A deflagração de greve dos rodoviários de Manaus, marcada para o dia 7 de julho, levou a Justiça do Trabalho a cobrar informações sobre o pagamento dos salários da categoria. O juiz Diego Enrique Linares Troncoso, da 13ª Vara do Trabalho de Manaus, deu prazo de 24 horas para o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário e Urbano de Manaus e do Amazonas informar se os trabalhadores receberam o adiantamento salarial de 40% referente a junho.
A decisão foi assinada eletronicamente em 29 de junho de 2026. O sindicato havia pedido à Justiça o bloqueio imediato de valores das empresas de ônibus para garantir o pagamento dos salários. A reivindicação ocorreu em meio à denúncia de atraso salarial e à organização de uma nova paralisação do transporte público.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas, o Sinetram, apresentou petição informando a existência de um acordo extrajudicial com os rodoviários. Segundo o sindicato patronal, a pendência salarial seria resolvida a partir do compromisso do Município de Manaus de repassar recursos às empresas. O pagamento, de acordo com a manifestação levada ao processo, estava previsto para 29 de junho.
O juiz levou essa informação em consideração ao determinar que o sindicato dos trabalhadores confirmasse se o pagamento foi realizado. “Considerando a manifestação urgente apresentada pelo terceiro interessado Sinetram, na qual noticia a existência de fato superveniente consistente em acordo extrajudicial e compromisso formal do Município de Manaus para a realização do pagamento do referido adiantamento salarial na data de hoje, 29 de junho de 2026, ensejando a suspensão da paralisação anunciada pela categoria”, afirmou o magistrado.
Na decisão, determinou-se prazo improrrogável de 24 horas para que o sindicato informasse se houve o pagamento integral do adiantamento salarial de 40%. Em caso negativo, a entidade deveria especificar quais empresas operadoras permaneciam inadimplentes. A medida colocou formalmente no processo a necessidade de verificar se as empresas cumpriram o compromisso anunciado.
A Ação Civil Pública cita as empresas Viação São Pedro, Auto Ônibus Líder, Expresso Coroado, Integração Transportes, Vega Manaus, Global GNZ Transportes, em recuperação judicial, e Via Verde Transportes Coletivos. Também aparecem no processo o Município de Manaus e o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana, o IMMU.
Os trabalhadores aprovaram a greve em assembleia realizada na manhã de quarta-feira (1º). Segundo o presidente do sindicato dos rodoviários, Givancir Oliveira, os salários são pagos com atraso de forma recorrente. A denúncia mostra que o problema não se limita a um atraso isolado, mas a uma situação repetida no sistema de transporte coletivo da capital amazonense.
A mobilização dos rodoviários produziu uma primeira vitória política e judicial. Antes mesmo do início da paralisação, as empresas e o Município tiveram de apresentar uma saída para a pendência salarial. A Justiça, por sua vez, exigiu comprovação do pagamento ou a identificação das empresas que continuavam devendo aos trabalhadores.
O caso revela a importância da greve como instrumento de pressão da classe operária. Sem a decisão da categoria de paralisar, a dívida salarial poderia seguir sendo empurrada. A ameaça concreta de greve obrigou patrões, prefeitura e Justiça do Trabalho a tratar do pagamento dos salários. Para os rodoviários, o salário de junho não é uma questão administrativa, mas a renda necessária para alimentação, aluguel, transporte, contas e sustento das famílias.
As empresas de ônibus dependem de repasses públicos e operam um serviço essencial para a população trabalhadora. Ainda assim, segundo o sindicato, atrasam salários de maneira recorrente.
A greve aparece, portanto, como resposta direta a essa política patronal. A categoria não reivindica um benefício extraordinário, mas o pagamento daquilo que já deveria ter sido depositado. O adiantamento salarial de 40% de junho se tornou motivo de ação judicial.
A decisão da 13ª Vara do Trabalho não encerra o conflito, mas registra o efeito imediato da mobilização. A categoria, caso os patrões insistam nessa política de passar por cima dos direitos, deve manter a greve aprovada para 7 de julho como instrumento para garantir o salário e enfrentar os atrasos no transporte coletivo de Manaus.




