Oriente Próximo

Turquia alerta contra acordos do Líbano com ‘Israel’

Governo turco acompanha negociações envolvendo Líbano, Chipre e o enclave sionista, diante do risco de alterar o equilíbrio regional

A Turquia acompanha de perto os acordos que o governo libanês negocia com “Israel” e Chipre, segundo informações divulgadas pelo canal libanês Al Mayadeen. De acordo com fontes ouvidas pelo canal, o governo turco avalia que essas negociações podem alterar o equilíbrio regional e afetar seus interesses estratégicos no Oriente Médio.

As fontes afirmaram que a Turquia observa principalmente as consequências que um eventual acerto envolvendo o Líbano e “Israel” pode ter sobre toda a região. Para o governo turco, qualquer entendimento dessa natureza não pode ser firmado sem levar em conta os interesses dos países que exercem influência direta na situação regional.

A posição turca se volta contra acordos unilaterais, isto é, firmados sob pressão dos Estados Unidos e de “Israel”, sem levar em consideração o conjunto das forças que atuam no Oriente Médio. Segundo as fontes ouvidas por Al Mayadeen, a preocupação central da Turquia é impedir que tais medidas criem um desequilíbrio estratégico em favor do enclave sionista e do imperialismo norte-americano.

O correspondente do canal libanês afirmou que a Turquia trata o Líbano como parte de uma estrutura de segurança interligada, que vai de Gaza a Beirute, passa por Teerã, Damasco e chega à Anatólia. A formulação mostra que, para o governo turco, o problema não é apenas libanês, mas regional.

A avaliação turca indica também uma preocupação crescente com a necessidade de organizar uma estrutura de segurança entre os principais países da região. Isto ocorre no momento em que os Estados Unidos procuram impor acordos que favorecem “Israel” e isolam as forças que resistem à presença sionista e imperialista no Oriente Médio.

A declaração ocorre após o anúncio, feito pelos Estados Unidos em 26 de junho, de um acordo de “estrutura” entre o Líbano e “Israel”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, tratou o acordo como uma conquista, ao mesmo tempo em que deixou claro que a ocupação do sul do Líbano continuará.

A contradição é evidente. O acordo foi apresentado como um passo diplomático, mas “Israel” mantém tropas em território libanês. Na prática, o documento serve para dar cobertura política à ocupação e para tentar forçar o Líbano a aceitar condições impostas pelo inimigo.

O anúncio provocou forte reação dentro do Líbano. Parlamentares, dirigentes partidários e autoridades religiosas denunciaram o acordo como juridicamente inválido e como uma ameaça direta à soberania nacional. Também ocorreram manifestações em várias regiões do país contra a medida.

A rejeição tem uma base concreta. Desde o início da guerra contra Gaza, “Israel” ampliou seus ataques contra o Líbano, especialmente contra o sul do país, onde atua o Hesbolá. Mesmo diante de negociações patrocinadas pelos Estados Unidos, o enclave sionista continuou a atacar território libanês e a manter áreas ocupadas.

O governo libanês, pressionado pelos Estados Unidos, procura abrir negociações que são vistas por amplos setores do país como uma concessão a “Israel”. Para o Hesbolá e para os setores nacionais libaneses, qualquer acordo que aceite a ocupação ou limite o direito de resistência fortalece o inimigo.

O alerta turco mostra que a questão libanesa ultrapassa as fronteiras do país. A guerra em Gaza, os ataques ao Líbano, a pressão contra a Síria, a ofensiva contra o Irã e a disputa no Mediterrâneo oriental formam um mesmo processo de tentativa de recomposição da dominação imperialista na região.

Chipre também aparece nesse quadro por sua posição no Mediterrâneo oriental. A ilha tem importância militar e geográfica para as potências ocidentais e para “Israel”. Qualquer acordo envolvendo Chipre, Líbano e o enclave sionista pode afetar diretamente as rotas marítimas, a segurança regional e a correlação de forças no Mediterrâneo.

A Turquia, que disputa influência no Mediterrâneo oriental e mantém uma política própria em relação à Síria, ao Cáucaso e ao Oriente Médio, não aceita ficar fora de decisões que podem alterar a situação estratégica da região. Por isso, acompanha de perto os acordos impulsionados pelos Estados Unidos.

A crise em torno do Líbano confirma que os acordos patrocinados pelo imperialismo não têm como objetivo garantir a soberania dos países árabes. Seu objetivo é preservar “Israel”, conter a resistência e reorganizar a região em favor dos interesses norte-americanos.

A reação libanesa e a preocupação turca indicam, no entanto, que essa política encontra resistência. A tentativa de impor um acordo ao Líbano enquanto o sul do país permanece ocupado por “Israel” tende a aumentar a crise, não a resolvê-la.

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