O futebol internacional transformou o combate ao racismo em uma de suas principais bandeiras institucionais. Campanhas publicitárias, cerimônias antes das partidas e discursos oficiais tornaram-se parte constante dos grandes torneios organizados pela FIFA. Entretanto, novos episódios de xingamentos contra jogadores demonstram que essas medidas são ineficazes.
As manifestações registradas durante a Copa do Mundo provocaram críticas de atletas, e torcedores, que apontam uma distância significativa entre as campanhas institucionais e a capacidade das entidades esportivas de prevenir ou punir esse tipo de comportamento.
Muitos apontam que existe uma contradição evidente e alegam que, enquanto slogans contra o racismo ocupam lugar de destaque na comunicação oficial, punições severas e medidas estruturais aparecem com menor frequência. E concluem que isso alimenta a percepção de que ações simbólicas acabam recebendo mais atenção do que mudanças capazes de alterar a cultura presente em parte das arquibancadas e das redes sociais. No entanto, deveriam entender que essas “medidas” contra o racismo, ou “homofobia”, etc., são inócuas.
Defensores das iniciativas da FIFA argumentam que o problema ultrapassa o ambiente esportivo e reflete tensões sociais mais amplas. Para eles, campanhas educativas e protocolos disciplinares são instrumentos importantes, ainda que insuficientes para eliminar práticas discriminatórias profundamente enraizadas. Mas se esquecem de considerar que, enquanto prevalecer a divisão de classes, esse tipo de coisa vai continuar acontecendo.
Independentemente da avaliação sobre as medidas adotadas, a recorrência de episódios de xingamentos demonstra que o desafio permanece longe de ser resolvido. O futebol é um esporte que desperta paixões e esse tipo de episódio dificilmente será contido.
Além disso, enquanto se fala tanto em punir racismo, as seleções africanas, que apresentam um futebol alegre e dinâmico, estão sendo visivelmente prejudicadas, especialmente a do Egito, cujo técnico apoia a Palestina. Como todos sabem, os palestinos são vítimas de um Estado onde vigora o apartheid.





