Os Estados Unidos foram eliminados da Copa do Mundo de 2026 nesta terça-feira (7), ao perderem por 4 a 1 para a Bélgica, no Lumen Field, em Seattle, pelas oitavas de final. A derrota ocorreu em casa e encerrou a campanha norte-americana em meio à crise provocada pela liberação de Folarin Balogun, que deveria cumprir suspensão automática após ter sido expulso na fase anterior.
A Bélgica teve menos posse de bola, 43% contra 57%, mas foi muito superior naquilo que decidiu a partida. A seleção belga finalizou 15 vezes, acertou sete no gol e aproveitou os erros dos Estados Unidos. Os norte-americanos chutaram apenas seis vezes, com duas finalizações certas.
Charles De Ketelaere foi o principal jogador da partida, com dois gols. Hans Vanaken e Romelu Lukaku completaram a goleada. Malik Tillman marcou o único gol dos Estados Unidos, em cobrança de falta.
Bélgica abre cedo e controla o placar
Aos nove minutos, Nicolas Raskin ficou com a bola dentro da área e rolou para De Ketelaere, que bateu rasteiro para abrir o placar. Os Estados Unidos chegaram ao empate aos 31 minutos, quando Balogun foi derrubado por Brandon Mechele na entrada da área. Tillman cobrou a falta de perna direita, a bola desviou na barreira e enganou Courtois.
A reação durou pouco. Dois minutos depois, De Ketelaere marcou novamente e colocou a Bélgica em vantagem ainda no primeiro tempo. Na etapa final, aos 12 minutos, Hans Vanaken fez 3 a 1 e deixou os belgas em situação confortável.
Os Estados Unidos ainda tiveram uma oportunidade importante com Balogun. O atacante avançou sozinho após nova falha de Mechele, mas parou em Courtois, que fez a defesa e impediu que os norte-americanos voltassem ao jogo. Já nos acréscimos, Lukaku, que havia entrado aos 22 minutos do segundo tempo, aproveitou erro na saída de bola dos Estados Unidos, levou para o meio da área e bateu colocado de direita. Foi o gol de número 92 do atacante pela seleção belga, da qual é o maior artilheiro.
A interferência de Trump
A partida foi marcada pela polêmica envolvendo Balogun, Trump e a FIFA. O atacante havia sido expulso contra a Bósnia e Herzegovina e, pela regra, deveria cumprir suspensão automática contra a Bélgica. No entanto, a FIFA suspendeu a aplicação da punição, permitindo que o jogador entrasse em campo.
Segundo o jornalista britânico Ben Jacobs, a Casa Branca ligou para a FIFA e pediu ao presidente da entidade, Gianni Infantino, que revisse a punição. No domingo, Trump agradeceu publicamente à FIFA pela decisão, em publicação na rede Truth Social, dizendo que a entidade havia corrigido “uma grande injustiça”. O árbitro que expulsou Balogun na partida contra a Bósnia foi o brasileiro Raphael Claus, atacado por Trump, que o chamou de “um pouco suspeito”. Pierluigi Collina, chefe da arbitragem da FIFA, saiu em defesa de Claus.
A FIFA usou o Artigo 27 de seu Código Disciplinar, que permite suspender total ou parcialmente a execução de uma medida disciplinar. O cartão vermelho não foi anulado, mas a suspensão automática ficou inativa por um período probatório de um ano. A entidade já havia usado expediente semelhante para permitir que Cristiano Ronaldo disputasse a estreia de Portugal, após adiamento de parte de sua punição.
A decisão provocou reação internacional. A UEFA afirmou que a FIFA “ultrapassou uma linha vermelha” e classificou a medida como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”. A Real Associação Belga de Futebol disse que a decisão contradizia o regulamento e apresentou recurso de emergência. O técnico belga Rudi Garcia declarou que pensou se tratar de brincadeira. Wayne Rooney chamou a decisão de “vergonha absoluta”, enquanto Piers Morgan disse que o caso poderia entrar para a história como o maior escândalo da Copa.
França e Inglaterra também passaram a pedir anulação ou suspensão de cartões aplicados a seus próprios jogadores, invocando o mesmo tratamento dado a Balogun.
Em campo, o jogador beneficiado pela decisão participou do lance do gol norte-americano, ao sofrer a falta convertida por Tillman, mas perdeu a melhor chance dos Estados Unidos na etapa final. A goleada eliminou os donos da casa e classificou a Bélgica, que volta às quartas de final depois de ter caído na fase de grupos em 2022.
Espanha elimina Portugal no fim
No outro jogo da chave, a Espanha venceu Portugal por 1 a 0 no AT&T Stadium, em Arlington, na região de Dallas, diante de 70.649 pessoas. O gol foi marcado por Mikel Merino, aos 46 minutos do segundo tempo.
A partida teve muita disputa no meio-campo. A Espanha teve mais posse de bola, 56%, e terminou com 15 finalizações, contra 10 de Portugal. Apesar do domínio espanhol em boa parte do jogo, Portugal fez sua melhor apresentação na competição diante de um dos adversários mais fortes do torneio.
No primeiro tempo, Oyarzabal teve boa chance aos oito minutos, após passe de Dani Olmo, mas bateu para fora. Cristiano Ronaldo respondeu aos 12, em finalização defendida por Unai Simón. Aos 16, Lamine Yamal obrigou Diogo Costa a fazer boa defesa, e o goleiro português ainda salvou o rebote de Álex Baena.
Portugal voltou a ameaçar aos 37 minutos. Pedro Neto cruzou, João Félix completou para defesa de Unai Simón, e Cristiano Ronaldo também parou no goleiro espanhol. Na sequência, Nuno Mendes arriscou da intermediária, a bola desviou e bateu no travessão. Bernardo Silva ainda cabeceou perto da trave.
O segundo tempo teve menos intensidade, até a Espanha aumentar a pressão nos minutos finais. Merino entrou aos 39 minutos e decidiu seis minutos depois. Ferran Torres encontrou o meio-campista dentro da área, e ele bateu no canto, na saída de Diogo Costa.
O resultado marcou a despedida de Cristiano Ronaldo das Copas do Mundo. O atacante português disputou seis edições do torneio e encerrou sua participação com 11 gols em 27 partidas. Seu primeiro gol em mata-mata de Copa havia saído apenas na fase anterior, na vitória por 2 a 1 sobre a Croácia.
Com os resultados, Bélgica e Espanha se enfrentam nas quartas de final nesta sexta-feira, às 16h de Brasília, no SoFi Stadium, em Los Angeles.





