Valéria Guerra

Jornalista (UMESP), historiadora, atriz com DRT-RJ, escritora, colunista do 247, PCO, e do meu site (https://guerraluz.prosaeverso.net/); mestre em Intervenção Psicológica no Desenvolvimento e na Educação; professora do Estado do RJ na cadeira de biologia, poetisa e ativista contra a desigualdade no Brasil e no mundo.

Coluna

A triste realidade do futebol plantation

Talvez nos pés de jogadores como Neymar, Vinícius Júnior e outros talentosos que (ainda) fazem a diferença na esfera futebolística

Onde se escondeu o futebol brasileiro?

Teria ele se transformado apenas em um produto de exportação?

Em meio aos dribles fenomenais do “Anjo das Pernas Tortas”, o Brasil conquistou sua primeira estrela, em 1958, na Suécia.

Quatro anos depois, veio o bicampeonato, no Chile, consolidando a Taça Jules Rimet no imaginário nacional. Em 1966, na Inglaterra, os anfitriões conquistaram o título diante da Alemanha Ocidental, enquanto a Seleção Brasileira foi eliminada ainda na primeira fase.

No México, em 1970, “noventa milhões em ação” embalavam a Seleção Canarinho rumo ao tricampeonato. O sonho tornou-se realidade quando o capitão Carlos Alberto Torres ergueu a Taça Jules Rimet, que passou a pertencer definitivamente ao Brasil.

Entretanto, enquanto o futebol encantava o mundo, a população convivia com a censura, a repressão e a tortura impostas pela ditadura militar. O nacionalismo também se refletia no esporte: a maioria dos jogadores retornava aos clubes brasileiros após a Copa do Mundo, fortalecendo o campeonato nacional.

A partir da década de 1990, contudo, a exportação de jogadores brasileiros intensificou-se de maneira contínua. O país deixou de ser apenas o “país do futebol” para assumir, cada vez mais, o papel de fornecedor de matéria-prima humana para os grandes centros econômicos do esporte.

Chegamos, assim, à triste realidade do futebol plantation: atletas formados em solo brasileiro, lapidados por clubes nacionais e exportados precocemente para alimentar uma indústria bilionária sediada, em sua maior parte, no exterior. O espetáculo cede espaço ao mercado; a paixão, aos contratos; e a identidade nacional, aos interesses financeiros.

Espetáculo melancólico, como o apresentado no último domingo de julho, dia 5, em Nova York, evidencia o peso histórico da camisa da Seleção Brasileira e, ao mesmo tempo, revela sua submissão à lógica do mercado global. O futebol transformou-se em mercadoria, e o Brasil, outrora protagonista de um estilo único, parece ter assumido o papel de grande exportador de talentos para o império do futebol-negócio.

A pergunta permanece: onde se escondeu o futebol brasileiro?

Talvez nos pés de jogadores como Neymar, Vinícius Júnior e outros talentosos que (ainda) fazem a diferença na esfera futebolística.

* A opinião dos colunistas não refletem, necessariamente, a deste Diário.

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