O prefeito Hassan Adel Bazzi contestou o plano de retirada de “Israel” anunciado para Froun, no sul do Líbano, na terça-feira (30), ao afirmar que a localidade nunca esteve sob ocupação. A vila foi indicada como zona experimental de recuo em um arranjo mediado pelos EUA, mas a autoridade municipal afirmou que Froun fica fora da chamada linha amarela, faixa definida unilateralmente por “Israel”.
Para haver retirada, seria preciso haver ocupação anterior. Bazzi declarou que “israelenses” não chegaram a pisar em Froun e que as tropas ficaram a cerca de cinco quilômetros da cidade. A indicação da vila como área-piloto provocou surpresa e indignação entre moradores e autoridades locais, pois transforma em concessão militar uma área que não estava tomada.
O arranjo firmado entre o governo entreguista libanês e “Israel” prevê uma retirada gradual de forças sionistas, condicionada ao desarme do Hesbolá, o que nunca foi acordado com o partido xiita.
Dentro do mecanismo, certas áreas do sul do Líbano seriam apresentadas como zonas experimentais, nas quais o Exército libanês assumiria presença para afastar combatentes da resistência. A escolha de Froun expõe as falsas alegações de desocupação, pois aplicam a uma localidade fora do controle militar direto de “Israel”.
A situação se agrava porque autoridades “israelenses” também afirmam que não haverá retirada real enquanto o Hesbolá mantiver armas. O ministro da Defesa sionista declarou que as Forças de “Israel” (IDF) não recuariam “um milímetro” do Líbano até o desarmamento da organização. Assim, o plano aparece menos como fim da ocupação e mais como tentativa de reorganizar a presença militar e impor novas exigências políticas ao país vizinho.
A resistência libanesa rejeitou o entendimento preliminar, favorável ao regime sionista. Hassan Ezzedine, deputado ligado ao Hesbolá, afirmou que o pacto foi imposto pelos EUA ao governo libanês em benefício do regime sionista e o classificou como acordo de rendição. Ele sustentou que negociações com o inimigo violam a Constituição do Líbano e que qualquer tratado exigiria aprovação do Conselho de Ministros e do Parlamento.
O parlamentar também apontou o agradecimento de Benjamin Netaniahu, primeiro-ministro de “Israel”, ao governo libanês como demonstração da gravidade do acordo. Para ele, condicionar a saída de tropas “israelenses” ao desarme do Hesbolá significa retirar do Líbano sua principal força de dissuasão de invasões inimigas. A denúncia é importante, porque os sionistas tendem a elevar a pressão sobre o Líbano após perderem para o Irã.




