A imprensa israelense começou a reconhecer abertamente o fracasso militar e político de “Israel” após 1.000 dias de guerra contra o povo palestino. Segundo a emissora israelense Canal 13, o enclave sionista não conseguiu uma única vitória decisiva depois de quase três anos de combates em várias frentes.
A avaliação foi reproduzida pelo canal libanês Al Mayadeen, que destacou a crescente crítica interna em “Israel” aos resultados da guerra em Gaza, no Líbano, no Iêmen, na Cisjordânia, na Síria e, mais recentemente, contra o Irã.
O Canal 13 reconheceu que o Irã saiu da guerra em posição mais forte, com maior legitimidade internacional e com sinais de recuperação econômica. A mesma emissora admitiu que a guerra impôs custos humanos, econômicos e psicológicos muito altos a “Israel”, além de enfraquecer sua posição regional e internacional.
Segundo o canal israelense, a condução da guerra contra o Irã também prejudicou uma das principais bases estratégicas do enclave sionista: sua relação com os Estados Unidos. A guerra, apresentada pelo governo de Benjamin Netaniahu como uma demonstração de força, terminou mostrando os limites militares e políticos de “Israel”.
O Canal 12, outro órgão da imprensa israelense, também afirmou que, apesar das promessas de “vitória total”, “Israel” enfrenta um fracasso absoluto em todas as frentes abertas desde 7 de outubro de 2023.
No caso do Irã, a emissora reconheceu que o governo não caiu, o programa nuclear não foi destruído e a capacidade de lançamento de mísseis não foi eliminada. No Líbano, acrescentou, “Israel” pagou um preço elevado na guerra contra o Hesbolá.
A emissora Kan avaliou que o fracasso iniciado em Gaza se espalhou para todos os teatros da guerra: Líbano, Síria, Iêmen, Cisjordânia e Irã. A avaliação reforça aquilo que já aparece nos fatos. “Israel” não conseguiu destruir a resistência palestina, não conseguiu impor uma derrota ao Hesbolá, não conseguiu interromper a intervenção do Iêmen contra os navios ligados ao enclave sionista e tampouco conseguiu impor sua vontade ao Irã.
O portal israelense Zman Yisrael foi ainda mais direto. Segundo o órgão, não há na história de “Israel” um fracasso comparável, em escala e consequências, à crise atual da doutrina de segurança conduzida por Netaniahu ao longo dos anos.
O portal afirmou que o apoio internacional a “Israel” está se deteriorando, enquanto pontes tradicionais com setores de apoio nos Estados Unidos estão sendo queimadas. O projeto sionista, segundo a própria imprensa israelense, tornou-se cada vez mais isolado no cenário internacional.
Para o Zman Yisrael, Netaniahu levou “Israel” a uma “catástrofe estratégica”. A expressão é significativa porque parte da própria imprensa do enclave. Depois de 1.000 dias de massacre contra Gaza, de ataques ao Líbano, à Síria, ao Iêmen e ao Irã, o saldo reconhecido pelos próprios israelenses é de isolamento, desgaste militar e crise política.
As organizações da resistência palestina também marcaram o milésimo dia do genocídio em Gaza com uma declaração conjunta. No documento, afirmaram que “Israel” fracassou em alcançar seus objetivos militares, em particular o deslocamento forçado e a expulsão da população palestina.
As organizações reconheceram a destruição gigantesca causada por “Israel” e a catástrofe humanitária imposta à Faixa de Gaza, mas afirmaram que a vontade do povo palestino não foi quebrada.
“O confronto com o sistema colonial sionista, norte-americano e ocidental, armado com todo tipo de arma, não derrotou o espírito do povo palestino”, diz a declaração. “A chama da resistência acesa por Gaza e seu dilúvio já não pode ser apagada.”
As organizações palestinas afirmaram que a Operação Dilúvio de al-Aqsa, realizada em 7 de outubro de 2023, foi um capítulo decisivo de uma luta iniciada em 1948, e não o ponto inicial da guerra. A resistência ressaltou que a operação foi uma resposta aos crimes contínuos de “Israel” em Gaza, na Cisjordânia ocupada e em al-Quds, além do bloqueio e da expansão dos assentamentos.
A declaração também rejeitou qualquer tentativa de apresentar a operação de 7 de outubro como origem da guerra. Segundo as organizações, os crimes do inimigo “nunca cessaram por um único dia”. A resistência reafirmou o direito do povo palestino de resistir em todas as formas, especialmente na Cisjordânia, em al-Quds e nos territórios ocupados em 1948.
No terreno político interno, as organizações palestinas rejeitaram qualquer tutela estrangeira sobre o povo palestino. Afirmaram que a gestão da Faixa de Gaza é uma questão exclusivamente palestina e defenderam a entrada imediata de um comitê administrativo tecnocrático no território, junto com a abertura de um diálogo nacional amplo.
O objetivo, segundo a declaração, é estabelecer uma verdadeira parceria política, tratar os principais problemas nacionais e reconstruir as instituições palestinas, incluindo a Organização para a Libertação da Palestina, de modo que ela represente todos os palestinos.
As organizações também defenderam uma posição árabe e islâmica central em favor de um cessar-fogo completo, com pressão política e mobilização popular contra todas as formas de normalização com “Israel”.
Ao fim da declaração, as organizações saudaram os mártires, “em especial os dirigentes e combatentes em Gaza, na Cisjordânia, no interior ocupado e em todas as frentes de apoio, cujo sangue se misturou ao sangue do povo palestino”.
A avaliação feita pela própria imprensa israelense confirma que, depois de 1.000 dias, “Israel” não conseguiu impor a derrota à resistência. O enclave sionista ampliou a guerra, envolveu diretamente os Estados Unidos e atacou várias frentes ao mesmo tempo. O resultado, admitido por seus próprios órgãos de imprensa, é o enfraquecimento político, o desgaste militar e o isolamento cada vez maior do sionismo.




