O primeiro dia de despedida pública do Aiatolá Saied Ali Khamenei, Líder da Revolução Islâmica assassinado pelos Estados Unidos e por “Israel”, reuniu uma multidão neste sábado (4), no Grande Mosalla Imam Khomeini, em Teerã. A cerimônia começou ainda nas primeiras horas do dia e continuará até domingo, antes do cortejo principal, marcado para segunda-feira na capital iraniana.
A mobilização popular foi apresentada pelas autoridades iranianas como uma demonstração de unidade nacional em torno da Revolução Islâmica e da luta contra o imperialismo. Segundo os organizadores, entre 15 e 20 milhões de pessoas devem participar das cerimônias ao longo da semana.
Khamenei foi assassinado em 28 de fevereiro, no primeiro dia da agressão militar conjunta dos EUA e de “Israel” contra o Irã. O ataque também matou altos funcionários do Estado iraniano e civis. A resposta do Irã veio por meio de pelo menos 100 ondas de ataques contra alvos norte-americanos e israelenses, o que levou os EUA a anunciarem um cessar-fogo unilateral em 7 de abril.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou, neste sábado, que o país manterá o legado político do líder assassinado. Em publicação nas redes sociais, escreveu que “a grande nação do Irã, com os corações cheios de tristeza e as vontades cheias de esperança, provará que a bandeira que o Líder mártir se esforçou para manter erguida jamais cairá ao chão”.
Pezeshkian também citou o Alcorão, lembrando a promessa de Alá de favorecer os oprimidos, transformando-os em dirigentes e herdeiros da terra. A declaração foi feita em meio à presença de milhões de iranianos no Mosalla de Teerã.
Na sexta-feira (3), chefes de Estado, autoridades estrangeiras e dirigentes religiosos já haviam prestado homenagens oficiais a Khamenei. Entre os presentes esteve o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, acompanhado por uma delegação de alto nível, incluindo o chefe do Exército paquistanês, marechal Syed Asim Munir.
Sharif afirmou que o Paquistão está ao lado do Irã “neste momento de dor”. A embaixada paquistanesa em Teerã também declarou solidariedade ao aiatolá Saied Mojtaba Hosseini Khamenei, ao presidente Pezeshkian e ao povo iraniano.
A cerimônia reuniu uma das maiores concentrações de delegações estrangeiras no Irã nas últimas décadas. Países da Ásia, da África, da Europa e da América Latina enviaram representantes, assim como organizações internacionais.
Do Oriente Médio, estiveram presentes autoridades do Iraque, do Líbano, do Iêmen, da Arábia Saudita, do Catar e de Omã. O Líbano enviou o ministro da Defesa Michel Menassa, além de representantes do Hesbolá e do Movimento Amal. O Iêmen foi representado pelo vice-presidente Mahmoud al-Junaid e por uma delegação do Ansar Alá. Organizações palestinas também participaram, incluindo dirigentes do Hamas e o secretário-geral da Jiade Islâmica, Ziad al-Nakhala.
O Paquistão enviou uma das delegações mais importantes, chefiada por Sharif e pelo comando militar do país. Também participaram representantes da China, Índia, Turquia, Armênia, Tajiquistão, Azerbaijão, Cazaquistão, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Malásia, Bangladexe, Ceilão e outros países asiáticos.
Da África, compareceram representantes do Egito, África do Sul, Burquina Fasso, República Democrática do Congo, Namíbia, Tanzânia, Tunísia, Nigéria e Senegal. Da América Latina, Cuba e Nicarágua enviaram delegações oficiais.
A Rússia foi representada por Dmitri Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança russo e enviado especial do presidente Vladimir Putin. Após sua visita a Teerã, Medvedev afirmou que o Estreito de Ormuz funciona para o Irã como um instrumento de dissuasão “não menor que uma arma nuclear”. Ele também mencionou o estreito de Bab al-Mandab como uma segunda arma estratégica no caso de uma ampliação da guerra regional.
Após a despedida pública em Teerã, o cortejo principal será realizado na segunda-feira. Na terça-feira, haverá cerimônia em Qom. Na quarta-feira, cerimônias especiais ocorrerão nas cidades sagradas de Najaf e Carbala, no Iraque. Na quinta-feira, Khamenei será sepultado em Mashhad, sua cidade natal, no santuário do imã Reza.
A semana de funeral deve se tornar uma das maiores manifestações públicas da história recente do Irã. Para o governo iraniano, a presença popular e internacional marca não apenas a despedida de Khamenei, mas a continuidade da política de independência nacional, resistência ao imperialismo e defesa da Revolução Islâmica.




