Milhões de pessoas tomaram as ruas de Teerã nesta segunda-feira (6) para acompanhar a procissão funerária do Aiatolá Saied Ali Khamenei, Líder da Revolução Islâmica assassinado em 28 de fevereiro em um ataque conjunto dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã.
O caixão de Khamenei foi levado em cortejo pela capital iraniana em direção à Praça Azadi. Segundo os organizadores, o trajeto tem cerca de 10 quilômetros, passando pela rua Damavand, pela Praça Imam Hussein, pela avenida Enqelab, pela Praça Enqelab, pela avenida Azadi, pela Praça Azadi e pela rodovia Xahid Laxgari, próxima ao aeroporto de Mehrabad.
A procissão começou após dois dias de cerimônia pública no Mosala Imam Khomeini, em Teerã, onde multidões passaram pelo local para se despedir do dirigente iraniano. No domingo (5), o aiatolá Jaafar Sobhani conduziu as orações fúnebres por Khamenei e por integrantes de sua família mortos no mesmo ataque: seu genro, Mesbah-ul-Hoda Bagheri-Kani; sua nora, Zahra Haddad-Adel; sua neta Zahra Mohammadi-Golpayegani, de 14 meses; e sua filha, Seyyedeh Boshra Hosseini-Khamenei.
A imprensa iraniana informou que milhões de pessoas vieram de diversas regiões do país para participar da despedida. Vestidos de preto, os manifestantes carregaram bandeiras do Irã, retratos de Khamenei e faixas exigindo punição aos responsáveis pelo assassinato.
O presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni Ejei, estiveram entre as autoridades que acompanharam a procissão. Também participaram representantes das Forças Armadas, da Guarda Revolucionária Iraniana, dirigentes religiosos e delegações estrangeiras.
Segundo o general Hassan Hassanzadeh, comandante da Guarda Revolucionária na Grande Teerã, a etapa da capital deve ser encerrada às 17 horas, no horário local. Em seguida, o corpo de Khamenei será levado para a cidade sagrada de Qom antes da oração do Maghrib.
O Ministério dos Transportes do Irã informou que 400 ônibus e seis trens foram destinados ao deslocamento de participantes das cerimônias. As autoridades iranianas estimam que entre 15 milhões e 20 milhões de pessoas devem participar dos atos ao longo dos seis dias de homenagens.
As homenagens continuam nesta terça-feira (7), em Qom, uma das principais cidades religiosas do Irã. Na quarta-feira (8), o corpo de Khamenei será levado ao Iraque, onde ocorrerão cerimônias em Najaf e Carbala.
De acordo com a imprensa iraniana, Pezeshkian, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, e o filho mais velho de Khamenei participarão das cerimônias no Iraque. Correspondentes da emissora Al Mayadeen informaram que os preparativos em Najaf foram concluídos e que as cerimônias iraquianas começarão às 6 horas de quarta-feira.
O enterro está marcado para quinta-feira (9), em Maxade, cidade natal de Khamenei, no nordeste do Irã. Conforme sua vontade, ele será sepultado no santuário do Imam Reza, o oitavo imã xiita.
As cerimônias também reuniram representantes de governos e organizações de diversos países. Entre os presentes estão o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif; o ex-presidente russo Dmitri Medvedev, enviado pelo presidente Vladimir Putin; representantes da China e da Índia; e delegações de países como Iraque, Turquia, Catar, Omã, Arábia Saudita, Nicarágua e Mianmar.
Organizações da resistência palestina e libanesa também enviaram representantes. Hamas, Hesbolá e dirigentes afegãos participaram das homenagens realizadas em Teerã.
Durante os atos, o comandante do Exército iraniano, major-general Amir Hatami, afirmou que os Estados Unidos e “Israel” pagarão “pelo sangue do líder martirizado e de todos os mártires da nação”. O almirante Habibollah Sayyari, vice-comandante das Forças Armadas, declarou que as forças iranianas renovam o compromisso com o caminho de Khamenei.
Nesta segunda-feira (6), o dirigente do Hamas Osama Hamdan afirmou que o compromisso de Khamenei com a causa palestina foi “sem paralelo” na história recente. A declaração foi dada à emissora árabe Al Alam.
“Durante todos esses anos, seu compromisso com a causa palestina, como princípio fundamental e luta justa contra a falsidade, foi sem paralelo e esteve muito além do apoio convencional”, disse Hamdan.
O dirigente palestino afirmou que Khamenei nunca recuou em seu apoio à resistência palestina, mesmo nos períodos mais difíceis. Segundo ele, o Líder da Revolução Islâmica via a Palestina como elemento de unidade do mundo muçulmano.
“Ele sempre acreditou que a Palestina tem a força para unir a Ummah e desempenhar um papel decisivo no enfrentamento das conspirações adversárias voltadas a semear a divisão e impor a fraqueza”, afirmou.
Hamdan também declarou que Khamenei tinha uma posição particular sobre a operação Dilúvio de Al-Aqsa, realizada em 7 de outubro de 2023 contra “Israel”. Para o dirigente do Hamas, o líder iraniano considerava a operação um ponto de virada na história da comunidade islâmica e um acontecimento favorável à luta palestina.
“O martírio deste grande líder, embora seja uma perda dolorosa, marca o desfecho digno de uma longa trajetória de firmeza na defesa dos direitos do povo palestino”, disse Hamdan.





