não oferece ao melhor time a oportunidade de se recuperar em outra rodada.

“Você perder um jogo não significa grande coisa. Eu não acho que a seleção brasileira era tão ruim como o pessoal fala. Em todas as Copas a que assisti, o Brasil sempre teve uma seleção competitiva. Se vai ser campeão, é outra história. Inclusive, o Brasil perdeu a Copa com seleções excelentes. Perder um jogo acontece. A Copa é mata-mata: se você perder um jogo, está fora. O Brasil começou com um time meio desorganizado contra o Marrocos, mas se reorganizou nos outros jogos e deu azar contra a Noruega. Não cabe toda essa sociologia, essa futurologia sobre o Brasil. Muito disso é propaganda interesseira. Fazem campanha de propósito contra o futebol brasileiro por uma questão de mercado, de dinheiro.”

Segundo Pimenta, nem sequer é correto concluir que o campeão de uma Copa é necessariamente a melhor equipe. Ele recordou a seleção holandesa que encantou o mundo, mas não conquistou o título, e afirmou que o Brasil já teve o melhor time do torneio em várias ocasiões sem levantar a taça. A atual Seleção, acrescentou, “é um time de qualidade” e poderia ter sido campeã.

‘Jogo de cartas marcadas’

Ao mesmo tempo que ataca o Brasil por sua eliminação, a imprensa ignorou o favorecimento à Argentina no jogo contra o Egito, denunciou Pimenta. O dirigente comparou o caso à Copa de 1978, quando a Argentina precisava de uma larga vitória sobre o Peru para superar o Brasil e marcou seis gols em uma partida cercada por denúncias de compra da equipe peruana.

“O jogo entre Argentina e Egito foi uma trapaça montada a favor da Argentina. Depois que eu vi o jogo, fui ver o que a imprensa falava. Não fala nada. É como se não tivesse acontecido nada. É ‘épico’, é ‘virada’. Torcer por esse tipo de Argentina, de jeito nenhum. Isso é um esquema mafioso e criminoso. O pior é o antifutebol: ter um time privilegiado por um esquema mafioso para ganhar. O Messi também é super favorecido. A Argentina ganhou três Copas e as três foram roubadas. Não dá para torcer por isso.”

Pimenta apontou a interferência pública de Donald Trump para tentar reverter uma punição decorrente de um cartão vermelho como uma pequena amostra do controle político exercido sobre o torneio. Segundo ele, há “corrupção multimilionária” para beneficiar seleções que interessam aos poderosos, entre elas França e Argentina, enquanto o Brasil e todas as equipes africanas foram prejudicados.

“Nós não podemos elogiar o esquemão criminoso, bandido. O caso dos Estados Unidos escancarou que isso tudo é banditismo e corrupção. É muito importante denunciar isso, porque é antiesporte e antifutebol. Tem que entender que não é só o Trump. É que o Trump faz na cara de todo mundo, não tem vergonha. Isso é o imperialismo.”

A seleção iraniana também sofreu dentro e fora de campo. Pimenta denunciou as constantes revistas, as horas de espera nas entradas nos Estados Unidos, a obrigação de viajar repetidamente e os erros de arbitragem contra o Irã. Ele acrescentou que jogadores e até um árbitro de seleções participantes foram impedidos de entrar no país-sede. Para o dirigente, essas medidas interferiram nas condições físicas e no rendimento dos atletas.

Ele apoiou a iniciativa iraniana de processar a FIFA e cobrar uma indenização pelo tratamento recebido.

“Fizeram muito bem, porque isso coloca em evidência o que aconteceu. Você é tratado como criminoso, é injustiçado e não pode ficar quieto. Se algum tribunal internacional vai dar ganho de causa ao Irã, isso depende de muitos fatores políticos, mas seria muito justo.”

Durante o programa, Pimenta também lembrou que o técnico do Egito recebeu um cartão após fazer o gesto usado para denunciar o racismo. Para ele, os argentinos se destacaram como “a torcida mais direitista e mais racista da Copa”.

Na parte final da entrevista, o dirigente associou o favorecimento a Messi aos interesses comerciais que controlam a FIFA. Segundo Pimenta, Gianni Infantino é “um homem dos Estados Unidos e das grandes empresas”, e os privilégios concedidos ao argentino fazem parte de “todo um esquema comercial”.

Banco Master compromete o STF

No debate sobre a situação nacional, Pimenta classificou como um “grande escândalo” as revelações sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e suas relações com o sistema político. Ele chamou a atenção, em particular, para o caso que envolve a mulher do ministro Alexandre de Moraes e para a ausência de reação dos partidos.

“Isso é um grande escândalo nacional. Está meio encoberto pela imprensa e pelos partidos políticos. Vorcaro penetrou muito no sistema político brasileiro. Aparentemente, tinha relação com gente de todos os partidos. É uma coisa impressionante. E o caso de Alexandre de Moraes, apesar de ser muito evidente, não provoca nenhuma grande reação. Mas evidencia que o STF está completamente comprometido.”

Pimenta mencionou ainda a tentativa atribuída a Vorcaro de produzir um dossiê contra o presidente do Itaú. Na avaliação do dirigente, o banqueiro circulou por toda a estrutura de poder e procurou obter material contra diferentes figuras do sistema político.

Ao analisar a saída do PSDB da disputa presidencial, o presidente do PCO considerou o partido um elemento marginal da eleição. Disse ainda que a organização foi destruída pela polarização política e pelos crimes cometidos contra o País.

“O governo FHC foi a pior coisa que aconteceu no Brasil até hoje. Foi um governo que promoveu um retrocesso histórico do País”, afirmou.

Crise na direita pode fortalecer o bolsonarismo

A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos foi definida por Pimenta como uma operação de campanha. O candidato procurou responder às acusações do PT de que apoiava as tarifas norte-americanas e era contrário ao Pix, além de fazer um aceno aos empresários atingidos pelas medidas. “Foi uma manobra inteligente, mas não passa disso”, disse.

Para Pimenta, a disputa aberta por Michelle Bolsonaro é um acontecimento importante na crise da extrema direita. Ele destacou a aproximação da ex-primeira-dama com setores de centro e sua tentativa de apoiar Eduardo Girão, ligado ao Partido Novo, no Ceará, enquanto o bolsonarismo negocia um acordo com Ciro Gomes. Também chamou a atenção para as críticas de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e outros setores neoliberais à candidatura de Flávio Bolsonaro.

“Isso pode dar lugar a uma maior radicalização do bolsonarismo, porque ele está se confrontando com setores da direita mais próximos do mercado financeiro e do centro. Pode provocar uma espécie de depuração no bolsonarismo. Se isso aparecer na eleição para senadores e deputados, pode haver um crescimento do bolsonarismo em detrimento desses partidos de direita que não são bolsonaristas. É uma coisa importante para a configuração do panorama político no próximo período.”

O dirigente ponderou que Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e vários parlamentares eleitos na esteira de Jair Bolsonaro têm pouco espaço político sem o ex-presidente. Por isso, considerou difícil explicar por que essas figuras se arriscam em uma luta interna que ainda não abalou Flávio Bolsonaro. Uma das hipóteses levantadas por Pimenta foi a disputa pelos governos estaduais e pelas vagas no Congresso.

Pimenta também advertiu contra a ideia de que a vantagem de Lula nas pesquisas representa uma recuperação geral do PT. Para ele, a eleição parlamentar do partido tende a ser fraca e o próximo Congresso pode continuar dominado pela direita, com o bolsonarismo como seu principal núcleo.

“O Flávio Bolsonaro pode não ganhar a eleição, mas nós temos que ver como fica o Congresso Nacional. Não é só a eleição presidencial que é importante. Aparentemente, Lula está na dianteira, mas não devemos exagerar a força do PT, pelo contrário. No que diz respeito a deputados e senadores, a eleição do PT vai ser muito fraca. Vai haver um Congresso dominado pela direita, e pode ser que, nessa direita, o núcleo fundamental seja o bolsonarismo. O PL já é a maior bancada individualmente e pode ficar ainda maior.”

Nos estados, acrescentou, o PT cedeu espaço sistematicamente a partidos da direita. No Rio de Janeiro, onde já teve peso expressivo, deve apoiar Eduardo Paes. Pimenta rejeitou qualquer tentativa de apresentar o atual prefeito como um nome da esquerda. Em Pernambuco, apontou, o partido apoia o PSB. No Ceará, enfrentará a máquina política de Ciro Gomes. Na Bahia, as revelações do Banco Master podem atingir Jaques Wagner e Rui Costa durante a campanha.

“O PT abriu mão da maioria dos estados para ver se consegue uma base melhor no Congresso Nacional. Foi cedendo o terreno para outros partidos a tal ponto que hoje não tem presença. No Rio de Janeiro, rifou a presença que tinha e vai apoiar Eduardo Paes, que é um elemento direitista. Não dá para fantasiar Eduardo Paes de esquerda em nenhum sentido da palavra. Em Pernambuco, o PT também apoia o PSB, que é um partido direitista.”

Embora Lula permaneça na frente, Pimenta avaliou que a combinação entre a fragilidade estadual do PT, a ofensiva da direita no Nordeste e o caso Master pode transformar a eleição de 2026 na disputa presidencial mais difícil já enfrentada pelo dirigente petista.

Funeral enterrou os planos do imperialismo

No último bloco, Pimenta analisou as gigantescas manifestações realizadas no Irã durante as cerimônias fúnebres do aiatolá Saied Ali Khamenei. Ele citou as estimativas de dezenas de milhões de participantes divulgadas pela imprensa iraniana e afirmou que as fotografias bastam para comprovar que o País assistiu a uma mobilização “sem paralelo no mundo”.

“Eu tenho certeza absoluta, tanto pelas fotografias como pela análise da situação, de que foi uma gigantesca manifestação sem paralelo no mundo. O assassinato de Khamenei foi um erro inacreditável do imperialismo e do sionismo. Se eles tinham alguma expectativa de mobilizar setores da população iraniana contra a República Islâmica, enterraram isso definitivamente. O próprio Trump falou que achava que Khamenei era odiado pela população, o que mostra que estava totalmente fora da realidade.”

Pimenta lembrou que até a Arábia Saudita, país que mantém uma relação historicamente difícil com o Irã, enviou uma delegação às cerimônias. Para o presidente do PCO, a mobilização produziu uma grande comoção em toda a região e foi uma vitória do governo iraniano. As declarações de Netaniahu contra os participantes, acrescentou, mostraram que o primeiro-ministro de “Israel” está “totalmente fora da realidade”.

“Os iranianos me parecem tranquilos em relação à situação. E o fato de Trump não conseguir sair de lá pode levar a consequências muito ruins para ele e para o imperialismo. Primeiro, há o problema do Estreito de Ormuz. A depender da situação, isso pode levar a uma crise inflacionária muito grande. Por outro lado, a agressividade dos Estados Unidos, bombardeando o Irã, aumenta a radicalização da população em toda aquela região.”

Ao responder a uma pergunta sobre a Lei Pelé, Pimenta defendeu o direito dos jogadores ao próprio passe. Segundo ele, o clube que forma um atleta deve receber sua parte, mas não pode ser dono do jogador: “o feudalismo e a escravidão acabaram há muito tempo”.

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