Henrique Áreas de Araujo

Militante do PCO, é membro do Comitê Central do partido. É coordenador do GARI (Grupo por Uma Arte Revolucionária e Independente) e vocalista da banda Revolução Permanente. Formado em Política pela Unicamp, participou do movimento estudantil. É trabalhador demitido político dos Correios e foi diretor da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios)

Coluna

Cabo Verde: heróis dos oprimidos

Se o Brasil tivesse empatado com Cabo Verde, seríamos a pior Seleção e o pior futebol do mundo

O jogo entre Argentina e Cabo Verde vai ser uma boa oportunidade para entender o comportamento da imprensa “brasileira”. Tenho certeza de que o principal destaque será o “heroísmo” de Cabo Verde, que realmente teve um comportamento heroico nessa Copa, e não os defeitos da Argentina.

O futebol é um esporte em que nem sempre o melhor vence. Está claro que a Argentina, até pela sua tradição, é um time superior ao de Cabo Verde, mas o verdadeiro sufoco que tomou de uma seleção estreante em Copas, sem nenhuma tradição, mostra claramente uma coisa: a Argentina não é tudo isso que a propaganda da imprensa vem falando.

No entanto, estou certo de que a opinião predominante dos principais jornais “brasileiros” não será essa. Não será a de que a Argentina e sua estrelinha, Messi, mostraram fragilidade.

E é esse ponto que serve para analisar a imprensa, comparando com o comportamento diante dos resultados da Seleção Brasileira. O Brasil, na estreia da Copa, ou seja, em um jogo difícil por natureza, empatou com o semifinalista da última Copa, Marrocos.

A imprensa “nacional” prontamente apontou todos os defeitos reais ou imaginários da Seleção. Depois, o Brasil goleou o Haiti por 3 a 0, com gols anulados, e as manchetes destacaram um suposto “sufoco” sofrido pelo Brasil.

A mesma coisa depois dos 3 a 0 contra a Escócia, uma seleção fraca, sim, mas que tem alguma tradição, além de ser da escola europeia de futebol.

Contra o Japão, seleção que, no papel e na prática, é bem melhor que a de Cabo Verde, o Brasil dominou o jogo, mas teve dificuldades para furar o paredão da retranca japonesa, fazendo gol no final do jogo. Qual tem sido o comportamento da imprensa “nacional”?

Jogar merda na Seleção Brasileira, arranjar críticas e defeitos imaginários. Enquanto isso tudo acontecia, a imprensa “brasileira” se dedicava a rasgar elogios à Argentina e à França. Tudo de perfeito são eles — e outras seleções até já eliminadas —, tudo de ruim somos nós.

Empatar com Cabo Verde e sofrer para ganhar na prorrogação pode acontecer com qualquer seleção, e essa é a magia do futebol. Cabo Verde sem dúvida fez história, inclusive mereceu vencer. Não é isso que quero destacar.

Quero destacar a diferença gritante de comportamento de “nossa” imprensa, que, na realidade, é ditada pelos interesses imperialistas e, por isso, se dedica a denegrir a maior preciosidade de nossa nação, que é o futebol, enquanto elogia sem freios os xodós do imperialismo.

Se o Brasil tivesse empatado com Cabo Verde, seríamos a pior Seleção e o pior futebol do mundo. Estaríamos mortos para o esporte que ensinamos o mundo a jogar. Para quem tem dúvida, tem sido assim desde o início da Copa, não importa o resultado e o adversário que enfrentamos.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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