Os Estados Unidos bombardearam o centro de uma cidade iraniana onde não havia tropas, instalações militares ou defesa antiaérea. O relato foi feito pelo comandante Robinson Farinazzo na quinta-feira (23), durante a Análise Internacional, programa exclusivo do Diário Causa Operária.
Farinazzo esteve no Irã durante a ofensiva norte-americana e percorreu cidades atingidas pelos bombardeios. A comitiva da qual participava tentou chegar a Minab, local do ataque norte-americano que assassinou 168 crianças. A continuidade dos ataques aéreos, porém, impediu a viagem.
O grupo chegou até Lamerd, cidade de aproximadamente 30 mil habitantes localizada ao sul de Xiraz. De acordo com Farinazzo, o centro urbano foi atingido por munições disparadas pelo sistema HIMARS sob a alegação de que havia uma base militar no local.
“Lamerd é uma cidade de 30 mil habitantes. Foi atacada pelo HIMARS porque supostamente haveria uma base. Não havia nenhuma guarnição da Guarda Revolucionária, não havia defesa aérea. O ataque com mísseis atingiu o centro da cidade. Foi um massacre. Morreram entre 20 e 30 pessoas, e mais de 150 ficaram feridas.”
Durante a visita, Farinazzo encontrou uma quadra esportiva destruída e conversou com a mãe de uma criança morta no bombardeio.
“Você vê uma quadra de ginásio completamente estilhaçada. Nós conversamos com a mãe de uma criança de dois anos morta pelos mísseis norte-americanos.”
Ataque deliberado contra civis
No programa, o comandante mostrou um fragmento recolhido entre os destroços. A peça, explicou, pertencia à fuselagem de uma munição de precisão lançada pelo sistema HIMARS.
Para Farinazzo, o emprego desse tipo de armamento em pleno centro urbano mostra que os civis não foram atingidos por um erro de pontaria. O ponto de impacto era conhecido pelos responsáveis pelo disparo.
“Como esses mísseis são de precisão, você sabe onde eles vão cair. Quando caem em uma zona civil, sabemos que isso foi feito exatamente para gerar terror na população.”
O objetivo de intimidar a população, no entanto, teria fracassado. Farinazzo afirmou que encontrou um país tomado pela revolta contra os Estados Unidos, sobretudo devido à morte de crianças.
“A sociedade iraniana está muito revoltada com os Estados Unidos e principalmente com Trump. Eles querem a continuidade da guerra. O clima geral é esse.”
Na avaliação do comandante, essa disposição popular torna improvável um encerramento rápido do conflito.
“Essa guerra não vai acabar tão cedo. Se depender do ânimo da população iraniana, que está muito revoltada com tudo o que aconteceu, principalmente por causa da morte de crianças, isso não vai parar tão cedo.”
Sem pânico nas cidades
Mais adiante na Análise Internacional, Farinazzo tratou das conversas que manteve com religiosos e autoridades iranianas. Ele reconheceu que havia criticado a resposta militar do país nos primeiros momentos da guerra, mas mudou de posição depois de acompanhar os ataques iranianos contra as forças norte-americanas.
Apesar dos bombardeios, não encontrou sinais de pânico ou desorganização. A população seguia trabalhando, frequentando os mercados e levando as crianças às escolas.
“Eu notei uma confiança muito grande. Eles estão muito tranquilos. Você não vê histeria no Irã. As pessoas vão ao mercado, levam as crianças à escola. Estão muito serenas. A decisão deles é continuar a guerra, e eles têm feito isso com maestria. Eu havia criticado no começo e depois queimei a língua.”



