Parceria DCO-COTV

Plantão Irã destaca funeral histórico de Khamenei no Iraque

Programa discutiu prisão de médicos palestinos, funeral de Ali Khamenei e a nova etapa do conflito no Oriente Próximo

Os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã. O assunto foi o eixo da edição desta quarta-feira do Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), inaugurado em 17 de março e transmitido todos os dias, às 16 horas, no canal da COTV.

Apresentado por Victor Assis e Pedro Burlamaqui, o programa discutiu ainda a situação na Palestina, a prisão de médicos pela ocupação sionista, as multidões que participaram do funeral do aiatolá Saied Ali Khamenei e a resposta militar da República Islâmica aos ataques norte-americanos.

A edição começou com a denúncia da prisão do médico Hussam Abu Safia, diretor do hospital Kamal Adwan, na Faixa de Gaza. Segundo Burlamaqui, o médico foi sequestrado pela ocupação sionista em dezembro de 2024, durante uma operação contra o hospital, e está preso há 18 meses. Ele afirmou que Abu Safia corre risco de vida e que outros 14 médicos de Gaza também foram detidos sem acusação.

Assis avaliou que a prisão de médicos não é um episódio isolado, mas parte da política de destruição da população palestina.

“A prisão e o assassinato de médicos não apenas mostram que o ataque é tão generalizado que atinge todo mundo, mas também mostram uma estratégia de aniquilar aquelas pessoas que são responsáveis pela manutenção da vida na Faixa de Gaza. Então as pessoas que têm um papel essencial em divulgar o que está acontecendo na Faixa de Gaza, em recuperar as vidas, recuperar o combate, são alvo prioritário de ‘Israel’.”

Segundo Assis, o mesmo ocorre com os jornalistas assassinados na Faixa de Gaza. Para ele, o objetivo da ocupação sionista é destruir todos os setores que ajudam a população palestina a resistir.

“Os médicos também têm uma função. A prisão dos médicos, o cerco aos médicos, visa fazer com que a infraestrutura hospitalar entre em colapso total, com o cálculo de que isso vai aumentar o sofrimento da população e que, aumentando o sofrimento da população, os palestinos vão se render ou vão fazer uma pressão contra o Hamas para que o Hamas se renda, capitule. Mas é uma política idiota.”

Em seguida, o programa tratou do funeral de Khamenei, cujo caixão chegou a Karbala, no Iraque, cidade de grande importância religiosa para os muçulmanos xiitas. Segundo as informações apresentadas, cerca de quatro milhões de pessoas se concentraram na cidade para acompanhar a cerimônia. O caixão foi carregado pela própria multidão.

Assis destacou que a comoção não se limita ao Irã. Segundo ele, atividades semelhantes em países como Iêmen, Paquistão e em regiões da África também reuniriam multidões.

“A influência do Khamenei, sem dúvida, é muito grande sobre as massas da região. Primeiro lugar pelos feitos, ele é, notavelmente, o pai do Eixo da Resistência. O Eixo da Resistência aparece aí para todos os povos da região como a maior aliança anti-imperialista, a maior aliança de libertação nacional. Acho que só por isso Khamenei já é em si bastante respeitado, bastante admirado.”

Para Assis, o assassinato de Khamenei foi um dos maiores erros do imperialismo. A mobilização popular, afirmou, unificou a população iraniana contra a agressão externa e ampliou o apoio ao Eixo da Resistência.

“Se havia contradições, disputas na sociedade iraniana, elas se dissolveram. Porque a única oposição que a gente vê na sociedade, a única oposição ao regime iraniano está fora do Irã. Por exemplo, o Reza Pahlavi, que também é um cara isolado. No começo da guerra, eles tentaram fazer uma manifestação em favor deles, não foi ninguém. Nem precisou ser reprimida de tão ridícula que foi. E dentro do Irã, a coesão é total, na defesa do país.”

O tema central da edição foi a nova agressão dos Estados Unidos. Segundo Burlamaqui, na madrugada desta quarta-feira, no horário local do Irã, os Estados Unidos bombardearam alvos em Bandar Abbas e Bushehr, no sul do país, região próxima ao Estreito de Ormuz. O ataque matou oito integrantes das Forças Armadas iranianas.

O Irã denunciou que o bombardeio viola o Memorando de Entendimento assinado no mês anterior, na Suíça. O Quartel-General Selo dos Profetas classificou a ação como uma agressão aberta, realizada no momento em que o corpo de Khamenei era recebido no Iraque.

Assis afirmou que ainda é necessário acompanhar os acontecimentos para saber se o governo de Donald Trump pretende romper definitivamente o cessar-fogo. Para ele, uma retomada da guerra total não corresponde aos interesses gerais do imperialismo, pois uma reação iraniana pode atingir duramente a economia mundial e a posição política dos Estados Unidos.

“Se você não vai impor uma derrota grande ao Eixo da Resistência, se você não vai desmantelar o Eixo da Resistência, se você não vai destruir pelo menos um dos seus grupos principais, a guerra só fortalece o Eixo da Resistência, porque mostra a capacidade do Eixo da Resistência de resistir ao imperialismo propriamente. Então você tem um problema político, tem um problema econômico do fechamento do Estreito de Ormuz, do próprio prejuízo dado à indústria de defesa norte-americana e aos aliados também.”

O programa também registrou que, enquanto os Estados Unidos atacavam o Irã, “Israel” bombardeou o sul do Líbano. Segundo a Al Mayadeen, os ataques atingiram Beit Lif e a região entre Brashit e Beit Lif. A artilharia israelense também atacou os arredores de Nabatieh, Alfacoa e Meifadon.

A resposta iraniana veio poucas horas depois. Segundo o gabinete de imprensa do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), as forças naval e aeroespacial do CGRI atingiram 85 pontos de instalações militares dos Estados Unidos na região. Entre os alvos citados estavam o Porto Salman e o 5º Distrito Naval no Bahrein, além da base aérea Ali Al Salem, no Kuwait. Um VANT MQ-9 norte-americano que tentou interferir na operação foi abatido pela Força Aeroespacial iraniana.

Burlamaqui leu uma nota do Quartel-General Selo dos Profetas, que relacionou o ataque norte-americano ao funeral de Khamenei:

“O evento sem precedentes e a presença popular no funeral e despedida do líder mártir da Umá Islâmica infligiram uma humilhante derrota à arrogância global e à criminosa América. O exército terrorista americano, sem qualquer adesão aos seus compromissos, enquanto o corpo imaculado do líder mártir dos muçulmanos e dos povos livres do mundo é recebido pelas autoridades e pelo bravo povo do Iraque, em uma agressão aberta, atacou alguns pontos no sul de nosso amado país, o Irã. As forças armadas da República Islâmica do Irã darão uma resposta esmagadora à agressão e ao ato terrorista dos Estados Unidos, e em nenhuma circunstância permitirão que interfiram nos assuntos do Estreito de Ormuz ou em sua administração.”

A nota afirmou ainda que “a única passagem segura para o trânsito de navios comerciais e petroleiros no Estreito de Ormuz é a rota determinada pela República Islâmica do Irã”.

Assis avaliou que o Irã não está acuado. Segundo ele, a resposta aos ataques norte-americanos reafirma a política de dissuasão da República Islâmica.

“O Irã, a estratégia do Irã é procurar estabelecer sempre um poder de dissuasão, é avisar que se mexerem com a gente vem mais. É uma estratégia defensiva, e eles estão fazendo isso bem, estão demonstrando bastante poder de fogo. Inclusive, uma coisa que foi muito impressionante é que eles não pararam a produção de mísseis durante toda a guerra.”

Na parte final do programa, os apresentadores informaram, ao vivo, novos relatos de explosões no sul do Irã, em Bandar Abbas e Sirik, além da ativação dos sistemas de defesa aérea. Até aquele momento, nem o governo dos Estados Unidos nem o governo iraniano tinham divulgado comunicado sobre os novos acontecimentos.

A edição também abordou as declarações de Trump durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), realizada em Ancara, na Turquia. O presidente norte-americano afirmou que o Memorando de Entendimento com o Irã estava “acabado”, chamou as autoridades iranianas de “pessoas doentes” e atacou o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

Assis afirmou que as declarações de Trump não devem ser tomadas de maneira literal, pois o presidente norte-americano costuma fazer ameaças vagas antes de recuar ou deixar portas abertas para negociações.

“Ele já deu declarações parecidas. Antes de anunciar a primeira trégua, tudo bem que essa trégua foi quebrada várias vezes, mas a partir dessa trégua a situação nunca foi a mesma em termos de conflito, antes de anunciar a primeira trégua, ele falou que ia acabar com a civilização inteira do Irã. Agora é uma declaração semelhante: ‘são a escória, não quero negociar com vocês’. A própria formulação dele é uma formulação bastante vaga.”

No encerramento, Assis lembrou o lançamento do livro A Evolução do Futebol Brasileiro Através das Copas, marcado para sábado, 11 de julho, às 17 horas, no Centro Cultural Benjamin Péret, em São Paulo, logo após a Análise Política da Semana. O evento contará com uma mesa-redonda com Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência.

Também foi divulgado o curso A História do Irã e da República Islâmica, da Universidade Marxista. As primeiras aulas estão disponíveis para os inscritos, e novas aulas ainda serão realizadas. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.

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