A recente mobilização convocada pelo presidente colombiano Gustavo Petro, apesar de tardia, marca uma resposta crucial diante da ameaça que se desenha na política colombiana e, por extensão, na América Latina. Com o apoio dos Estados Unidos e de “Israel”, a eleição de Abelardo de la Espriella, figura da direita, foi um golpe contra a soberania e o processo eleitoral do país.
Petro conclamou a população a uma mobilização no dia 20 de julho, Dia da Independência da Colômbia, como forma de resistência à posse de De la Espriella.
A eleição de De la Espriella, ainda que reconhecida como legítima por algumas missões internacionais submissas ao imperialismo, levanta suspeitas devido ao apoio explícito dos Estados Unidos ao candidato direitista, que possui nacionalidade norte-americana e, para obtê-la, jurou fidelidade à Constituição dos Estados Unidos. Petro e seus aliados, como o senador Iván Cepeda, questionam a legitimidade desse governo, acusando-o, corretamente, de preparar o terreno para desmantelar reformas sociais e perseguir adversários políticos.
Os dirigentes da esquerda convocaram a população à desobediência civil contra medidas que possam atacar direitos fundamentais. A intenção é clara: impedir que a Colômbia siga o caminho de outros países da região que, sob governos neoliberais, sofreram com a perda de direitos trabalhistas e sociais.
A situação política na Colômbia torna ainda mais clara a ofensiva mais ampla do imperialismo na América Latina, em meio a uma crise histórica do capitalismo e a importantes derrotas dos países mais ricos no Oriente Médio, com a vitória do Irã, e na Europa, diante da Rússia. Após as vitórias da direita em países como a Argentina e o Equador, a Colômbia representa um novo campo de batalha. Para Petro, não reconhecer passivamente a posse de De la Espriella é um ato necessário para preservar a soberania e os direitos do povo colombiano.
A mobilização convocada por Petro não deve ser vista apenas como uma resistência à posse de um governo de direita, mas como uma defesa dos princípios democráticos e da soberania nacional. A história recente da América Latina mostra que a passividade diante de intervenções externas pode resultar em retrocessos significativos. É fundamental que a mobilização popular não só busque inviabilizar a posse de De la Espriella, mas também crie condições para uma resistência efetiva à ofensiva da direita, como acontece na Bolívia, garantindo que a Colômbia não se submeta a interesses externos em detrimento de seu próprio povo.





