O ministro interino da Defesa do Irã, general Majid Ibn Reza, reafirmou a resposta militar do país em telefonema com o ministro de Estado da Defesa do Catar, xeique Saoud bin Abdulrahman Al Thani, na terça-feira (30).
A conversa tratou do cessar-fogo, da segurança regional e da cooperação defensiva, em meio à desconfiança iraniana em relação às traições dos EUA ao acordo e ao apoio norte-americano a “Israel”.
Ibn Reza agradeceu o papel do Catar nas negociações que levaram à trégua, mas afirmou que a confiança iraniana está voltada aos países muçulmanos vizinhos, não às potências que atacaram ou respaldaram ataques contra o território iraniano. A frase central do pronunciamento foi que os “dedos permanecem no gatilho”. O ministro afirmou que qualquer dispositivo do acordo que seja descumprido terá resposta “necessária e proporcional”.
A advertência vem após uma sequência de choques militares. As forças armadas iranianas lançaram ataques com mísseis e VANTs contra oito instalações militares dos EUA na região durante a madrugada de sábado, como represália a novos ataques ao território do Irã.
O Comando Central dos EUA (Centcom) havia declarado que realizou bombardeios em solo iraniano, alegando responder ao suposto ataque contra um petroleiro comercial no Golfo Pérsico. Na situação com o petroleiro, foram tiros de advertência e ninguém ficou ferido.
O general iraniano denunciou que os EUA já haviam violado compromissos “em várias ocasiões” mesmo no curto período de vigência do cessar-fogo. Ele relacionou essa desconfiança a décadas de intervenção dos EUA, promessas descumpridas e agressões contra dirigentes políticos, comandantes militares, civis e crianças. Para o Irã, a trégua não desfaz o estado de prontidão, pois apenas suspende a escalada enquanto os termos forem cumpridos.
A segurança marítima também ocupou lugar central na conversa. Ibn Reza afirmou que o Estreito de Ormuz não deve ser explorado por países de fora da região e que forças militares estrangeiras não garantem estabilidade; ao contrário, aumentam desconfiança e insegurança.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, também afirmou que a retirada de minas no estreito está regulada por memorando de entendimento e não exige intervenção de terceiros.
O ministro interino associou a instabilidade regional ao Estado de “Israel”, que realizou ataques em Gaza, Síria, Líbano, Catar e Irã com apoio dos EUA. Para o governo iraniano, a segurança duradoura no Golfo Pérsico depende da cooperação entre países da própria região. A ampliação da cooperação militar com o Catar foi apresentada como parte de uma política defensiva regional.




