Futebol

A campanha suja da imprensa em torno da Copa do Mundo Feminina

Ao invés de apenas promover a modalidade feminina, imprensa busca avacalhar a seleção masculina nessa campanha.

Após a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo deste ano, ganhou maior impulso a campanha de promoção da Copa do Mundo Feminina por parte da imprensa imperialista. O evento ocorrerá entre junho e julho de 2027, no Brasil. Longe de ser uma mera valorização do esporte feminino, a campanha se apoia em uma clara tentativa de desmoralizar o time masculino, o único pentacampeão mundial.

Esse fenômeno repete o que fizeram na Copa de 2014, quando a imprensa inventou uma falsa disputa entre os principais jogadores das equipes masculina e feminina do Brasil: Neymar e Marta. Vale lembrar que Neymar saiu daquela Copa antes do infeliz 7 a 1, após uma violenta agressão do colombiano Zúñiga, que causou uma fratura na terceira vértebra lombar do atacante. Mesmo assim, o jogador foi covardemente avacalhado pela imprensa burguesa nacional.

Um dado que tem sido repetido em diversas matérias é o aumento na procura do público por jogos da Seleção Feminina, com base nos amistosos realizados em junho deste ano contra os Estados Unidos, em São Paulo e Fortaleza.

A informação-chave, contudo, é que o valor dos ingressos em São Paulo oscilou entre 50 e 100 reais (sem considerar os valores de meia-entrada); em Fortaleza, variou entre 30 e 80 reais, mais um quilo de alimento não perecível, com gratuidade para menores de 12 anos. Cabe pontuar que essas são medidas que deveriam ser adotadas inclusive para jogos do futebol masculino, onde o crescente cartel nos valores dos ingressos tem sido um dos principais fatores para afastar os torcedores dos estádios.

Ainda em junho deste ano, o presidente Lula sancionou a Lei nº 15.421, dedicada a essa promoção, sobre a qual cabem muitas observações. Vamos destacar aqui apenas duas:

  • O pagamento de 500 mil reais às jogadoras titulares e reservas das seleções que disputaram o torneio de 1988 e a Copa de 1991;

  • A alteração do calendário escolar de 2027 para que o recesso de meio de ano coincida com o evento.

A título de comparação, em 2014, os jogadores (ou representantes, no caso dos já falecidos) campeões das Copas de 1958, 1962 e 1970 foram premiados com apenas 100 mil reais cada. A desproporção nos valores, diante do histórico desempenho das equipes masculina e feminina, foi justificada como “reparação histórica”, pois a modalidade feminina foi proibida no país entre 1941 e 1979.

No torneio de 1988, as brasileiras conquistaram o bronze. Na Copa de 1991, o time não passou da fase de grupos, marcando apenas um gol. Mais do que um incentivo real à prática do esporte, a premiação aparece para a maioria da população como uma medida demagógica e identitária.

Para a Copa do Mundo de 2014, por exemplo, não foi feita nenhuma alteração no calendário escolar, sendo que o interesse na competição era naturalmente muito maior, pois o futebol masculino é um esporte consolidado há décadas. Essa alteração de 2027 impactará diretamente a rotina das famílias trabalhadoras: sem aulas, os pais precisarão se virar para buscar alternativas para as crianças, o que frequentemente envolve gastos adicionais. Essas discussões, contudo, não foram feitas com a amplitude que o assunto exige.

A diferença técnica e o estágio de desenvolvimento da modalidade

O problema central não tem nada a ver com o fato de o governo dever ou não promover esse tipo de evento, mas com a forçação de barra que fica aparente para a maioria do público. Até porque a imensa maioria das pessoas, homens e mulheres que acompanham futebol, assiste à modalidade masculina. Como esporte, o futebol masculino é muito diferente do feminino, assim como ocorre em qualquer outra modalidade — o que não é necessariamente ruim.

O vôlei feminino, por exemplo, é considerado por muitos torcedores mais interessante do que o vôlei masculino. Justamente pela menor velocidade e explosão física, a modalidade feminina tem mais “ralis”, ou seja, a bola fica em jogo por mais tempo nas disputas, tornando as competições mais emocionantes.

O futebol feminino ainda está se estabelecendo como modalidade esportiva e comercial, o que influencia seu poder de atração de público. Isso impacta profundamente a rentabilidade da Copa do Mundo Feminina, a ponto de termos manchetes deste mês anunciando a projeção de que a próxima edição pode ser a primeira a não dar prejuízo financeiro à Fifa. Uma demonstração nítida da distância comercial entre as competições.

O fato de a seleção feminina dos Estados Unidos ser tetracampeã é um reflexo direto desse estágio inicial da modalidade. A equipe masculina deles costuma chegar, no máximo, às oitavas de final — exceção feita à Copa de 1930, a primeira, realizada no Uruguai, onde foram considerados os terceiros colocados pela Fifa.

A hegemonia norte-americana é fruto de um momento em que a melhor estrutura financeira tem impacto decisivo nos resultados. Enquanto no futebol masculino o talento individual tem mais espaço para se impor contra equipes estruturadas, no futebol feminino ainda predomina o “futebol de escolinha”, onde o melhor preparo físico e o melhor treino de fundamentos têm peso decisivo.

Com o maior desenvolvimento da modalidade, o cenário normal é que a Seleção Brasileira feminina cresça em desempenho — e estaremos, como sempre, torcendo pelo Brasil em 2027. No entanto, é fundamental combater a campanha ideológica que procura usar o futebol feminino como bucha de canhão para desmoralizar a nossa Seleção pentacampeã mundial.

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