A imprensa esportiva “brasileira” — leia-se, a que escreve em português, fala sobre o Brasil, mas é orientada pelso Estados Unidos — descobriu que Carlo Ancelotti é o pior técnico do mundo. Convocou Neymar, colocou Neymar em campo, não colocou Endrick, fez isso, não fez aquilo. O italiano agora está na lista dos grandes culpados pela eliminação da Seleção.
Justiça seja feita, Ancelotti não é o maior dos culpados. Há, naturalmente, técnicos brasileiros que poderiam ter sido mais bem sucedidos nesta Copa. No entanto, o maior problema é que, para a imprensa, Ancelotti não foi “europeu” o suficiente.
Ainda que seja estrangeiro, Ancelotti tem personalidade. Ele estava no comando de um dos times mais ricos do mundo, o Real Madri. Por isso, ainda que seja estrangeiro, ainda que tenha muitos negócios em comum com o grande capital, ele tem uma autonomia maior que parte dos técnicos que passaram antes pela Seleção. Wagner Diniz, ainda que excelente do ponto de vista técnico, ficou marcado por denúncias de que a CBF não permitia que ele escalasse o time.
O grande responsável pela eliminação do Brasil é o grande capital. É essa máquina que compra juízes, zagueiros açougueiros e jornalistas venais. Perto deles, Ancelotti é um mal muito menor. Ele, inclusive, não se dobrou à campanha contra a participação de Neymar na Copa e ainda conseguiu fazer com que o time evoluísse e ficasse cada vez mais ofensivo. A Noruega teve maior posse de bola, mas o Brasil não jogou na retranca. A bola não entrou por azar da Seleção.
Agora que o Brasil foi eliminado, cai por terra toda a farsa da campanha pelo técnico estrangeiro. Não era essa solução?
Obviamente, os jornalistas venais anti-Brasil não irão voltar atrás. Não irão clamar por um técnico brasileiro — a não ser que planejem colocar um determinado técnico que seja um capacho dos monopólios europeus. Por isso, a pressão sobre Ancelotti, por isso a renovação do contrato. Já que não é possível trocar a nacionalidade do técnico, que pelo menos ele seja pressionado ao máximo para se adaptar à politicagem da CBF.





